<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119</id><updated>2012-01-28T08:35:22.225-08:00</updated><category term='Divagações de uma Mente Flutuante'/><category term='Recordações Históricas dos Saberes Transformadores'/><category term='Recomendações do Pavilhão dos Ancestrais'/><category term='Hemeroteca dos Antigos Sábios Ocultos'/><category term='Os Sábios da Floresta'/><category term='Observatório Sínico'/><category term='Ensaio de Oito Partes'/><category term='Coisas Soltas'/><category term='Relatos do Magistrado do Canto do Mundo'/><category term='Investigação sobre as Abominações Celestiais'/><title type='text'>Dedelopolis</title><subtitle type='html'>Estudos Sínicos de André</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>108</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-2692225327966480999</id><published>2012-01-21T12:03:00.000-08:00</published><updated>2012-01-21T12:03:00.655-08:00</updated><title type='text'>Bobagem ou Tirania?</title><content type='html'>&lt;a href="http://http:%2F%2Fg1.globo.com%2Fvideos%2Fparana%2Ft%2Ftodos-os-videos%2Fv%2Fquanto-tempo-as-criancas-ficam-na-internet-por-dia%2F1777926%2F%26h%3Dmaqgmx3nbaqg7wxlfg_xdj2nbxxv3u2kqr0kqeohyussrvg/" target="_blank"&gt;quanto-tempo-as-criancas-ficam-na-internet-por-dia?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso eu estava vendo, hoje, essa reportagem que passou na RPCTV e fiquei chocado com a quantidade de bobagens que aparecem na mesma. O problema é mais atual do que nunca: como controlar o tempo que os jovens passam na net? Os argumentos, porém, são - para um bom entendedor - o primeiro passo para aquele tipo de repressão que muita gente acha necessária para retornar a 'moral e os bons costumes'. Coisa reaça mesmo, da pior espécie. Postei o link aqui para vocês assistirem, mas indico algumas das falácias apresentadas nas quais só um trouxa pode cair:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Mãe preocupada com o tempo que os filhos ficam na net. Razão: ela não sabe nada de internet e está preocupada.&lt;br /&gt;O que eu penso: descompasso entre tecnologia e valores existe desde sempre entre gerações. Quando era criança, o problema era o rock, e revista em quadrinhos eram 'perda de tempo'. Hoje, rock não assusta mais ninguém e quadrinhos já são até instrumento didático. No meio da reportagem, a única coisa sensata que o jornalista fala: 'pergunte aos seus filhos como funciona', do que se constata que, há anos, essa senhora vê a coisa acontecer e chama até um jornalista pra resolver o problema, mas não é capaz de abrir o diálogo...é a tercerização da educação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) O 'especialista' em informática diz que o perigo é a pornografia, que é igual ao vício do crack&lt;br /&gt;O que eu penso: ou eu não sei transar direito ou eu devia usar crack. mas nunca usei crack. e também nunca vi gente se entocando em buracos, batendo nos pais, roubando dinheiro, carros ou outra coisa qualquer pra trocar por uma playboy. nunca vi alguém matando por isso. se ele se referia a doentes mentais como pedófilos ou tarados, isso também existe desde sempre, e se você procurar, você vai achar - seja na internet ou numa rua escura, num lugar estranho, num horário perigoso. se o problema é o jovem ficar vendo isso em casa, de graça, bom, isso é ainda menos pior do que ele se meter nos buracos por aí pra descobrir o que precisa. a questão é que hoje o jovem descobre mais rápido e mais cedo aquilo que durante muito tempo foi proibido. no mais, será que o jovem só entra na internet pra isso? e os filmes, música, livros, amigos virtuais, jogos...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) O vício em internet entorpece como o uso do álcool&lt;br /&gt;o que eu penso: um alcólatra bebe até perder os sentidos, bebe todos os dias, gasta um bom dinheiro para manter seu vício e destrói relações sociais (ele fortalece apenas suas amizades com bêbados e com o dono do bar). novamente, a analogia é a mais exagerada e irresponsável possível; bêbado, um jovem bate seu carro, incomoda os outros, dá vexame, vomita, fica valente, briga, se bobeia, enfim... mas diante de um computador, um jovem fica horas, mas no final, vai dormir - e acorda no dia seguinte inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Pessoas perdem ou arrumam emprego pela internet&lt;br /&gt;o que eu penso: essa quase foi o máximo! uma lenda urbana usada como argumento!!! foi quase como beber leite com manga; eu nunca vi ninguém arrumar emprego pelo facebook nunca conheci alguém que o tivesse perdido pela mesma razão. nem ao menos sei se o site da catho (agencia virtual de empregos) funciona mesmo, pois não conheci ninguém que tenha sido empregado por ali. se vocês conhecem - de verdade, e não de 'eu ouvi falar' - me digam, para que eu possa iniciar uma estatística. mas essa bobagem de '70%' que ele cita é ridículo, é uma mentira deslavada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) 'A saída é controlar a informação'&lt;br /&gt;o que eu penso: essa sim é o máximo, e é aonde eu queria chegar. o final, obivamente, indica a conclusão desse raciocínio brilhante, cheio de mentiras e imprecisões: temos que controlar a informação, podar, vigiar, proibir. E porque não? Dá certo na Coréia do norte, Cuba, Venezuela, China, Birmânia, Irã... volto a insistir; estamos voltando a um período difícil, em que grupos na sociedade querem formar uma ditadura velada (antes dela ser assumida, claro). se alguém quer realmente dominar novas tecnologias ou saber das novidades no mundo, isso implica mesmo em ficar horas na frente de uma tela, tal como já fiquei dias em frente a um livro. quando se controla a informação, se reduz as possibilidades de conhecer o restante. quando direitos conquistados são cerceados, isso é totalitarismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A juventude de hoje está realmente exposta a muitas coisas. uma são bobagens, outras não. algumas, ainda, só o tempo dirá (afinal, como vimos, o rock já foi subersivo, satânico, etc.). contudo, dizer que a internet é perigosa, isso realmente me preocupa. não tanto pelo que se pode encontrar nela, mas pelo fato de que existem alguns dispostos a controlar o que se 'deve ou não ver' - uma oportunidade e tanto para especialistas de informática que adorariam um emprego no governo, trabalhando oito horas por dia e ganhando bem para vigiar e proibir as pessoas de poderem navegar livremente, sempre a mando de políticas obscurantistas e moralismos pedantes e reacionários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-2692225327966480999?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/2692225327966480999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2012/01/bobagem-ou-tirania.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2692225327966480999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2692225327966480999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2012/01/bobagem-ou-tirania.html' title='Bobagem ou Tirania?'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-4403314427791021783</id><published>2011-12-04T19:03:00.000-08:00</published><updated>2012-01-02T13:15:40.599-08:00</updated><title type='text'>O Intelectual Fofoqueiro</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-JfG8dAPNek4/Ttw0U3Baq3I/AAAAAAAABIc/4rnTLnumnNk/s1600/orelhasdeburro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-JfG8dAPNek4/Ttw0U3Baq3I/AAAAAAAABIc/4rnTLnumnNk/s320/orelhasdeburro.jpg" width="253" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;O Mestre disse. "Firmeza, resolução, simplicidade, silêncio - isso nos aproxima da humanidade". (Conversas)&lt;/blockquote&gt;No século -3, o imperador Qinshi Huangdi ordenou o enterramento dos intelectuais e queima de seus livros. Aproximadamente dois séculos depois, já na dinastia Han, o grande historiador Sima Qian foi condenado e castrado – uma das piores penas que existia na época, além da própria morte – por defender um oficial que havia caído em desgraça injustamente. Mesmo cientes da inocência tanto do oficial quanto de Sima, a maior parte dos intelectuais da corte se calou, receando se indispor com o mal humorado imperador Wudi – e de fato, até onde sabemos, os principais intrigantes eram funcionários reais, conscientes das questões em jogo, mas dispostos a obter alguma possível vantagem com a desgraça alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vista, esses dois momentos são bastante diferentes. Num, há a condenação dos intelectuais; noutro, a condenação de apenas um, mas a realização de uma injustiça. À primeira vista, poderíamos supor que houve uma evolução – política, social ou cultural – dado que o número de vítimas diminuiu. O que me pergunto, porém – e invertendo totalmente o paradigma da questão – é se Qinshi Huangdi simplesmente não odiava os intelectuais por causa de suas críticas e intrigas, e resolveu dar cabo de todos de uma só vez, enquanto Wudi se servia deles para referendar seus desmandos. Se aceitarmos essa segunda visão, entenderemos que Qinshi foi um tirano intransigente, mas sincero, conquanto Wudi era um hipócrita, pois apesar da aparência, ele também não gostava de intelectuais – e principalmente, não poupava os bons. Visto assim, ambos odiavam os pensadores; e na época Han, os letrados já haviam aprendido a adular o poder e a viver dele, tirando o seu sustento da burocracia sem contestar criticamente o regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei esses dois exemplos para tentar ilustrar um problema que é milenar na China, e absolutamente presente em nossa atualidade brasileira; a tensão entre o verdadeiro intelectual crítico e aquele que se torna um mero burocrata maledicente, cujo interesse é apenas o de participar dos ganhos que o sistema pode oferecer. Na civilização chinesa, que se orienta perenemente pela tensão yin-yang, a figura do intelectual sábio se construiu em cima daquele que mantém sua autonomia crítica, que se arrisca ao aconselhamento sincero, que preferentemente se afasta do poder e que possui um discernimento quase previdente sobre uma determinada questão. Se lermos as Conversas de Confúcio, veremos vários exemplos disso. Outras duas passagens famosas sobre isso são as de Zhuangzi e das Crônicas dos Estados Combatentes (Zhanguoce), como podemos ver a seguir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;Zhuangzi estava pescando no Rio Pu quando o Príncipe de Chu mandou que dois altos oficiais o fossem ver e disse - "Nosso príncipe deseja encarregá-lo da administração do Estado Chu". Zhuangzi continuou a pescar sem virar a cabeça e disse - "Ouvi dizer que em Chu há uma tartaruga sagrada que morreu quando tinha três mil anos de idade. O príncipe conserva essa tartaruga cuidadosamente fechada numa arca no templo de seus ancestrais. Ora, essa tartaruga preferiria antes estar morta e ter seus restos venerados, ou preferiria estar viva e abanando o rabo na lama?" - "Preferiria estar viva," replicaram os dois oficiais, "e abanando o rabo na lama" - "pois então saiam daqui", disse Zhuangzi, "também prefiro abanar minha cauda na lama". (Zhuangzi)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei Xuan, de Qi, encontrou Yenzhuo na estrada. Mandou chamar o letrado e este disse: “Venha o rei ter comigo”. Os assistentes do rei ficaram muito ofendidos com sua insolência. “Como podes ser tão rude para com o rei?”, perguntaram os assistentes. —Não compreendeis — respondeu Yen. — Este é o meu modo de mostrar respeito pelo rei.&lt;br /&gt;—Como?&lt;br /&gt;— Se eu for ter com o rei, poderão pensar que quero pedir algum favor especial. Se o rei vier ter comigo, todos pensarão que nosso rei é um protetor dos letrados.&lt;br /&gt;O rei ficou muito contrariado.&lt;br /&gt;— Dize-me — falou ele a Yenzhuo. — Achas que um letrado é mais importante do que um rei? &lt;br /&gt;— Acho — respondeu Yen.&lt;br /&gt;— Explica-te.&lt;br /&gt;— Posso fazê-lo. Quando Qin invadiu Qi, foi baixado um decreto para o exército dizendo que qualquer soldado que ousasse aproximar-se cinqüenta passos do túmulo de Liuxia seria sumariamente executado. Ao mesmo tempo, o decreto dizia: “Quem quer que trouxer a cabeça do rei de Qi será feito alto ministro e receberá mil yi de ouro”*. Assim, a cabeça de um rei vivo vale menos do que o túmulo de um letrado morto.&lt;br /&gt;(O rei ofereceu-lhe um posto, mas Yenzhuo recusou.)&lt;br /&gt;*aprox. 500 Kg. (Zhanguoce)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O contrário disso, porém, é o burocrata medíocre, o funcionário pedante e mesquinho que só pensa em dinheiro ou poder. Incapaz de articular qualquer pensamento que não se dirija a um proveito próprio e pessoal, para ele o espaço público é o degrau da ascensão social, e o meio pelo qual pode alcançar algum poder. A China tem convivido ao longo de milênios com a praga do burocrata corrupto, do parasita que se disfarça de pensador para envolver-se nas políticas públicas. Foi graças ao combate – em muitos momentos mortais – contra essa pária social que a civilização chinesa sobreviveu, embora seus piores momentos históricos se devam a ausência de uma educação cultural mais ampla e capaz de coibir os abusos.  Mesmo o sistema de exames imperiais ajudava a debulhar a classe dos letrados, mas não tinha força suficiente para, sozinho, dar conta da doença da corrupção e da ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originalmente, porém, o intelectual é alguém que se dedica ao estudo, e cujos compromissos com essa busca do saber o tornam um analista autêntico. Um intelectual não se exime de ajudar o governo, mas mantém sua independência de opinião e entende que o vínculo com o poder não pode, e nem deve, corromper seus princípios.&lt;br /&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;Zilu perguntou como servir a um príncipe. O Mestre disse: "Diz-lhe a verdade mesmo que ela o ofenda". (Conversas)&lt;/blockquote&gt;A questão, contudo, é que muitos governos não gostam de ser criticados. O exercício legítimo da democracia, que exige um equilíbrio delicado entre a denúncia necessária, a censura e o sensacionalismo é encontrado muito raramente no mundo. No caso da sociedade chinesa, muitas vezes o próprio povo se faz censor, apesar do governo reconhecer que as dificuldades advindas do crescimento (a velha e má corrupção) precisam ser combatidos para criar um crescimento saudável. O outro lado da moeda é que, em muitos casos, o intelectual ativo e crítico continua a ser reprimido, quando suas opiniões vão contra a linha ideológica do governo. Estranhamente, é essa figura audaciosa – e no entanto, coerente e profunda – que galvaniza a atenção mesmo da população mais simples, que reconhece nele a autoridade do saber (mesmo que ainda perigoso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa breve análise do problema na China dá o contraponto que preciso para abordar a questão em nossa sociedade. Voltemos ao caso de Qinshi Huangdi e depois, de Wudi. Por analogia, poderíamos compreender que os tempos, no Brasil, em que vivemos regimes de exceção, são marcados por essa recusa em aceitar o papel do intelectual como alguém que se coloca de modo crítico em relação ao regime. Que se entenda: ele não precisa ser de oposição, ou de ‘esquerda’, para ser um intelectual; no entanto, se o seu compromisso com o regime vigente impede-o de exercer o seu papel crítico, mesmo nos piores momentos de crise, ou de constatar erros que possam ser catastróficos para a sociedade, ele deveria ser perguntar, pois, o que está fazendo de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;O Mestre disse: "Nos velhos tempos, as pessoas estudavam para se aperfeiçoar. Hoje, elas estudam para impressionar os outros". (Conversas)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Na visão pósconfucionista, o entendimento da palavra ‘letrado’ (ou, intelectual) é de que alguém cujos conhecimentos servem a sociedade, educando-a, corrigindo-a e formando-a de modo comprometido. Quando surgem problemas, é seu dever informar as autoridades, aconselhar na questão e trabalhar em soluções possíveis. Todavia, quando um regime não se presta a esse tipo de propósito, degenerando-se numa várzea de desmandos, o intelectual então vislumbra duas opções: se há a possibilidade de resistir e mudar o panorama, ele o denuncia e o contesta; mas se ele sente que mesmo o povo já se entregou ao erro, ele junta suas coisas e vai embora. Confúcio mesmo fez isso várias vezes, e resumiu essa situação numa única frase: ‘não adianta ensinar para quem não quer aprender’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontece, portanto, com nossos intelectuais? A instigante provocação de Adauto Novaes, em seu &lt;i&gt;Silêncio dos Intelectuais&lt;/i&gt;, trouxe à luz que a intelectualidade brasileira tem muito pouco de crítica, e é muito mais burocrática e servil do que outra coisa qualquer. Tal como na China de Wudi, os intelectuais brasileiros, em sua maioria, aprenderam a trabalhar para o Estado, ao invés de criticar as mazelas sociais. É só vermos a imensa quantidade de escândalos de corrupção e imoralidade que a ‘esquerda’ provocou desde que assumiu o poder. Esses crimes existiam antes, é claro, e eram devidamente denunciados por uma laboriosa classe de pensadores – alguns dos quais, em tempos mais difíceis, puseram mesmo sua vida em risco. Nela eu poderia incluir professores universitários, pensadores autônomos, músicos, artistas, etc. No entanto, toda essa gente está calada agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por quê? Como grande parte desses ‘intelectuais’ tornou-se parte do funcionalismo público, e/ou recebem ajuda e financiamento do governo para seus projetos, seu comprometimento com o poder estabelecido esvaziou quase completamente sua atuação crítica. O Estado incorporou os pensadores para que, em troca, eles se calem. E grande parte topou, mostrando que não eram legitimamente intelectuais, dentro da idéia que pretendemos propor aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instalados em suas confortáveis cadeiras universitárias ou culturais, hoje dedicam-se a uma incansável luta por verbas, bolsas e recursos cujo destinação é, em geral, algum tipo de projeto social sem sentido, mas que reforça alguma política pública já definida. A luta contra os erros do cotidiano foi abandonada, e hoje só se realiza a cooptação política com fins eleitoreiros. No entanto, é necessário manter uma aura de intelectualidade; e o exercício desse ‘intelectualismo’ se dá de um modo lastimável, mas distinto: o denuncismo vazio e a fofoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todo tempo, esses ‘intelectuais’ denunciam e perseguem quem pensa contra eles, usando o sistema a seu favor (uma ironia, se lembrarmos que muitos desses pensadores construíram suas carreiras em nome de uma democracia a qual, pelo visto, eles mesmos não acreditavam) para reprimir as iniciativas individuais. Como fizeram com Sima Qian, eles não tem o mínimo interesse no que é juridicamente correto ou não, mas apenas em transformar o espaço público numa disputa de poder e de egos. Usualmente, criticam pensadores que vendem bem seus livros ou cuja produção é significativa – e insisto, quantidade não é qualidade, mas o cerne da questão é uma inveja reincidente com o sucesso alheio, e um recorrente desejo de reprimir aquilo que não tem compromisso com a ideologia do governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, eles mantêm uma imagem de denúncia social, mas absolutamente desprovida de profundidade ou seriedade. Lançam causas ou polêmicas e depois se retiram, deixando a outros o ônus da questão. Não desenvolvem nenhuma proposta séria ou aprofundada, a não ser que ligada diretamente as diretrizes de seu financiador, o Estado. Fazem, assim, fofoca da pior espécie. Acusam intelectuais autênticos dos piores crimes, quando necessário, destruindo a vida alheia com polêmicas inúteis as quais os acusados são obrigados a se defender, perdendo seu valioso tempo na ação intelectual verdadeira. Em regimes assim, não há condenação por calúnia ou difamação; o máximo que um intelectual consegue em nossos tempos é algum reconhecimento da falsidade das acusações, e até onde a mídia se dispõe a fazê-lo. Na verdade, é curioso pensar que nos dias de hoje grande parte dos crimes institucionais tem sido denunciado por jornalistas, mostrando a total complacência dos ‘intelectuais’ brasileiros com a corrupção estabelecida. Como afirmei no texto &lt;a href="http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/uma-sociedade-dominada-por-fantasmas-de.html" target="_blank"&gt;Uma sociedade dominada por fantasmas de ocasião&lt;/a&gt;, a nossa ‘intelectualidade’ trabalha apenas pra criar causas sem sentido que desviam a atenção das questões fundamentais ou mesmo, do modo como elas são (des)tratadas. O ‘intelectual brasileiro’ se encaminha, pois, a se tornar apenas um fofoqueiro ilustrado, sem conteúdo, superficial, covarde e cujo compromisso é apenas com seu mantenedor. Vivendo de intrigas, maledicência e causas superficiais, ele tem se afastado do contexto conturbado que vive nossa cultura, sem vislumbrar os problemas nacionais e internacionais que se desenham, num horizonte próximo, como vitais para a sobrevivência da sociedade. Alheio a tudo isso, ele tem terceirizado à justiça ou a iniciativa pessoal a correção dos erros do sistema, sendo cúmplice de seu descontrole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visto assim, não é difícil de entender porque nosso povo costuma desprezar os intelectuais, tendo pouca admiração por eles. Afinal, que intelectuais temos, de fato? Conquanto a vaidade e a subserviência da intelligentsia nacional forem as principais linhas ideológicas predominantes, não há crítica possível capaz de aconselhar sabiamente. Aqueles que trabalham de maneira honesta e dedicada continuarão a ser punidos, e a situação há de tornar-se insustentável.&lt;br /&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;O chefe da família Ji era mais rico que um rei, e, contudo, Ran Qiu continuava pressionando os camponeses para enriquecê-lo ainda mais. O Mestre disse: "Ele já não é meu discípulo. Tocai o tambor, meus pequenos, e atacai-o: tendes minha permissão". (Conversas)&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-4403314427791021783?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/4403314427791021783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/12/o-intelectual-fofoqueiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4403314427791021783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4403314427791021783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/12/o-intelectual-fofoqueiro.html' title='O Intelectual Fofoqueiro'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-JfG8dAPNek4/Ttw0U3Baq3I/AAAAAAAABIc/4rnTLnumnNk/s72-c/orelhasdeburro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-7784962177886321539</id><published>2011-11-01T11:46:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T11:49:06.707-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>O mundo como sala de aula</title><content type='html'>Os alunos estavam reunidos com Zapotzu. Mestre Za iniciou o debate com a seguinte frase de Confúcio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘ensino a todos, sem distinção’&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o que isso significa, pois? Que ensinamos a qualquer um, ou que ensinamos qualquer coisa? – perguntou o mestre Za.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O consenso era de que Confúcio queria dizer, simplesmente, que o ensino é aberto a todos. Mas as dúvidas surgiram: como conciliar isso com um mundo em que muitos não querem aprender? Devemos ensinar para quem não quer ou devemos ensinar o que cada um quer ouvir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Za sorriu: - de fato, temos um problema. Se quiséssemos ensinar a todos mesmo, teríamos que ensinar qualquer coisa – o que não ensinaria a ninguém – ou, ensinar o que cada um quer aprender – mas como alguém pode saber o que quer sem conhecer as opções? Confúcio estava aberto a ensinar para quem quisesse aprender, mas seus ensinamentos – que formam o humanismo (o Ren), e preparam as pessoas apropriadamente (junzi) – embora abarquem o mundo, são uma coisa só. Confúcio não podia ensinar qualquer coisa, isso é um hábito de farsantes; e ele só ensinava, portanto, o que sabia, que era seu modo de olhar o mundo – ou ainda, a termos as dúvidas necessárias para enfrentar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas mestre – perguntou um discípulo – e como ficam os que não querem aprender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zapotzu sacou outra frase das Conversas de Confúcio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Não adianta tentar ensinar para quem não quer aprender’, e comentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- um bom mestre não abandona seus alunos, mas esses se abandonam a si mesmos. Confúcio olhava o mundo como uma sala de aula. Todos precisam aprender para avançar. Mas suponhamos que essa classe, que é o mundo, tenha uns trinta alunos. Cinco, em geral, são ótimos, e nem precisam de muita ajuda. Outros vinte não sabem exatamente o que fazer ou o que querem, mas se esforçam para ‘passar’ de ano e se manter na média até que um dia escolhem seus caminhos. No fim, apenas uma minoria mesmo – os outros cinco – faz bagunça, criam caos e intimidam os outros. Em geral andam juntos, e agem em bloco. Se olharmos o mundo dessa maneira, veremos que o exemplo é fundamental. Se privilegiarmos os bons, e estimularmos os medianos, todos seguirão o bom exemplo, e os alunos fracos se envergonharão e se sentirão impelidos a melhorar e buscar ajudar. Se não o fizerem, devem ser reprovados e expulsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e isso não é cruel, mestre? Isso não é exclusão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- diga-me: como é possível arar o campo se há guerra? Como é possível orar com barulho? E como é possível aprender sem disciplina e dedicação? Eu acredito que os professores devem saber estimular os alunos, mas eles não devem ser reféns daqueles que criam a desordem. Hoje se dá tanta atenção aos bagunceiros que eles se sentem privilegiados por isso, e só  fazem mais desordem. Os medianos, assim, perdem a vontade de estudar e se miram nos exemplos errados. Por fim, os bons acabam sendo excluídos e perseguidos, numa inversão total de valores. Além disso, a vida implica a realidade das experiências desfavoráveis, que nos ensinam o valor da felicidade, do aprimoramento e do esforço. Lembremos que muitas das pessoas que abandonaram a escola, ao chegarem na fase adulta, relembram e lamentam que deveriam ter estudado mais. Ora, se a maturidade e o tempo ensinam isso, porque então favorecer o erro para depois tentar consertá-lo? Não se deve manter na escola um aluno que não quer aprender. Deixe-o ir. Não se podem criar regulamentos que favoreçam a difusão da ignorância e a imposição da leniência. Hoje, muitos professores já não querem ensinar também – que absurdo! – e se tornaram profissionais dinheiristas, que entendem que qualificações e estudo são apenas meios para se ganhar mais e suportar menos os alunos! Por trás de todos esses erros existem governantes inaptos e educadores estúpidos e incompetentes, que só imaginam a educação como um evento político. No entanto, não é possível manter uma sociedade assim; não é possível manter o mundo assim. Ao lapidarmos o jade, tiramos lascas de pedra bruta para manifestar sua beleza. Mas hoje as pessoas querem que qualquer granito passe por diamante, e que qualquer caco de vidro seja chamado de esmeralda. Era para isso que Confúcio alertava quando falava de retificar os nomes. Se o bom não for bom, e se o erro for o correto, então, não há o que fazer, senão contar com a sorte – e um sábio não faz isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zapotzu leu uma última frase para terminar a conversa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- está escrito nos Registros Culturais (liji): 'a educação é um assunto fundamental, e os soberanos da antiguidade davam suma importância a ela'. Quem seria tolo, pois, de querer governar o mundo e não dar atenção a isso? Quem pode esquecer que o mundo, afinal de contas, é uma grande sala de aula, e a vida, um aprendizado contínuo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-7784962177886321539?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/7784962177886321539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/10/o-mundo-como-sala-de-aula.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7784962177886321539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7784962177886321539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/10/o-mundo-como-sala-de-aula.html' title='O mundo como sala de aula'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-5393717314360092288</id><published>2011-10-31T11:44:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T08:12:26.661-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Utopias</title><content type='html'>&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;Meu desejo é um país em que as pessoas tenham bons empregos, tempo para o descanso merecido, sejam bem educadas, em que não haja ladrões e malfeitores, os velhos tenham sossego e conforto, os jovens possam ser livres e amar, e os amigos sejam sinceros e leais, sem interesses ocultos.&lt;br /&gt;Confúcio, no Liji&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Zapotzu leu esse texto numa reunião de intelectuais, tentando explicar o que era o projeto confucionista de uma sociedade harmoniosa, onde Ren – o humanismo – prevalecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ouvinte caminhante objetou;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- esse mundo não existe. O ideal é  retornar a natureza original, viver em harmonia plena com o Dao, desprendendo-se de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ouvinte, legista, também criticou o texto;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- isso é sonho. O mundo é  mau. Boa apenas é a lei. Mas sem controle e pulso firme, as pessoas degeneram. Não há essa sociedade ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zapotzu ponderou as opiniões de ambos e respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o que é retornar a natureza original? Grunhir, comer comida crua abatida com as próprias mãos, dormir ao relento, andar nu? Perdoe-me, já ouvi falar do discurso da natureza original, mas nunca vi alguém praticá-lo. É relativamente fácil ser mendigo quando há quem dê esmola, ou comer pouco quando há fartura de comida; mas nunca vi um asceta pelado, sem usar qualquer roupa, e não acredito em eremitas que todos saibam ser um eremita. Sobre ser desprendido ou simples, isso pode ser aprendido; são valores humanos, que o próprio Confúcio propôs e ensinou. Já quanto ao mundo ser mau e corrupto, ouvi falar de povos que vêem maus exemplos e fraquejam; mas a maior parte das pessoas trabalha, sofre e se submete sem buscar o mau. Quando o exemplo é bom, as pessoas desabrocham, a economia frutifica e a maldade é inibida. Ora, se o errado se inibe simplesmente porque as pessoas aprenderam a apreciar o correto, então, um sistema violento, que depende de leis duras para existir, provavelmente esconde muitas coisas erradas e excessos de capricho pessoal. Só há liberdade com ordem, mas não há liberdade com repressão. Só há simplicidade e desprendimento com trabalho, mas não há nada quando só existe a inércia. Viver de modo simples quando os outros o sustentam é vagabundagem e comodidade, não naturalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que concluo, pois, que os pensamentos de vocês também são utópicos; e utopias por utopias, prefiro a de Confúcio, então, que é boa e quer o bem para todos. Me parece, contudo, que se eu sair na rua agora e perguntar o que as pessoas querem, na sua mais rústica ignorância, elas responderão algo parecido com o que o mestre propôs; não era ele, então a voz do povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentário do Sábio-que-dormia: “quando é o número que importa, dizem que o povo é sábio; mas quando um populista corrupto não consegue aprovação para suas trapaças, chama o povo de burro. Um povo é espelho de sua educação. Ele pede o que precisa, e busca o que lhe ensinaram. Contudo, ainda que pouco educados, os povos do mundo tendem muito mais a serem calmos do que violentos. As guerras são feitas pelos políticos, não pelos populares. A humanidade nasce em busca do bem, e é isso que a torna humana. Confúcio estava certo; as pessoas só querem trabalho honesto e um pouco de sossego despreocupado. São os chefes das nações que fazem confusão; eles deveriam ser os mais bem preparados e instruídos, mas e no geral, são os mais incompetentes e improdutivos que buscam posições de destaque. Substitua-os e tudo irá bem. Eis porque parece que a afirmação de Confúcio é uma utopia, mas não é. Zapotzu sabe disso também".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-5393717314360092288?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/5393717314360092288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/10/utopias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/5393717314360092288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/5393717314360092288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/10/utopias.html' title='Utopias'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-7387166791600816365</id><published>2011-10-04T18:54:00.001-07:00</published><updated>2011-10-04T18:54:31.802-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>A Mutação do Humano</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;O que ainda não está formado pode formar-se; e o que já está pode mudar. Como poderia a natureza humana permanecer imutável uma vez formada? Portanto, ao cultivar sua natureza, o sábio sempre se acomoda as circunstâncias para conduzir as coisas, mas tão pouco as deixa em seu curso espontâneo, o que quer dizer que ao selecionar o bom, há que buscar o melhor do melhor, e que ao defender o justo, há que manter-se livre de todo o vacilo, ao invés de relaxar e se deixar levar pelas comodidades e prazeres. (Wang Fuzhi, 1619 +1692)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Confúcio afirmava que o que transforma uma pessoa em ser humano é a Cultura. São os costumes, as tradições e os conhecimentos acumulados (禮Li, também chamados ‘Rituais’) que inserem alguém no mundo humano, afastando-o da animalidade e de uma vida inconsciente. Essa é a grande mutação que se instala na vida humana, derivada do elemento fundamental que articula a continuidade da cultura, que é o estudo e a educação. Por essa razão, ainda que séculos depois, Wang Fuzhi se coloca junto a Confúcio contra o domínio do acaso, e afirma que no curso de uma existência devemos continuamente estudar, sem nos deixar levar pelas comodidades de um bom emprego, uma situação estável ou a impressão de durabilidade da matéria. Esse é o mundo da mutação, e o estudo nos prepara para acompanhá-lo em suas transformações e tendências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, mudança, auto-aperfeiçoamento, capacidade, talento, tudo isso depende de uma postura de estudo que coloca o ser humano numa posição única na natureza, a de poder transformar-se. Diferente dos outros animais, a humanidade é um processo contínuo de construção e reflexão, no qual o avanço depende unicamente da vontade íntima de aperfeiçoar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O coração* do homem está em constante reflexão dia ou noite. Ainda que seja capaz de discorrer sobre os mais variados assuntos, com o que – senão com o coração – ele conta para conhecer as leis que regem a natureza? [...] O talento nasce diariamente porque se o utiliza, e o pensamento é inesgotável para quem pensa [idem] *coração=mente&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Então, quem é o ignorante, o limitado? É aquele que se abandona as circunstâncias, e que deixa de lado a necessidade do estudo. Estudar é tão natural e biológico ao ser humano quanto qualquer outro processo fisiológico sobre o qual ele pretenda qualquer tipo de controle. É o que a analogia de Daizhen propõe de modo apropriado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Uma criança recém nascida morre se não comer; e permanece estúpida se não aprender. Ora, todos sabem que a alimentação mínima a sustenta, e que uma boa alimentação a faz crescer e a torna forte; do mesmo modo, se ela aprende cedo e cultiva boas qualidades morais, ela dominará amplos conhecimentos e se tornará um sábio. Em ambos os casos, pois, a razão é a mesma. (Daizhen, 1723 +1777)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Então, quem é o estúpido? É alguém que passa fome porque deseja, que se compraz em sua limitação, que não visa simplesmente o óbvio: melhorar a si mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Estúpido é aquele que não conhece a verdade das coisas por conta de suas limitações. Só o estudo pode remediar essa deficiência e transformar um estúpido em inteligente. [idem]&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Pois Daizhen aponta, de modo indubitável, o que estrutura a mudança humana: é sua capacidade mental, que criou a cultura como um meio de estender nossa sobrevivência e superar nossas limitações. Quando alguém se entrega então a sua limitação individual, o que pode ele pretender para a sua vida, senão o acidente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O que caracteriza o homem é sua capacidade mental, capaz de conhecer as coisas. É com essa capacidade, não importando o nível, que o homem distingue as coisas; e de estúpido, pode tornar-se alguém inteligente. [idem]&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-7387166791600816365?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/7387166791600816365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/10/mutacao-do-humano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7387166791600816365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7387166791600816365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/10/mutacao-do-humano.html' title='A Mutação do Humano'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-222818258356302756</id><published>2011-10-02T18:24:00.000-07:00</published><updated>2011-10-04T18:54:55.461-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>Uma sociedade contra si mesma</title><content type='html'>Todas as culturas têm suas tradições de provérbios e ditados populares. No caso da China, essa tradição é extremamente valorizada; conciso e direto, o provérbio expressa de modo rápido e profundo a síntese de uma idéia. Ele é considerado uma forma de exercício mental, que tanto induz a reflexão quanto estimula o aperfeiçoamento na arte do discurso, posto que o uso apropriado (ou ainda, ‘fatal’) de um ditado é que o transforma de clichê numa afirmação decisiva. Os chineses consideram, ainda, que essa arte proverbial expressa a face de uma sociedade, e seu modo de olhar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta disso – e obviamente, se concordarmos que os chineses podem estar corretos em sua análise – veremos que a cultura brasileira privilegia uma mentalidade de ângulos catastróficos, que sabotam constantemente o esforço em melhorar a nós mesmos. Isso fica absolutamente manifesto em nossa arte proverbial, cujo pessimismo e oportunismo refletem um modo de agir lamentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senão vejamos: que povo pode se entusiasmar com o estudo e a busca do conhecimento se aqui ‘não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe’? Nosso desejo de evoluirmos e conseguirmos as coisas com honestidade e esforço é destruído pela idéia de que ‘pra tudo tem um jeito, menos pra morte’; ou seja, o desejo de conquista legítima e meritória não importa se soubermos nos ‘contentar com pequenas coisas’. Pobres - intelectual e materialmente-, aprendemos que as concessões de origem duvidosa são dádivas para a incompetência e para o oportunismo; afinal, ‘cavalo dado não se olha os dentes’, e ‘todos’ agem, a princípio, dessa maneira, já que ‘a ocasião faz o ladrão’. Afinal, ‘ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão’. A dedicação e o esforço são adversários do jeito esperto de levar a vida, já que a ‘pressa é inimiga da perfeição’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como unir uma sociedade que diz a si mesma que a ‘união faz a força’, quando afirma, ao mesmo tempo, que ‘amigos amigos, negócios a parte’, ou, que a lealdade e o interesse na melhoria geral das coisas são contextuais e sem um projeto de futuro definido? A insistência só existe em coisas pequenas e irrelevantes, cuja satisfação envaidece o oportunista, mas não lhe traz nada de significativo. É a ‘água mole em pedra dura tanto bate até que fura’, feita por ‘quem não chora, não mama’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apologia do individualismo transparece em ‘cada cabeça, uma sentença’, um sofismo da melhor qualidade, corroborado por ‘antes só do que mal acompanhado’. A união em torno de propósitos comuns é considerada, pois, enfadonha e desagradável. Cada um que se vire, e negocie sua própria impossibilidade e dependência, ‘cada macaco no seu galho’. A ignorância e a total imaturidade para discutir qualquer coisa que seja se consolidam na afirmação de que ‘não se discute religião, futebol e política’: dois dos principais temas da condição humana (religião e política) não devem ser ponderados ou conversados, e são postos em pé de igualdade com um esporte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei, arrisco-me a dizer todas essas coisas, já que ‘quem diz o que quer, ouve o que não quer’, é ‘cutucar a onça com vara curta’, o que revela a disposição de nossos cidadãos em reagir violentamente (não em pensar) no que proponho nesse texto. Mas se ‘contra os fatos não existem argumentos’, a recepção desse ensaio crítico não é discutível. Ó Céu! Como alguém pode acreditar que algo não é discutível? Esse é o princípio da ciência! No entanto, isso é negado a uma sociedade que se formou aprendendo que não deve debater, mas apenas obedecer ou impor. ‘De médico e de louco todo mundo tem um pouco’, o que implica que quem tenta fugir desse esquema estudando e trabalhando é associado a um doente mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, ‘devagar se vai longe’, mas sempre se chega atrasado. Na constatação de que a vida não pode ser mudada (ou pelo menos, baseado nessa crença), as pessoas se sujeitam aos acidentes da existência. Credita-se a Deus e ao acaso o curso do destino; ‘deus escreve certo por linhas tortas’ e ‘ajuda a quem cedo madruga’, embora ele dê ‘rapadura pra quem não tem dente’. Claro: ‘enquanto há vida, há esperança’, o que significa uma vida toda de espera resignada, sem uma atitude sincera de mutação individual – que se diga coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço’ mostra a completa hipocrisia da máscara social que aprendemos a usar, fazendo ‘aquilo que os olhos não vêem, o coração não sente’. Na pretensão de sermos indivíduos autônomos, somos educados a agir de maneira absolutamente egoísta e auto-centrada – e no entanto, isso não implica numa sociedade de gente determinada, mas sim, num coletivo de pessoas que negam a si mesmas e ao seu poder atuação social para negociarem sua dependência. São todos ‘lobos com pele de cordeiro’, cuja filosofia é ‘mais vale um pássaro na mão do que dois voando’. Egoísmo, possessividade, ambição pequena e sórdida; o que pode um povo com tal educação? ‘Prevenir é melhor do que remediar’ seria um excelente adágio para a educação, mas tornou-se um marco da corrupção ativa e passiva, já que ‘seguro morreu de velho’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’, já que ‘melhor ser um burro vivo do que um sábio morto’. Essas afirmações são o reconhecimento de que a sabedoria é poderosa, mas é negada: ‘onde há fumaça, há fogo’, diz-se do que denuncia os erros, mas que é engolido pela tentação da inação: é ‘nadar contra maré’, ratificando a venalidade de ‘uma maioria’ com os erros de uns poucos. O ideal é negar o que é de direito para conseguir aquilo que se transformou em concessão. ‘Nem oito nem oitenta’, indica esse raciocínio de conciliação em grande parte inútil para fazer escolhas na vida, já que ‘nem só de pão vive o homem’, uma das poucas indicações de uma espiritualidade que prefere evoluir pelo sofrimento e abstinência do que se auto-aperfeiçoar. Sim, ‘saber não ocupa lugar’, a frase lapidar da apologia da estupidez. O ‘pior cego é o que não quer ver’ é, de fato, uma afirmação totalmente cabível para essa mentalidade.&lt;br /&gt;Claro, ‘quem espera sempre alcança’ consolida esta atitude de dependência. ‘Quem sabe faz, quem não sabe ensina’ consagra o total desprezo ao aprendizado libertador e independente, daqueles que ‘quem cala consente’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, ‘quem não arrisca não petisca’, e creio que todo ensaio se tratou de denunciar essa postura equivocada. ‘Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha’ implica minha crença inexorável de que podemos ser ouvidos e ponderados, já que podemos mudar essa situação calamitosa: ‘querer é poder’, e lembrar disso é fundamental, é o cerne histórico e memorial do ‘recordar é viver’. Sei que ‘santo de casa não faz milagre’, mas me nego a acreditar que ‘a palavra é de prata e o silêncio é de ouro’. ‘Boca fechada não entra mosca’ é uma atitude de resignação que me recuso a aceitar (eu não sou o ‘todo homem tem seu preço’), e mesmo que ‘as verdades façam poucos amigos’ (uma lástima se pensado o conceito de amizade que ela implica), o conhecimento, mais do que tudo, pode de fato melhorar nossa sociedade e nossa cultura. ‘Quem tudo quer, tudo perde’ nos faz pensar o que temos a perder para nos negarmos a conquistarmos algo. ‘Ri melhor quem ri por último’ só será um sucesso factível se nele estiver contida a sabedoria da compreensão. ‘Quem avisa amigo é’ é uma das poucas frases que, se não forem usadas de modo intrigueiro, traz consigo a preocupação sincera com a salvação do outro, o verdadeiro altruísmo de que precisamos. Sim, precisamos dialogar, estudar, questionar (‘perguntar não ofende’), antes que ‘o justo pague pelo pecador’, e a verdade seja obliterada pela sombra da ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o bom entendedor, meia palavra já basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o caminho do bom provérbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é o que precisamos saber sobre nós mesmos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-222818258356302756?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/222818258356302756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/10/uma-sociedade-contra-si-mesma.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/222818258356302756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/222818258356302756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/10/uma-sociedade-contra-si-mesma.html' title='Uma sociedade contra si mesma'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-875138898092856693</id><published>2011-09-11T18:25:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.839-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>Uma mensagem desgastada?</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;Só por meio da educação, pois, tornar-se-á alguém insatisfeito com o que sabe; e só quando tem de ensinar a outrem é que a gente dá-se conta da incômoda insuficiência dos próprios conhecimentos. Insatisfeita com o que sabe, a pessoa então percebe que é seu o mal, e dando-se conta da incômoda insuficiência de seus conhecimentos sentir-se-á impelida a aprimorar-se. Por isto se diz que "os processos de ensinar e aprender estimulam-se um ao outro". (Liji)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Quando Confúcio escreveu esse trecho no Liji, ele já havia constatado duas coisas: primeiro, que a causa de uma crise social é a ignorância; que a ignorância é o desconhecimento da moral, incapacidade de reflexão e visão obtusa de mundo; que esses fatores são resultado da falta de educação; que sem educação, não é possível construir um mundo melhor; e que um mundo melhor depende da formação de indivíduos sensíveis, capazes, estudados e autônomos. Segundo, que a transformação existirá sempre, e que por isso precisamos constantemente de educação. Não estamos em crise perene; quando há educação, há uma conservação equilibrada dos padrões sociais e culturais em relação aos desafios técnicos e morais que se tem de enfrentar. Uma sociedade educada não estanca, mas controla suas mudanças, e opta por elas de modo consciente. Uma sociedade sem educação, porém, vive aflita, em estado de crise, os desafios que se apresentam são encarados com repulsa e violência, e as ações se dão de modo irrefletido. As opções imediatistas não dão conta de evitar os conflitos, até que um desfecho fatal force novamente um equilíbrio precário das forças. Por isso a educação era - ou deveria ser - um assunto de Estado. O esforço individual não é capaz de dar conta de salvar o mundo, apesar do bom educador ser como uma vela no escuro; mas como disse novamente Confúcio, no mesmo Liji:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A vontade de agir corretamente e a procura do que é bom dariam a uma pessoa certa reputação, mas não a tornaria capaz de influir sobre as massas. Aderir a homens hábeis e sábios, e acolher os que chegam de países longínquos, faria uma pessoa ser capaz de influir sobre as massas, mas não a habilitaria a civilizar o povo. Para o homem superior, a única maneira de civilizar o povo e instituir bons costumes sociais é pela educação. Por isso os antigos soberanos consideravam a educação como o elemento mais importante em seus esforços por implantar a ordem no país. (Liji)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Mas isso tem tanto tempo...! E ainda assim, vivemos esse obscurantismo, essa ida e volta de uma demagogia que tanto ‘facilita’ o mundo por meio do engano, que transfere para o campo da esperança e da sorte o que é fruto da capacitação... Sem apoio do Estado, o que pode o sábio fazer? Onde os estúpidos comandam, quem se dispõe a ouvir a voz da razão? Quem não conhece o dever de educar, não deveria governar; no entanto, quando a ignorância se torna regra geral de uma sociedade, o peso de conter a insatisfação das pessoas é jogado nas costas do professor, no cassetete do policial e na arma do criminoso. Nos cabe aqui pensar o que um professor pode ou não fazer. Lubuwei, pensador do período pré-Qin, comentava sobre como um bom professor procede:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Ao ensinar seus alunos, um bom mestre faz com que estudem plenamente, sem outras preocupações, que se deleitem com o que estudam, que descansem e que tenham oportunidade de se divertir, que sejam sérios na hora de estudar e que sejam exigentes consigo mesmos. Se um aluno alcança esses seis requisitos no estudo, ele estará o caminho correto, e se afastará das coisas ruins. Mas como é normal nos seres humanos, eles [os alunos] não querem fazer nada que não lhes agrade; e fazendo algo de modo forçado e desagradável, não conseguem chegar a lugar algum. (Lubuwei, 291 -235)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Lubuwei já denunciava o paradoxo de uma sociedade que queria ser poderosa sem estudar. O resultado é conhecido: Qin reunificou a China por meio de uma violência tremenda, que apavorou por anos o povo. Suprimindo e combatendo a educação tradicional, Qin tentou reinventar o mundo destruindo o passado, mas não conseguiu. Afinal, os confucionistas estavam lá, para denunciarem o que estava errado, lutar pelas tradições, e mesmo morrerem em defesa das causas justas. No entanto, contavam com um povo cioso de seu passado, e cúmplice da vontade de mudar um regime totalitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo deixar, porém, de fazer paralelos com nossa sociedade atual: em que estado de coisas estamos em que a pasmaceira do pensamento aguarda a próxima crise, como se estivéssemos sujeitos aos ‘acidentes do destino’? Que visão cultural é essa que mercantiliza a educação, pilar da formação social e intelectual das pessoas? Como o Estado abre universidades deixando de lado o compromisso com a educação básica? Como se pode discutir assuntos profundos num mundo regido pela superficialidade? Quando propostas absurdas e incoerentes se transformam em medida corrente, é porque as pessoas se abandonam a incerteza, e negociam com a corrupção a sobrevida de seus propósitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o historiador Arnold Toynbee (1889 +1975) que afirmou, em seu &lt;i&gt;Estudo da História&lt;/i&gt;, que as civilizações não são destruídas, mas se suicidam antes. Quando elas não são capazes de vencer os desafios que se lhe impõe, elas decaem até exaurir suas forças e ceder a pressão da crise. Eu poderia contestar várias coisas na obra de Toynbee, mas concordo com ele nesse ponto; não é a demagogia que manterá unida qualquer civilização, se essa não estiver preparada para responder aos desafios que virão. E a preparação só existe com a educação. Essa foi a opção milenar chinesa; essa deveria ser a nossa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-875138898092856693?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/875138898092856693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/09/uma-mensagem-desgastada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/875138898092856693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/875138898092856693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/09/uma-mensagem-desgastada.html' title='Uma mensagem desgastada?'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-5400028371501823750</id><published>2011-08-17T15:05:00.000-07:00</published><updated>2011-08-17T17:43:44.276-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>A angústia da inteligência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;A benevolência e a moral, sem a inteligência, seriam um amor universal sem distinção entre os bons e os maus; a inteligência sozinha, sem a benevolência e a moral, seria algo inútil e perigoso. Do que se conclui que a benevolência e a moral servem para cultivar o amor a humanidade, e a inteligência, para distinguir os bons dos maus.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dong Zhongshu&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Às vezes nos assustamos com a ‘inteligência do mal’, e das artimanhas que as pessoas ignorantes empregam para atingir um fim. Seus sucessos implicam, muitas vezes, na descrença generalizada nas atitudes corretas. Contudo, o mundo se assenta, justamente, nas atitudes corretas. Observem as pessoas na rua: apesar da plêiade de pequenos defeitos que podem se encontrar ali, a massa, mesmo em seu desconhecimento, é na maioria honesta e trabalhadora. Uma sociedade que visa o mal se auto-destrói, seja pelos conflitos que provoca em si ou com os outros. Mal orientado, um povo pode ser levado a arrasar-se em conflitos dilacerantes, mas o ser humano busca, ao fim, a estabilidade da paz. Nesse ponto concordo com Mêncio: uma humanidade que não seja, em essência, boa, não pode criar leis para manter-se a si mesma em harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não implica, porém, no desconhecimento das noções de apropriado e inapropriado. O atributo da inteligência é justamente esse; a distinção das coisas, e o conhecimento de suas raízes. Não existe alguém absolutamente inteligente que seja mau, posto que a inteligência traz o esclarecimento; assim sendo, se encontramos alguém que se compraz no inapropriado, devemos duvidar de sua suposta sabedoria. A verdadeira inteligência consiste no estabelecimento das relações que trazem a harmonia; logo, pregar ou promover a desarmonia irresponsável é sintoma de pouco esclarecimento, por mais sutis que pareçam os discursos dos maus.&lt;br /&gt;O oportunismo, as relações de ocasião, os interesses voláteis, a fraqueza de caráter, a estreiteza de pensamento, o obscurantismo, tudo isso pode se autodenominar de ‘inteligência’, mas não é, posto que não traz consigo a benevolência e a moral. Para o obtuso, benevolência e moral são apenas modalidades de amor a humanidade que servem de meio para a realização de objetivos pessoais. Nessa fugacidade, a ambição destrói a vida das pessoas, e lança a sociedade ao descalabro; mesmo um parasita sabe que não pode matar seu hospedeiro, mas os maus humanos não contemplam mesmo o prolongamento de sua vida, atendo-se a um imediatismo incompreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eis as razões pelas quais as pessoas não são mais educadas hoje do modo que deveriam ser: pois o estímulo a inteligência iria contra a prática do mal. Benevolência e moral não seriam capas para o populismo, mas valores reais numa sociedade humanista. Mas, como disse Liushao:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A benevolência é a base da moral; a justiça, sua essência; os costumes, sua expressão exterior; a fidelidade, sua fonte; a inteligência, seu guia. A inteligência nasce da clara compreensão das coisas. Para ver com claridade as coisas, o homem tem que contar com a luz do sol ao longo do dia e com as velas a noite. Se a luz for intensa, ele pode enxergar longe. Mas são muito poucos, no entanto, que enxergam tão longe...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-5400028371501823750?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/5400028371501823750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/08/angustia-da-inteligencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/5400028371501823750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/5400028371501823750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/08/angustia-da-inteligencia.html' title='A angústia da inteligência'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-7976341621194339103</id><published>2011-07-12T10:19:00.001-07:00</published><updated>2011-07-13T04:06:08.674-07:00</updated><title type='text'>Futuras Políticas Públicas de Educação</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-sX3wOxoQUlc/ThyEQA_4zSI/AAAAAAAABDw/QWI0X4jcCPc/s1600/pessoas-maledicentes.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 364px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-sX3wOxoQUlc/ThyEQA_4zSI/AAAAAAAABDw/QWI0X4jcCPc/s400/pessoas-maledicentes.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628519044987014434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Organograma da Estrutura Acadêmica&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-s9mSdp-dBtQ/ThyEP4rfisI/AAAAAAAABDo/MW-UbaeacHU/s1600/se_fudeu.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 397px; height: 235px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-s9mSdp-dBtQ/ThyEP4rfisI/AAAAAAAABDo/MW-UbaeacHU/s400/se_fudeu.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628519042753989314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); "&gt;&lt;u&gt;O Papel da Educação&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); "&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-9RY62wBH7nI/ThyEPhH-THI/AAAAAAAABDg/spWqmlRLnLU/s1600/thinkers_cartoon2.bmp" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 295px; height: 321px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-9RY62wBH7nI/ThyEPhH-THI/AAAAAAAABDg/spWqmlRLnLU/s400/thinkers_cartoon2.bmp" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628519036430994546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Expedientes Motivacionais&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Wvr0fd6kWuw/ThyEPnsaVII/AAAAAAAABDY/iFwbhRKG_0Q/s1600/tecla-do-fudeu.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; 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(comentário de um aluno)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uo9Q455kkHw/ThyDggqtTdI/AAAAAAAABDA/SPiwQEBB70M/s1600/beer-bottles-decisions.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 317px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-uo9Q455kkHw/ThyDggqtTdI/AAAAAAAABDA/SPiwQEBB70M/s400/beer-bottles-decisions.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628518228854394322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Biblioteca&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-rCACA2t2aDk/ThyDgD9XllI/AAAAAAAABCw/O8D3WVtfiD8/s400/typewriter%2Bmonkey%2B1.jpg" style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628518221148034642" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Aluno-modelo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-B5a7oHUHK1Q/ThyDgIkYiiI/AAAAAAAABCo/MWzxedWW76Y/s400/aluna_gostosa.jpg" style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 205px; height: 382px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628518222385416738" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Aluna-modelo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-jl_WvupMryo/ThyDgSvni4I/AAAAAAAABC4/SGUtavx8D0I/s400/tn_627_600_chimpanze_1_1411.jpg" style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 244px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628518225116892034" /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Discussão acadêmica entre professor e aluno&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-LW9Py3NeTEE/ThyDH5HxwLI/AAAAAAAABCg/TKw3qLvqb8c/s1600/Copi%2BCola.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 99px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-LW9Py3NeTEE/ThyDH5HxwLI/AAAAAAAABCg/TKw3qLvqb8c/s400/Copi%2BCola.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628517805922042034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;Metodologia do Trabalho científico&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-rh8P3MxTlFo/ThyDHW8kAXI/AAAAAAAABCQ/HP1XNmAVM0w/s400/analfa2.JPG" style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 363px; height: 400px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628517796748198258" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Trabalho acadêmico - poster&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-bu9QSd750hI/ThyDHl7xqwI/AAAAAAAABCY/oSCf5mXuOC8/s1600/GELO.png" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-bu9QSd750hI/ThyDHl7xqwI/AAAAAAAABCY/oSCf5mXuOC8/s400/GELO.png" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628517800771431170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;Pesquisa Científica feita por bolsista&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--GcksTIkHfY/ThyDHJ_KmDI/AAAAAAAABCI/vejNTMqLfXY/s1600/agora%2Bfudeu.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 301px;" src="http://1.bp.blogspot.com/--GcksTIkHfY/ThyDHJ_KmDI/AAAAAAAABCI/vejNTMqLfXY/s400/agora%2Bfudeu.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628517793269454898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;Mercado de trabalho para os futuros formandos&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-sPe5rm4srxU/ThyDG4UvE_I/AAAAAAAABCA/DZLwuDkXrmU/s1600/100_fudeu6.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 298px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-sPe5rm4srxU/ThyDG4UvE_I/AAAAAAAABCA/DZLwuDkXrmU/s400/100_fudeu6.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628517788528088050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;Resultados esperados&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-7976341621194339103?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/7976341621194339103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/07/futuras-politicas-publicas-de-educacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7976341621194339103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7976341621194339103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/07/futuras-politicas-publicas-de-educacao.html' title='Futuras Políticas Públicas de Educação'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-sX3wOxoQUlc/ThyEQA_4zSI/AAAAAAAABDw/QWI0X4jcCPc/s72-c/pessoas-maledicentes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-8931118082844526158</id><published>2011-07-07T13:56:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.840-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>As conversas fiadas de Slavoj Zizek</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fambDf3nBoM/TgaTiPbHHrI/AAAAAAAABAs/LuWyuUtSWyc/s1600/poster.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-fambDf3nBoM/TgaTiPbHHrI/AAAAAAAABAs/LuWyuUtSWyc/s400/poster.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622343401283722930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há um tempo atrás, me interessei pelas considerações de Slavoj Zizek pela ideologia, o que me motivou a escrever, inclusive, um &lt;a href="http://orientalismo.blogspot.com/2010/08/o-que-e-ideologia.html"&gt;texto sobre o assunto&lt;/a&gt;. Zizek parecia corajoso, e defendia algumas questões que eu particularmente acho válidas – por exemplo, de que hoje precisamos de atitudes (no sentido de uma postura moral e humana) para atuar no mundo – sem o que, seremos sempre meros marionetes das ideologias. Sim, concordo, falta atitude ao povo em geral, dissolvido nessa modernidade líquida proposta por Bauman. Zizek também fez uma curiosa análise do livro de Maozedong (&lt;i&gt;Sobre a prática e a contradição&lt;/i&gt;), que oscilava entre o original, o perigoso e o temerário – além do cheiro de coisa podre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas o tempo, a idade, a experiência ou mesmo algumas leituras a mais nos proporcionam uma certa cautela com essas coisas ‘novas’. Nada contra o novo, ao contrário; mas é sempre aconselhável examinar as coisas antes de tomá-las como a ‘mais nova teoria do momento’, como muitos pretendem que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi aí que Zizek lançou o seu ‘&lt;i&gt;Em defesa das causas perdidas&lt;/i&gt;’, que apela para o lado revolucionário que a ‘atitude’, como indicado antes, precisa ter para mudar o mundo. Foi aí que consolidei uma imagem dele que, particularmente, não me foi nada agradável. Ele afirma que precisamos de radicalismo nas atitudes, dizendo que autores como Heidegger, por exemplo, tiveram a atitude certa, mas enveredaram pelo caminho errado. Acho isso muito assustador; é o tipo de ressalva que se usa para justificar atitudes terríveis como fruto de um ‘contexto histórico’. Não imagino de que maneira posso justificar as vítimas de holocaustos humanos que sua perseguição é resultado de um ‘momento histórico’. Desde o mundo antigo, os massacres são abominados como excessos, depois como maldade, por fim como alguma forma de desvio comportamental. Seja lá como for, não há que se perdoar a atitude de pessoas que, em nome das utopias, massacram outros milhares. Zizek afirma que não é ‘bem assim’, mas a questão é que o precedente abre as portas para o erro. Atitudes de derrubar um poder opressor são válidas; mas estabelecer outro no lugar, são tão ruins quanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que Zizek propõe uma teoria intrigante para os dias de hoje, que resumirei aqui dentro do meu ponto de vista: juntar a ideologia marxista com a psicanálise. Traduzindo a grosso modo, acho que Zizek espera que retornemos (ou ingressemos) em algum tipo de comunismo em que as pessoas visarão o bem estar comum – e quando seus desvios comportamentais se fizerem presentes, impedindo-os de serem pessoas solidárias, participativas, honestas, etc., ao invés de serem expurgadas pelo regime, elas irão para um divã, onde se tratarão de modo adequado pelos princípios lacanianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso parece bacana, ainda mais que existem milhares de marxistas, psicanalistas e psicólogos sem emprego nos dias de hoje. A psicanálise tem sofrido um impacto tremendo da filosofia da mente e da neurofisiologia, que tem destruído alguns de seus conceitos básicos. Quanto ao marxismo, ele capenga em esperanças ideológicas vãs, pregadas por regimes autoritários e/ou assistencialistas que defendem o seu ‘retorno’ no mundo ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso ocorre porque esses grupos, no caso, estão desamparados. Eles precisam de trabalho, precisam de um Estado que vele por eles, precisam mesmo de um senhor que os proteja da ‘perversidade do mercado’. Ultimamente, muitos representantes de ambos os grupos estão acompanhando a derrocada de suas teorias ateístas para o ressurgimento de grupos religiosos fundamentalistas, cujo discurso simples é muito mais fácil de apreender do que as sutilezas do marxismo ou da ciência psi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse caso, Zizek teve mesmo que excluir a China, que para ele é uma forma de ‘capitalismo autoritário’. Pode ser. Mas a questão é que a China é o ‘anti-modelo’ dele porque prova que o socialismo marxista foi uma furada em todos os cantos do mundo. Ele serviu para equilibrar as relações de trabalho e de poder no mundo durante décadas, mas findou-se. Os chineses perceberam isso bem antes, e seus sistema político e econômico, acompanhado de boas doses de pragmatismo, soube superar as dificuldades dessa transição que se dá do socialismo ao pósconfucionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo Zizek, vindo da Eslovênia, se pauta em um marxismo que não volta mais, um saudosismo dos tempos da Iugoslávia (embora ele não diga isso), quando seu ‘país’ estava unido, em paz, pela mão perturbadora e tirânica de Tito. O socialismo não conseguiu implantar a utopia da união solidária dos povos; ao contrário, é justamente na Iugoslávia que aconteceram os últimos genocídios europeus depois da 2ª guerra mundial. Que socialismo ele quer, pois? Qual modelo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entendo que esse marxismo que ele propõe seria, então, uma espécie de ‘novo marxismo’, supondo então que o outro ‘nunca aconteceu de fato’?  Se assim o for, ele estará usando a psicanálise para completar algo que existiu ou algo que nunca existiu? No 1º caso, a coisa faria até sentido, apesar dos riscos (afinal, foi a revolução que se desvirtuou); no 2º caso, não faria sentido algum – exceto, claro, teoricamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Zizek tem algo a seu favor: os regimes de esquerda da América Latina. Os intelectuais marxistas latinoamericanos ficaram abandonados com o fim do socialismo soviético e com a decadência cubana. Mesmo a Venezuela, que inventou o bolivarianismo, vende petróleo para o seu principal inimigo, os EUA. No entanto, algo precisava justificar essa nova onda esquerdista na América Latina; e Zizek é o autor &lt;i&gt;Europeu&lt;/i&gt; que ratifica todas essas crenças em um novo socialismo latino. Sim, é isso mesmo que afirmo: nossos intelectuais precisavam dele para embasar suas crenças em sistemas e teorias caquéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intelectualidade latinoamericana se guia por autores importados, e nisso não vejo grandes problemas (se importamos tecnologias, alimentos, produtos, etc., porque não idéias?). Eu mesmo defendo uma teoria chinesa; contudo, nossos ‘sábios’ e ‘acadêmicos’ não se pautam em um ‘indiano, africano ou asiático’ quaisquer. Em seu complexo de dependência, a revisão marxista &lt;i&gt;tem que ser feita por um Europeu&lt;/i&gt;, que viveu um regime marxista e que, a partir disso, retirou suas experiências para embasar seu novo socialismo. É um argumento de autoridade cultural; mas como nosso país, por exemplo, pode se firmar e conquistar uma posição de autonomia internacional se depende, ainda, de um profeta de teorias falidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda por cima, Zizek age de uma forma que poderíamos considerar hipócrita, quando defende um marxismo no qual ele mesmo não acredita. Como ele categoricamente afirmou numa entrevista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;O comunismo vai vencer, como o senhor disse ao jornal inglês “The Guardian”?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ZIZEK: Ah, isso é uma provocação. Quis dizer: o comunismo vai vencer ou então estaremos todos na merda. Você tem que dizer algo assim de vez em quando para fazer as pessoas pensarem. Ainda sou um comunista, mas não um continuísta. O século XX acabou. O resultado geral do comunismo foi um fiasco. A social-democracia foi boa enquanto funcionou, mas está hoje em crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;a href="http://slavoj-zizek.blogspot.com/2011/06/slavoj-zizek-e-novidade-do-comunismo.html"&gt;http://slavoj-zizek.blogspot.com/2011/06/slavoj-zizek-e-novidade-do-comunismo.html&lt;/a&gt; acessado no dia 25/06/2011&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Que tipo de comunista ele é, enfim? Do tipo que se ‘adequa a realidade, e muda com ela?’. É uma forma de radicalismo estranho, que ao mesmo tempo se propõe defender causas humanitárias? Na mesma entrevista, ele afirma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Detesto os marxistas que dizem: “Stalin traiu o verdadeiro espírito do marxismo”. Não, não se pode permitir que isso seja dito. Se as coisas deram tão terrivelmente errado com Stalin, isso significa que havia uma falha estrutural no próprio edifício de Marx. Não acredito nessa baboseira do tipo “a ideia era boa mas infelizmente foi mal realizada”.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Por analogia, Heidegger estaria certo se fosse comunista, apoiando os gulag’s? E ainda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;O senhor no entanto sugere em seu livro que as revoluções são violentas apenas quando não são de fato revolucionárias. Ou seja: quanto mais revolucionária for uma revolução, menos violenta ela será num sentido estrito. Poderia falar sobre isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;ZIZEK: Escrevi num outro livro algo que me deu muitos problemas: eu disse, “o problema de Hitler é que ele não foi violento o bastante”. E as pessoas ficaram “aaai, você queria que ele tivesse matado todos os judeus?!” Não! Ele não foi violento o bastante nesse sentido autêntico, revolucionário, em que a violência significa transformação das relações sociais, e não tortura ou assassinato. Hitler matou milhões de judeus em nome da manutenção do sistema. O que estou dizendo é que não quero dar a Hitler sequer esse crédito, na linha “ele foi um criminoso, mas era um líder corajoso”. Não, ele não era. Nesse sentido, Mahatma Gandhi foi mais violento do que Hitler. Gandhi é sem dúvida um modelo de paz, mas nesse sentido básico ele foi violento, organizou protestos de massa com o objetivo de impedir o funcionamento do Estado colonial inglês na Índia. Isso é algo que Hitler nunca ousou fazer.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Há violência sem violação de corpos ou mentes? Isso me parece uma armadilha retórica para diferenciar as violências, justificando o Stalinismo, mas negando o nazismo, por exemplo (e exonerando Heidegger de seus crimes morais e intelectuais, o que torna sua teoria algo extremamente necessitado de uma boa consulta psicanalítica). Aliás, acho que ele devia ter lido Gandhi para compreender o que seja de ‘política da NÃO VIOLÊNCIA’, entendida dentro do movimento Satyagraha (‘firmeza na verdade’).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que a teoria de Zizek releva, por outro lado, o surgimento de estados autoritários que se afirmem de ‘esquerda’, cujo monopólio da violência se diz necessário em função do ‘controle social’ e do ‘bem-estar’ público. Zizek me parece mais um escandaloso, como escrevi no texto &lt;a href="http://dedelopolis.blogspot.com/2010/09/busca-do-antigo.html"&gt;&lt;i&gt;A busca do antigo&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os escandalosos são os que criticam a Cultura abertamente, nela querendo se destacar, mas sem necessariamente atingir algum bem. Eles são de dois tipos: os que denunciam erros alheios, mesmo os menos importantes, para disfarçar suas incapacidades; o outro tipo é daqueles que cometem atos escandalosos para atrair a atenção, querendo assim respeito e admiração, mas para imporem sua vontade abertamente. Eles são danosos a Cultura, pois instituem a desobediência e o desregramento desprovido de razão.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Seus escândalos têm atraído uma legião de fãs, que desprovidos de senso crítico, adoram propostas e idéias de ‘força’. E força contra quem? Contra o capitalismo autoritário, que ele quer substituir pelo...comunismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso que considero as teorias de Zizek um conjunto de conversas fiadas. Aliás, ‘fiado’ é um bom termo para o caso: é algo que se leva hoje e se paga amanhã... Perigosas que são, suas teorias hão de justificar os desatinos de muitos esquerdistas em busca do poder; mas depois, inevitavelmente, elas cobrarão seu preço social e econômico, quando o excessos se revelarão através da frágil e superficial capa de bonança que esses regimes impõem. É um fiado que sairá caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caminhos são muitos; mas alguns são desastrosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A observação da história segue, igualmente, o princípio do yin e do yang. Ao vivermos numa época boa, olhamos para o passado como algo ruim e atrasado; quando vivemos uma época de desordem, enxergamos o passado como uma época boa. O sábio enxerga as épocas como elas são, por meio de seus princípios. Por esta razão Confúcio sabia que vivia numa época de desordem, e seu discurso se dirige a reconstrução da ordem e da harmonia. Ele não invoca o passado par dar exemplos; ele clama pelos exemplos do passado, que são manifestações dos princípios, para ilustrar as atitudes corretas e a compreensão correta das coisas. Já os tolos se guiam pelas aparências, acreditando no que um tempo lhe diz, e criam suas impressões sobre o passado sem qualquer fundamento. (&lt;a href="http://pavilhaodosancestrais.blogspot.com/2009/08/tratado-sobre-o-espirito-da-historia.html"&gt;Tratado sobre o Espírito da História&lt;/a&gt;)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-8931118082844526158?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/8931118082844526158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/07/as-conversas-fiadas-de-slavoj-zizek.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/8931118082844526158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/8931118082844526158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/07/as-conversas-fiadas-de-slavoj-zizek.html' title='As conversas fiadas de Slavoj Zizek'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fambDf3nBoM/TgaTiPbHHrI/AAAAAAAABAs/LuWyuUtSWyc/s72-c/poster.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-77798011235182897</id><published>2011-07-07T13:54:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T13:56:16.688-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Imagens poéticas da vida chinesa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Me7uBD2MM7o/Tg6IquRMvZI/AAAAAAAABBI/UKXN0ae9i6k/s1600/bamboo_grove_fs.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 343px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Me7uBD2MM7o/Tg6IquRMvZI/AAAAAAAABBI/UKXN0ae9i6k/s400/bamboo_grove_fs.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5624583252188380562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Esses são alguns poemas que selecionei, quando fazia minhas traduções, pensando em como eles expressavam o cotidiano chinês. Estão aqui, para apreciação, mostrando um pouco da vida tradicional dessa sociedade.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;ÓRFÃOS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Na vida de um órfão&lt;br /&gt;em sua vida inteira&lt;br /&gt;só ha sofrimento&lt;br /&gt;quando estava com seu pais&lt;br /&gt;andava numa carruagem&lt;br /&gt;de quatro cavalos&lt;br /&gt;meus pais morreram&lt;br /&gt;e agora, minha cunhada me manda&lt;br /&gt;ser mercador&lt;br /&gt;vou ao sul, até jiujiang&lt;br /&gt;vou ao leste, a qi e lu&lt;br /&gt;só regresso no inverno&lt;br /&gt;sem atrever-me a queixar&lt;br /&gt;a cabeça cheia de piolhos&lt;br /&gt;o rosto cheio de pó&lt;br /&gt;meu irmão me ordena fazer comida&lt;br /&gt;minha cunhada me ordena cuidar dos cavalos&lt;br /&gt;vou, pois, a cozinha&lt;br /&gt;e logo já estou na estrebaria&lt;br /&gt;com lagrimas de órfão caindo como chuva&lt;br /&gt;de manha, me enviam pelas águas&lt;br /&gt;e só volto ao anoitecer&lt;br /&gt;com as mãos gretadas&lt;br /&gt;e os pés sem sapatos&lt;br /&gt;andando pesaroso pelas estradas&lt;br /&gt;pisando nos espinhos&lt;br /&gt;ao arrancá-los a carne sai junta&lt;br /&gt;e minha tristeza não tem fim&lt;br /&gt;as lágrimas caem sem cessar&lt;br /&gt;uma atrás da outra&lt;br /&gt;no inverno não tenho abrigo&lt;br /&gt;no verão não tenho uma túnica&lt;br /&gt;para viver assim&lt;br /&gt;seria melhor morrer&lt;br /&gt;chegar, abaixo da terra, nas fontes amarelas&lt;br /&gt;na primavera o vento agita&lt;br /&gt;os tenros botões das ervas&lt;br /&gt;no terceiro mês, folhas para os bichos da seda&lt;br /&gt;ao sexto mês, colher os melões&lt;br /&gt;empunho o carrinho de mão&lt;br /&gt;e os levo de volta para casa&lt;br /&gt;vez o outra volto ao meloneiro&lt;br /&gt;poucos me ajudam&lt;br /&gt;muitos comem os melões&lt;br /&gt;só me restam as sobras&lt;br /&gt;meu irmão e cunhada se enfadam&lt;br /&gt;volto depressa ao trabalho&lt;br /&gt;mesmo assim, eles me criticam&lt;br /&gt;em casa gritam comigo sempre&lt;br /&gt;quisera eu enviasse uma carta&lt;br /&gt;aos meus pais, embaixo da terra&lt;br /&gt;dizendo como é duro viver&lt;br /&gt;com meu irmão e cunhada&lt;br /&gt;(poema popular)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;VISITA A UM POVOADO ARRASADO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os galos brigavam furiosos&lt;br /&gt;quando interrompi sua luta&lt;br /&gt;eles fugiram espantados para o bosque&lt;br /&gt;só então me ouviram chamar&lt;br /&gt;saíram três ou quatro velhos&lt;br /&gt;perguntando se eu vinha de longe&lt;br /&gt;cada um tinha uma jarra de vinho&lt;br /&gt;logo os bebi, rapidamente&lt;br /&gt;se desculparam pelo vinho pobre&lt;br /&gt;não havia nada para acompanhar&lt;br /&gt;os ladrões e os soldados não lhes davam descanso&lt;br /&gt;e os jovens haviam ido para a guerra&lt;br /&gt;os velhos me pediram para cantar&lt;br /&gt;lhes custou reprimir as emoções&lt;br /&gt;acabando o canto, olharam para o céu&lt;br /&gt;suspiraram, e choraram todos&lt;br /&gt;(Dufu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;UMA MULHER POBRE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quem pensa que um homem pobre&lt;br /&gt;tem em casa uma mulher se queixando?&lt;br /&gt;Escutando o que ela diz,&lt;br /&gt;poderia não ficar aflito?&lt;br /&gt;Lamenta pelo filho, em seu regato&lt;br /&gt;vive pior que um cervinho da montanha&lt;br /&gt;pensa que ante sua casa&lt;br /&gt;logo virá o coletor de impostos&lt;br /&gt;sai a olhar os pântanos e montes&lt;br /&gt;e voltando, seu coração está confuso&lt;br /&gt;quando veremos o grande oficial?&lt;br /&gt;chorarei de joelhos diante dele.&lt;br /&gt;(Yuanjie)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;LABUTAS DE UM HUMILDE LENHADOR&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Recolho lenha na montanha, busco arbustos secos&lt;br /&gt;o bosque profundo tem lenha, mas é difícil alcançar&lt;br /&gt;no outono, a queimar a erva, a relva ardeu&lt;br /&gt;os ramos estavam secos, recolho o que posso levar&lt;br /&gt;ressoam os machados nas profundezas do vale&lt;br /&gt;ato a lenha com uma tira de pano verde&lt;br /&gt;o sol está a oeste, espero meu companheiro para irmos juntos&lt;br /&gt;com os ramos nas costas, caminho vergado pelo peso&lt;br /&gt;sabemos que no caminho há guaridas de tigres&lt;br /&gt;não nos atrevemos a descansar antes de sair do bosque&lt;br /&gt;a oeste do povoado, os campos escurecem, passam raposas e lebres&lt;br /&gt;as crianças chamam, o eco responde&lt;br /&gt;o lenhador não recolhe madeira de pino ou de cipreste&lt;br /&gt;seus ramos são retos e resistentes&lt;br /&gt;não são para queimar, mas para fazer cabanas&lt;br /&gt;(Zhangji)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O VELHO CAMPONÊS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A pobre família do velho camponês vive na montanha&lt;br /&gt;cultiva três ou quatro clareiras no meio do mato&lt;br /&gt;a colheita é escassa, os impostos altos, não se tem o que comer&lt;br /&gt;o trigo se amontoa como terra nos silos oficiais&lt;br /&gt;ao final do ano, só restam a enxada e o arado na casa vazia&lt;br /&gt;ele manda seus filhos colherem bolotas na floresta&lt;br /&gt;no rio, os mercadores levam perolas&lt;br /&gt;e em seus barcos, os cães comem carne&lt;br /&gt;(Zhangji)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;AS MULHERES LAVRADORAS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A andorinha volta ao ninho, os brotos de bambu crescem&lt;br /&gt;de que casa são estas jovens que estão trabalhando?&lt;br /&gt;sem homem, sem boi, sem mesmo um arado&lt;br /&gt;com uma faca revolvem a terra para ará-la&lt;br /&gt;dizem que sua família é pobre, e sua mãe é velha&lt;br /&gt;seu irmão maior foi para a guerra sem se casar&lt;br /&gt;no ano passado, a epidemia devastou seu estábulo&lt;br /&gt;levaram tecido ao mercado para comprar uma faca&lt;br /&gt;com seus panos ocultam o rosto para que&lt;br /&gt;ninguém as reconheça&lt;br /&gt;com uma faca fazem o trabalho de um boi,&lt;br /&gt;quem as igualaria?&lt;br /&gt;as duas irmãs se ajudam, cheias de pesar&lt;br /&gt;não vêem gente no caminho, só terra&lt;br /&gt;trabalhando o campo, evitarão machucar os brotos&lt;br /&gt;cavam veios, formam lomos e esperam a chuva chegar&lt;br /&gt;quando o sol brilha sobre a serra do sul, voltam para casa para comer&lt;br /&gt;a cada passo, faisões voam, espantados&lt;br /&gt;na casa dos vizinhos a oração já passou&lt;br /&gt;ambas choram o último aroma, e as lágrimas empapam seus vestidos&lt;br /&gt;(Daishulun)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O PESCADOR&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O pescador fez uma boa pesca&lt;br /&gt;e está vendendo junto ao rio&lt;br /&gt;o barco está amarrado junto a entrada&lt;br /&gt;uma anciã sai, e chama as galinhas e os cães&lt;br /&gt;recolhe a roupa estendida sobre o telhado das cabanas&lt;br /&gt;em troca de sua pesca, ele conseguiu dinheiro e vinho&lt;br /&gt;regressa bêbado e cai dormindo no chão&lt;br /&gt;uma criança importuna pedindo arroz cozido&lt;br /&gt;e da neblina em meio as canas, uma gaivota alça vôo&lt;br /&gt;(Xuzhao)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O CANTO DO PASTOR&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os demais bois tem chifres tortos&lt;br /&gt;o meu tem rabo pelado&lt;br /&gt;levo uma flauta curta e uma grande....&lt;br /&gt;levo-os para as colinas do sul, nas serras do oeste&lt;br /&gt;o sol cai, os pastos estão longe, o boi caminha lento&lt;br /&gt;quando está cansado, quando tem fome, só eu sei&lt;br /&gt;se o boi se levanta, eu canto, se cai, me sento; a noite, na volta, me deito junto dele&lt;br /&gt;todo o ano cuido do meu boi, sem mais preocupações&lt;br /&gt;só temo ter que vende-lo para pagar os impostos&lt;br /&gt;(Gaoqi)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SABEDORIA POPULAR&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se uma só mulher deixa o tear&lt;br /&gt;três carecerão de roupa&lt;br /&gt;se um só homem deixa de lavrar&lt;br /&gt;oito bocas passarão fome&lt;br /&gt;quando o frio e a fome nos castigam&lt;br /&gt;quem pode descuidar do seu dever?&lt;br /&gt;que pede o coração do povo?&lt;br /&gt;ter sempre algum apoio&lt;br /&gt;não se deve esquecer essa regra nem por um instante&lt;br /&gt;e o sábio procura observá-la&lt;br /&gt;(Yangji)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;FOME&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;As amoreiras, nas colinas, são frondosas e verdes&lt;br /&gt;o trigo, ante a porta, está amarelinho&lt;br /&gt;as pessoas que encontro dizem que a colheita será abundante&lt;br /&gt;mas ainda não há onde pedir comida&lt;br /&gt;(Qianbochuan)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;INUNDAÇÃO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A inundação do quarto mês matou meu painço&lt;br /&gt;A inundação do quinto mês matou meu trigo&lt;br /&gt;são incontáveis as mortes no campo causadas pelo rio&lt;br /&gt;não basta que agora o painço está morto e o trigo está morto&lt;br /&gt;vem o coletor de impostos matar todos nós&lt;br /&gt;mil homens se agitam, saem decididos&lt;br /&gt;multidões de homens cercam os dois lados do caminho&lt;br /&gt;trepados nas árvores, armados de paus&lt;br /&gt;venham comigo matar os coletores&lt;br /&gt;(Qinshuyang)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;AS TRÊS CLASSES&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Antigamente os soldados eram camponeses&lt;br /&gt;os camponeses eram ricos, e os soldados poderosos&lt;br /&gt;antigamente os letrados eram camponeses&lt;br /&gt;e os camponeses eram honrados, e os letrados bondosos&lt;br /&gt;quando separaram as armas da agricultura&lt;br /&gt;nas casas não faltou grão&lt;br /&gt;quando se separaram as armas das letras&lt;br /&gt;os lavradores deixaram de ser instruídos&lt;br /&gt;é difícil ser soldado sem comer&lt;br /&gt;é difícil ser letrado faminto&lt;br /&gt;ao separá-los se prejudicaram os três&lt;br /&gt;reunindo-os, reinaria uma ordem uniforme&lt;br /&gt;queria assinalar aos que tem algum cargo&lt;br /&gt;que a paz e os distúrbios da sociedade&lt;br /&gt;dependem disso&lt;br /&gt;(Hanxia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O MASCATE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O mascate dorme vestido&lt;br /&gt;o céu do outono não quer clarear&lt;br /&gt;a luz da lua ainda entra pela cortina&lt;br /&gt;em seu retiro, donde escuta longe o rumor do rio&lt;br /&gt;seus projetos fracassaram, não tem roupa nem comida&lt;br /&gt;quando voltar terá que recorrer aos amigos&lt;br /&gt;sua velha esposa lhe escreveu carta atrás de carta&lt;br /&gt;ele apenas responde que ainda não pensa em voltar&lt;br /&gt;(Dufu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O VIAJANTE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, as andorinhas fizeram ninho em minha casa&lt;br /&gt;este ano, os arbustos florescem junto ao caminho&lt;br /&gt;viajo ano após ano, sem voltar para a minha casa&lt;br /&gt;como saber se minha família está viva?&lt;br /&gt;a poeirada dos cavalos tártaros se levanta encobrindo o céu&lt;br /&gt;em que terra o vento da primavera não evoca aqueles que estão longe?&lt;br /&gt;(Xunjue)&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-KmWXbq6TJcc/Tg6IqY_AMTI/AAAAAAAABBA/VhAJ3HWCwu8/s1600/01%255B1%255D.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 256px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-KmWXbq6TJcc/Tg6IqY_AMTI/AAAAAAAABBA/VhAJ3HWCwu8/s400/01%255B1%255D.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5624583246474916146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-77798011235182897?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/77798011235182897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/07/imagens-poeticas-da-vida-chinesa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/77798011235182897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/77798011235182897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/07/imagens-poeticas-da-vida-chinesa.html' title='Imagens poéticas da vida chinesa'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Me7uBD2MM7o/Tg6IquRMvZI/AAAAAAAABBI/UKXN0ae9i6k/s72-c/bamboo_grove_fs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-4348255300246153170</id><published>2011-06-29T22:50:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.840-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>Uma sociedade dominada por fantasmas de ocasião</title><content type='html'>O senso comum é um conjunto de fragmentos dos mais diversos tipos de saberes, que convivem juntos amarrados pelo laço organizado por uma cultura; embora eles não formem um todo coerente, obedecem a um tipo de lógica (dispersa e mal articulada) que justifica a existência de afirmações e proposições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mesmo senso comum é a referência pela qual podemos avaliar se uma sociedade desfruta de uma educação eficiente ou, se ela é dominada por fantasias e crendices de sentido vago. É quando examinamos algumas amostras dos discursos estabelecidos – do popular até as grandes políticas públicas – que percebemos, também, o nível da manipulação ideológica que se tenta exercer sobre a opinião pública (ou, senso comum).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso específico de nossa sociedade, posso entender que somos dominados por fantasmas de ocasião, criados por um sistema que propõe problemas fantásticos por motivos políticos. Hanah Arendt já tinha alertado em seu &lt;i&gt;Origens do Totalitarismo&lt;/i&gt; que um sistema autoritário fica incessantemente criando causas populares, e envolvendo a população em debates extenuantes, para desviar sua atenção de problemas mais prementes e ainda, criando a falsa imagem de um sistema ‘participativo’, em que todas as camadas da sociedade seriam chamadas a opinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não digo que o Brasil se tornou um país totalitário, mas alguns expedientes testados (e aprovados) em regimes fechados têm sido aplicados e bem sucedidos em formar uma opinião pública vazia de opinião e atitude. O enfraquecimento da educação é um deles, que se reproduz nesse senso comum carente de elementos discursivos que possam embasar opiniões sensatas ou ao menos, coerentes. O outro é o de conclamar o público para grandes ‘causas sociais’, e envolvê-lo em debates estéreis que jogam os grupos uns contra os outros, deixando que haja um fracionamento da opinião e de sua capacidade de reação frente aos verdadeiros erros governamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao examinarmos o conjunto de opiniões emitidas em nossa sociedade, vemos o quão despreparada ela está para estabelecer debates que sejam coerentes e respeitosos. Aliás, a própria palavra ‘discutir’ em português remete a conflito, briga, e não troca de idéias. Isso significa, de fato, que as discussões são inconclusivas pois não partem de elementos comuns, ou não buscam estabelecer uma comparação avaliativa entre os dados. No entanto, a constatação de serem inconclusivas é que leva a imposição de políticas públicas que são entendidas como ‘decisões’ em cima do debate, quando um olhar mais acurado nos permitirá perceber que quase nenhuma dessas decisões envolvia, realmente, a ‘opinião pública’. Assim sendo, o senso-comum é preparado para não ser capaz de reagir, mas de ter a ilusão que participa; muitas de suas conclusões são evidentemente equivocadas, mas é preciso que sejam - caso contrário, elas poderiam se opor, de modo organizado, à decisões equivocadas tomadas por interesses políticos a priori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que tipos de argumentos tão falíveis encontramos no senso comum? Poderíamos resumi-los dessa forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentos pseudo-científicos: são feitos a partir de leituras superficiais e incompletas de estudos científicos. Deve ser levar em conta que, inclusive, muitos dos dados levantados podem não ser de ciências propriamente ditas (como o caso da astrologia) ou ainda, podem ser completamente superados ou obsoletos –mas que são usados por conveniência da ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentos ético-históricos: quem já ouviu a famosa frase ‘então, quer dizer que tudo o que nos ensinaram é mentira?’ já testemunhou, por conseguinte, o que são os argumentos ético-históricos. Eles se baseiam em versões antigas, incompletas e equivocadas sobre o passado e sobre outras culturas.  No entanto, as pessoas não gostam (e nem querem) perceber e aceitar que muitos de seus conhecimentos, adquiridos ao longo de anos de estudo, foram superados por novas descobertas. Isso as remete ao tipo seguinte de argumentação;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentos de autoridade: são aqueles calcados em experiências pessoais, níveis hierárquicos ou tempo de vida, que se julgam capazes de se imporem como decisórios e ainda, de serem projetados para o restante da sociedade. O aspecto restritivo desse argumento é um foco de tremenda tensão, tendo em visto o impacto da modernidade na evolução científica, que se reflete na obsolescência das opiniões pessoais ou ainda, se as vivências íntimas podem ou não ser referencial de conhecimento para os outros. Há outro problema: o quanto a experiência em um campo profissional contribui num determinado debate (pois contribui: a questão é saber em que nível ele será decisório ou não).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentos teológicos: os argumentos de origem religiosa são bastante problemáticos, tendo em vista que partem de um referencial que não possui diálogo ou interatividade com outras religiões. Não se trata de discutir as crenças, mas do quanto elas embasam opiniões sobre questões sociais que extrapolam os limites da comunidade religiosa que vivencia certo culto e se projetam sobre toda a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anseio de um bom pensador é realizar a interdisciplinaridade, fazendo esses eixos dialogarem; mas a questão é que o senso comum, desconhecedor da maior parte das regras do debate científico, político ou mesmo de etiqueta, se impõe mutuamente uma troca de idéias no qual a tentativa de vencer o debate conta mais do que, propriamente, a sua eficácia ou a construção de um conhecimento válido. Nesse momento, o uso de sofismas (corroborados por evidências ‘científicas, pessoais ou intelectuais’ incomprováveis, cujo único referencial é o ‘eu penso que, eu li que’...) se torna uma regra generalizada, levando a total indecisão sobre problemas reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas observações todas têm por fim esclarecer que somos uma sociedade dominada por fantasmas de ocasião. Acredito que a opinião pública está longe de ser respeitada – não apenas por sua incapacidade de concatenar posturas e raciocínios lógicos na maioria dos casos – mas também porque, mesmo quando o faz, ela pode evidenciar problemas seríssimos na imposição de uma ideologia que se pretenda dominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso fica mais do que claro nos recentes ‘casos’ populares promovidos pelo governo. Vamos tentar examinar as coisas em conjunto. Comecemos pelo plebiscito sobre as armas, que redundou numa aprovação geral a manutenção do direito a possuir e portar armas – e que depois, o governo desrespeitou autocraticamente impondo leis restritivas ao uso das mesmas. As hipócritas leis contra o fumo perseguem e demonizam os fumantes; e as mesmas pessoas que agora são criadas para desmoralizar os fumantes podem, no entanto, se beneficiar do debate da liberalização da maconha. Não se trata de proibir tudo ou liberar tudo; mas o debate não é feito de modo claro, ou com consulta das partes. Ele é promovido sobre forma de uma campanha impositiva que visa transtornar a opinião pública, antes que a imposição dos discursos previamente definidos seja feita de modo à (aparentemente) ‘solucionar a questão’. Por essa razão, o plebiscito sobre as armas foi uma lição: não se deve consultar efetivamente o povo que ‘nada sabe’ sobre esse tipo de problema – até porque, são esses mesmos governantes que promovem a educação e má qualidade, e por isso mesmo, sabem que o povo ‘nada sabe’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o governo novamente lança a população em um novo conflito: a questão gay. Que se entenda; a união gay, a educação gay e os direitos gays devem ser debatidos a luz do direito e da cidadania, e não por meio de argumentos pseudo-científicos, éticos, experienciais e teológicos que não dialogam uns com os outros, mas apenas brigam entre si porque não tem nem origens e nem objetivos comuns. Alguns argumentam: e a questão dos negros? E a questão dos gordos? E a questão das drogas? Isso evidencia que o debate popular tenta escalonar, numa hierarquia, o que seria mais importante para ela mesma, quando não se percebe que TODOS esses assuntos são urgentes. Alguém ainda poderia argumentar: ‘enquanto isso, se passa fome não sei onde’, ‘enquanto isso se rouba não sei o que’... o que demonstra que não há um exame acurado dessas problemáticas. Tentar estabelecer uma pauta de prioridades sobre esses assuntos já é, de saída, cair no engodo que o discurso oficial cria; e enquanto se decide sobre o que é mais importante, TODOS os outros problemas são negligenciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, como todas as coisas têm seu aspecto yin e yang, as ‘causas populares’ tem também desdobramentos imprevistos para essa ideologia impositiva. Ela acaba estimulando o desejo do debate e da participação, que não pode ser evitado. O controle total sobre as políticas públicas acaba se vendo prejudicado pela reação dos diversos grupos sociais, que mesmo em conflito uns contra os outros, se propõem atuar de algum modo para que suas opiniões se vejam respeitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lamentável que essas causas sejam escolhidas propositalmente para perturbar e gerar conflito, e não o debate. No final, os direitos adquiridos não passam da forma da lei, mas criam (ou reforçam) aversões e preconceitos sociais. Isso não implica que essas causas populares devam ser levantadas: ELAS PRECISAM SER, E DEVEM SER levantadas. Mas onde estão os fóruns de debate? Onde estão os plebiscitos?  Onde está a democracia? Por que esses projetos já vêm prontos? Quem os construiu? Quem eram os especialistas? E por fim, por que não se ensina o povo a opinar , dando-lhe meios efetivos para debater, seja pela educação, seja pelo fornecimento de informações relativas a essas ‘causas sociais’, para que se possa realmente consolidar algo mais abrangente e efetivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem acha que manipula o povo pela ignorância se engana; ele fica volúvel, ao sabor de suas vontades e iniqüidades. Quando um povo está bem preparado, ele encara com maturidade suas questões fundamentais, e decide o que lhe parece mais apropriado, assumindo o ônus da prova. O principal, contudo, é que seus líderes são ainda mais respeitados por trazerem tais questões ao debate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem agora, por oportunismo, quer ganhar o voto dos gays ou dos ‘anti-gays’, vai ter que inventar outra polêmica daqui a algum tempo – essa é a dinâmica da política.  Contudo, minha preocupação com essa ideologia é de que ela crie tantos conflitos que não seja possível, um dia, administrá-los. Atualmente se misturam, nos diálogos públicos e políticos, preconceitos étnicos, sociais, religiosos... é lastimável que, no fundo, a política pense somente em legislar de modo oportunista, esquecendo que os humanos deveriam ser respeitados em sua autonomia e que esta, para ser devidamente construída, depende do preparo intelectual, sentimental e cidadão que só a educação consciente e sapiencial pode construir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opinião pública, pois, é governada por fantasmas de ocasião – ou seja, problemas que focam toda nossa percepção em apenas um ângulo das coisas, sem que tomemos consciência da dimensão social restante. Termino esse texto com um conto chinês do Soushenji, chamado ‘O homem que vendia fantasmas’, que ao meu ver, ilustra o que pode ser de nós se continuarmos a lidar com os fantasmas criados por essa ideologia política dos dias de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Quando Sung Tingpo, de Nanyang, era ainda rapaz estava passeando certa noite quando encontrou-se com uma fantasma. Perguntou à aparição quem era e ela respondeu que era um fantasma. - "Quem é você?" perguntou por sua vez o fantasma. Tingpo mentiu e respondeu - "Eu também sou um fantasma." O fantasma então quis saber para onde ele ia e Tingpo informou - "Estou a caminho para a cidade de Wanshih." - "Também vou para lá," afirmou a aparição. Assim puseram-se a caminhar juntos. Após uma milha, se tanto, o fantasma disse que era estupidez estarem andando ambos quando um podia carregar o outro, por turnos. - "ótima idéia," achou Tingpo. O fantasma pôs Tingpo às costas e depois de ter andado uma milha disse - "Você é pesado demais para um fantasma. Tem certeza de que é um fantasma mesmo?" Tingpo explicou que ainda era um fantasma novo e que, por conseguinte, ainda pesava um pouco. Tingpo, por sua vez, pôs-se a carregar o fantasma, mas esse era tão leve que tinha a impressão de não estar carregando nada. Assim foram caminhando, revezando-se, até que Tingpo perguntou ao companheiro qual era a coisa que metia mais medo aos fantasmas. - "Os fantasmas têm um medo horrível da saliva humana", afirmou o fantasma. Assim foram andando, andando até que chegaram a um rio. Tingpo deixou que o fantasma fosse adiante e observou que ele não fazia barulho algum ao nadar, mas quando ele entrou n’água, o fantasma ouviu o estalar na água e pediu-lhe uma explicação. Tingpo explicou novamente - "Não se surpreenda, pois ainda sou muito novo e não estou ainda acostumado a atravessar a correnteza." No momento em que se aproximavam da cidade, Tingpo começou a carregar o fantasma nas costas apertando-o fortemente. O fantasma pôs-se a gritar e a chorar lutando para apear-se, porém Tingpo o apertou com mais força ainda. Ao chegar às ruas da cidade, soltou-o e o fantasma se transformou num bode. Tingpo cuspiu no animal a fim de que não pudesse transformar-se outra vez, vendeu-o por mil e quinhentas moedas e foi para casa. Eis a razão do ditado de Shizong: "Tingpo vendeu um fantasma por mil e quinhentas moedas." &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com inteligência, superaremos os fantasmas: do contrário, acabaremos vendidos como bodes...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-4348255300246153170?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/4348255300246153170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/uma-sociedade-dominada-por-fantasmas-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4348255300246153170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4348255300246153170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/uma-sociedade-dominada-por-fantasmas-de.html' title='Uma sociedade dominada por fantasmas de ocasião'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-1426520754826609127</id><published>2011-06-24T09:43:00.002-07:00</published><updated>2011-06-24T12:00:48.339-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Do engano de si mesmo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;子曰：“不憤不啟，不悱不發，舉一隅不以三隅反，則不復也。&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O Mestre disse: "Esclareço apenas os entusiastas: oriento apenas os fervorosos. Depois de eu ter levantado um lado de uma questão, se o estudante não conseguir descobrir as outras três, não repito".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Lunyu (Conversas)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O que Confúcio defendia é: para quem não está interessado, o que se pode ensinar? Foi o que ele deixou bem claro quanto a Zaiyu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Zaiyu estava dormindo durante o dia. O Mestre disse: "Madeira estragada não pode ser entalhada; paredes de esterco não podem ser rebocadas. De que serve reclamar com ele?" (Conversas)&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mas a questão que levanto é outra: como saber que alguém não está, de fato, interessado? Aliás, se Confúcio tinha a capacidade de entender os “ângulos” de um problema – tal como ele exigia dos alunos – porque ele próprio acabou sendo enganado, perseguido e expulso das terras por onde passou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Há algo interessante ao analisarmos a questão proposta em Confúcio; se a tomarmos de um ponto de vista fanatizado, ou religioso, vamos ter que admitir que ‘o mestre não errava’, o que particularmente creio ser o pior dos erros possíveis. Acredito que as idéias de Confúcio são coerentes, e por isso acho válidas; contudo, dizer que o seu sistema é perfeito, e sua capacidade de análise é onisciente são dois enganos grotescos. O sistema de Confúcio é humano, e feito para eles; não propõe transcendências ou questões metafísicas – do que decorre que suas idéias têm um alcance limitado, mas não prometem também coisas impossíveis (embora às vezes possa parecer que a implantação da educação é algo do gênero...). Sendo humano, se destina aos humanos, e tem os mesmos como o centro de todos os problemas e soluções. De fato, todos os sistemas são humanos, mas alguns insistem em contar com forças ‘além do humano’ para concretizar-se, o que é um tanto problemático.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Este é o caso de Confúcio; ele podia ensinar o que sabia, mas o que estava além dele, ele não podia. Ele podia ensinar alguém a ser correto; mas a fazer as coisas erradas, isso é por conta do indivíduo. Ele passou sua vida toda tentando ensinar valores, virtudes e sabedoria; mas ele mesmo sabia que não podia alcançar tudo. Podemos ser ludibriados, como ocorreu com Confúcio em relação a Zaiyu ou Ranqiu; o mestre acreditou que poderia ajudá-los a modificarem a si mesmos, mas eles não quiseram. O que fazer então?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Alguém pouco inteligente poderia afirmar, por isso, que as teorias educativas ou a postura do velho chinês poderiam estar equivocadas, mas creio que não é assim, exatamente: a questão é que estaremos totalmente expostos, sempre, ao fracasso dos indivíduos em se auto-aprimorarem. O que podemos fazer, pois, é continuar tentando educar, e sempre da melhor maneira possível – ou, que da melhor maneira que pudermos. Sem derrotas para o pessimismo, mas se trata, no fundo, de se preparar as ‘puxadas de tapete’ que a vida dá. Quem quer que queira ser educador, tem que conviver com a questão que há alunos que não querem melhorar, crescer ou evoluir. Ponto final. Cada um tem seu tempo, e pode mudar ao longo de sua vida; alguns mudam de opinião, outros não, e o desejo de um educador é sempre ver suas propostas frutificarem, mas... quem disse que isso é dado ao nosso tempo de existência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Diante do universo, o tempo de uma vida é mais breve que um suspiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Faz parte da sanha dos educadores, por conseqüência, estarem preparados a todo o tipo de problemas – seja com alunos ou mesmo, com colegas de profissão. Não devemos pensar que a imaturidade ou o mau-caratismo são coisas restritas aos alunos, ao contrário; muitos dos que se propõem educadores continuam a ser, na verdade, os velhos enganadores de antigamente. Os sofistas, ao menos, eram autênticos. Milhares de pessoas que foram incompetentes para gerir um comércio rentável ou um banco resolveram ser ‘professores’ ou ‘educadores’, projetando o seu velho problema com dinheiro dentro das instituições de ensino. O oportunismo, infelizmente, é um problema crônico na história.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Por isso, como está no Tratado das Mutações, 26, ‘O homem superior se põe a par dos muitos ditos da antiguidade e dos fatos do passado, de modo a fortalecer assim seu caráter’. Ao olharmos para o passado, constataremos que já está tudo lá; os bons e os maus momentos, a luta constante pelo aprimoramento humano, os grandes exemplos, as derrotas e as vitórias, e a constatação invencível de que somente a educação pode realmente levantar a humanidade de seus piores momentos. Confúcio não podia saber que seria enganado, senão ele não seria. O que ele sabia, provavelmente, é que não havia como evitar uma conspiração por parte dos ignorantes; só há como escapar dela, ou quebrá-la, quando possível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mas isso exige paciência. Isso exige disponibilidade e força para suportar as situações mais calamitosas, saber se retirar quando oportuno, e voltar quando necessário. Há que esperar, muitas vezes, pela evolução dos outros para se possa empreender algo. Há que se preparar, inclusive, para ser melhor quando os outros precisarem, pois mesmo um educador deve se aprimorar constantemente. É o que está no Grande Estudo: ‘renova-te, renova-te, renova-te’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho que era a isso que Confúcio se referia. Temos que olhar os vários ângulos de uma questão para compreendê-la. Contudo, isso não significa que as pessoas irão concordar conosco. Aliás, muitas na verdade podem absolutamente discordar de uma proposta realmente educadora por não estarem nem um pouco interessados em educação. Elas não são capazes de compreender os outros lados porque não são capazes de vê-los, ou sequer imaginá-los.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O sábio pondera sobre as coisas, e decide o que é mais apropriado. Pode não dar certo sempre, mas é uma postura intelectual, que se traduz num modo de vida: a obstinação pelo melhor para a maioria. Mas essa é uma consideração tão complexa e profunda que escapa a muitos, e é ignorada por grande parte da multidão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-1426520754826609127?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/1426520754826609127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/do-engano-de-si-mesmo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1426520754826609127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1426520754826609127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/do-engano-de-si-mesmo.html' title='Do engano de si mesmo'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-1435401430912826514</id><published>2011-06-24T09:43:00.001-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.841-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>O vinho e a sabedoria</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-LJe8Z7L0wYM/Tf6cQ--QjkI/AAAAAAAABAE/nCFziYLdNP4/s1600/chinese-wine.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-LJe8Z7L0wYM/Tf6cQ--QjkI/AAAAAAAABAE/nCFziYLdNP4/s400/chinese-wine.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620101200600927810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tradicionais Botijas de Vinho Chinesas; nosso tema desse mês...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes de tudo, gostaria de dizer que não sou um apologista do errado, como pode parecer. Sei que já escrevei um texto defendendo o &lt;a href="http://orientalismo.blogspot.com/2008/06/cachimbo-e-sabedoria.html"&gt;cachimbo&lt;/a&gt;; e agora, venho falar da história do vinho entre os chineses. Mas sinceramente, está um inverno terrivelmente frio este ano, e aqueles que se recusam a tomar um cálice de vinho ou uma dose de conhaque vão ter que gastar muito mais dinheiro com aquecimento artificial. Não consigo conceber também uma noite romântica movida a chá, refrigerante ou café; eu adoro esses três, o primeiro&lt;i&gt; sem&lt;/i&gt; açúcar, os outros dois &lt;i&gt;apenas&lt;/i&gt; com açúcar; mas nossa cultura ainda não construiu um espaço amoroso para eles em seu imaginário. Ademais, tenho muito receio dos que são abstêmios totais. Aprendi na vida que, depois que essas pessoas que tentavam se controlar a si mesmas, tentavam depois controlar aos outros – e de modos desastrosos e violentos, no geral, tanto quanto os alcoólatras. No &lt;i&gt;livro das canções outonais&lt;/i&gt;, escrevi:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Homens duros que bebem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E ficam bons&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;São bons&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Homens bons que bebem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E ficam maus&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;São maus&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Homens que não bebem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não vão à festa dos ancestrais&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;São os piores de todos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;E até hoje não vi razão para mudar de opinião. Muitos anos atrás, quando eu era bem novo e cheio de boas intenções (mas imaturo para realizá-las), aprendi muito com um amigo médico que liderava expedições noturnas para distribuir comida e agasalhos entre os pobres e trabalhadores. Que se diga, a primeira coisa que descobri é que a maioria dos que dormiam na rua não eram mendigos, mas trabalhadores que moravam longe e economizavam o dinheiro das passagens. O preço disso era se acomodar, ao longo da semana, debaixo de marquises próximas aos seus trabalhos. Em noites quentes isso não era ‘tão complicado’ (se me permitem o eufemismo), mas as noites frias, a coisa ficava ainda mais difícil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Numa noite, presenciei dois deles tomando um gole de cachaça antes de dormir. Comecei (inocentemente) a repetir a mesma cantilena moralista irritante dos abstêmios de “olha só eles bebendo, que coisa, etc.”, quando o médico simplesmente me interrompeu e disse: “veja uma coisa: ele estão tomando um gole só, que esquenta o sangue, aquece a pele e enfrenta o frio da noite. A cachaça tem glicose, que alimenta quase como soro; e por fim, eles estão bebendo, mas não &lt;i&gt;estão&lt;/i&gt;, e &lt;i&gt;nem são&lt;/i&gt; bêbados”. Ao lado de um sábio, aprendemos em um minuto mais do que ao longo de anos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Isso me remete a outro extremo dessa introdução. Conheci igualmente o caso de um sujeito que bebia muito, e um dia desejou parar. Para se acalmar, começou a fumar e usar remédios. Em algum tempo, eles misturava os três, e tornara-se um inconveniente absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tal situação nos mostra que o vício não existe só, mas depende sempre do viciado – alguém cuja inteligência é sempre escrava da vontade, ou traduzindo, uma espécie de idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há vícios de todos os tipos. As pessoas gostam de colocar no topo dos mais perigosos os narcóticos (maconha, cocaína, etc.), mas experimente cortar a carne de uma nação churrasqueira como a nossa. Fui vegetariano durante três anos, e descobri um mundo de preconceitos terríveis. A própria fama de ‘chato’ que o vegetariano carrega consigo foi criada por carnívoros, que consideram absolutamente incompreensível não se alimentar de animais mortos. Em diversos lugares fui maltratado apenas por não querer comer carne. Voltei ao hábito, depois, pela absoluta impossibilidade de continuar a sê-lo quando se precisa que outros cozinhem para você. Estranho que alcunhem os vegetarianos de obcecados por saúde; e quem é obcecado por não cuidar dela é o que? Aliás, quem é mais viciado? Ele ou os carnívoros intransigentes e excludentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Poderia juntar nessa lista de vícios, na qual acabei de incluir a carne, o açúcar, a TV, o racha de automóveis, a ignorância, o desdém pela leitura, o chimarrão as 6 hs da manhã... Tire uma dessas coisas da mão dos viciados e você descobrirá uma escalada de violência acompanhada de fúrias assustadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por conta disso, me sinto a vontade para falar do vinho entre os chineses, entendendo-o como um hábito culturalmente maravilhoso, contanto que não caia na ausência ou no excesso – a justa medida, regra sábia de Confúcio, é o nosso guia da razão, a teoria e a metodologia desse trabalho.&lt;br /&gt;Assim sendo, discutir a cultura do vinho não é meramente uma excentricidade, mas um exercício de se constatar se tal prática, historicamente, é de fato destrutiva para um povo. Os chineses chegaram aos limites; foram destruídos pelo ópio (pelo vício e pelas armas inglesas que o vendiam) tanto quanto pela alquimia, que muitas vezes defendeu idéias estapafúrdias de imortalidade pelo total controle do corpo e de suas vontades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foram dois os campos nos quais a cultura do vinho foi sabiamente pensada, pesada e aprovada; a medicina e a filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pouco afeitos a vasta relação de pecados e proibições que povoavam o imaginário ocidental, os chineses simplesmente decidiram examinar as propriedades das bebidas alcoólicas até chegar as suas próprias conclusões. Os médicos entenderam as propriedades nutritivas e assépticas do álcool, receitando-o com parcimônia e liberando seu consumo com ponderação. Alguns remédios foram criados, inclusive, com uma mistura de vinho, licores e ervas medicinais. Não é de estranhar que eles (os chineses) sejam os mais numerosos do mundo: alguma coisa sobre saúde ele certamente entendiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quanto aos filósofos, esses trataram a bebida como um elemento capaz de interferir na individualidade humana. Inspiradora, consoladora, destruidora, a bebida não promove a anulação do ser humano; é ele mesmo, com todas as suas fraquezas, que se consome nos seus erros. A bebida é apenas um veículo, como poderia ser qualquer outro; essa foi a conclusão geral desses sábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cabia pensar, então, quais efeitos a bebida provocava no ser humano, e de que modo eles poderiam ser empregados a seu favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;No tempo de Confúcio&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desde um passado remoto os chineses produziam vinhos e bebidas destiladas. Nos ateremos ao vinho, em específico, cuja tradição tem um espaço próprio na cultura chinesa; e que é o que cabe nas dimensões que esse artigo se propõe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Já na época do Shang se produziam vinhos diversos, mas o preferido era mesmo o de arroz. Uma lenda dizia que a mulher do imperador Yu, da dinastia anterior (Xia) havia criado o Huangju (o ‘Vinho amarelo’) a partir do milho, e descoberto a prática da fermentação dos grãos. Verdade ou não, os Shang difundiram intensamente o hábito de produzir e beber vinhos. Além do vinho de arroz, conheciam-se também os vinhos de uva, maçã, laranja, frutas silvestres, sorgo, painço, além do de milho e de ervas aromáticas. Em geral eram servidos na temperatura ambiente (em dias ou noites quentes) ou aquecidos previamente, em infusões nas quais se misturavam mel, melado, frutas, condimentos (cravo, canela, pimenta) e ervas medicinais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;De fato, os Shang eram conhecidos por exagerar na dose, realizando grandes orgias regadas a vinho. Grande parte dos vasos de bronze que achamos dessa civilização são copos de bebida. Interessante é notar que os críticos dos Shang nunca os acusaram de imoralidade por beber ou fazer orgias; acusaram-nos de fazer demais, descuidando da nação. O problema do excesso nos mostra o lastro da sabedoria chinesa: a culpa é das pessoas, e não das coisas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Na época Zhou, que os sucedeu, nada muda substancialmente nesse panorama. É o que Confúcio nos indicará em um famoso texto do Shujing, que busca orientar a sociedade sobre a questão do álcool. O problema é o excesso, mas proibi-lo é uma utopia. O vinho possui a virtude de relaxar o corpo, congregar os amigos, ajudar na digestão e saudar os ancestrais. Do nobre ao camponês, o vinho é uma benção no final de um dia de labuta. Só o parvo o usa de modo errado; e o parvo, sempre ele, claro, crias as normas sobre o errado, e serve de índice para o engano:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Ouvi constantemente minhas instruções, todos vós, meus altos funcionários e chefes de seção, todos vós, meus nobres principais; quando houverdes cumprido amplamente o vosso dever na atenção de vossos maiores e no serviço de vosso governante, podereis comer e beber livremente até saciar-vos. E para falar de coisas mais importantes: quando puderdes manter constantemente um exame vigilante de vós mesmos e vossa conduta esteja de acordo com a virtude correta, então podereis apresentar as oferendas do sacrifício e ao mesmo tempo entregar-vos às festividades. Nesse caso sereis verda¬deiramente ministros que prestais o devido serviço ao vosso rei o Céu aprovará igualmente vossa grande virtude, de modo que nunca sereis esquecidos na Casa Real.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Confúcio sabia claramente disso; no Liji, ele – grande mestre dos letrados, que tinha um pé na cozinha – discorre sobre o uso do vinho com os alimentos, ou mesmo para comemorações e recepções:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;[São as] Bebidas: Vinho com mel, vinho de arroz coado e espesso, vinho de milho coado ou espesso, vinho de sorgo coado ou espesso, vinho de papas de arroz e milho, arroz diluído, licor da armênia, em abundância, licor de crostas de arroz, vinho de uva, vinho branco.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Essa pequena lista é o estofo de outros capítulos do Liji (42 e 44) em que Confúcio explica os procedimentos para bebedeiras (festas alcoólicas, mais corretamente) e banquetes. Ao longo do Liji, são mais de 40 citações ao uso de bebidas em todos os tipos de cerimônias (inclusive, ‘beber defuntos’ ou cerimônias oficiais).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Há que se argumentar se não havia opções na época, como sucos ou o chá (que chegou muitos séculos depois na China, ao contrário do que se pensa). Por inversão, porém, o vinho não parou de ser bebido com o surgimento de outras bebidas; é necessário encarar a questão de que as sociedades desenvolvem gostos particulares sobre os alimentos e bebidas, e que eles não são facilmente substituídos por imposições de consumo industriais (mais fácil, na verdade, as empresas se adequarem a essas predileções).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Após o Liji&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas voltemos ao passado. Os chineses adoravam vinho, e continuaram apreciando-o, de todos os modos. A própria palavra chinesa para bebida ( 酒 Jiu) designa qualquer líquido alcoólico, mas os chineses nutriam sua paixão pelos fermentados, fáceis de produzir, agradáveis de saborear e com uma larga margem para as invenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se não estabeleceram grandes marcas ou denominações, é porque o gosto chinês atinha-se ao rito de consumo, mais do que o sabor. Desde o bodegueiro até o camponês, cada um tinha sua receita de vinho. Vinhos da região de Shaoxing, por exemplo, ficaram famosos por serem estupidamente alcoólicos; mas cada localidade tinha suas variações. Onde haviam lichias, amoras, pêssegos, morangos, essas eram adicionadas a uma base de vinho; em áreas tropicais, banana, coco, condimentos, especiarias importadas e ervas davam o tom.  Cada produtor tinha seu vinho; alguns eram inclusive, guardados debaixo da terra para envelhecer, descansar e pegar corpo. Um antigo conto do Soushenji (Histórias dos Espíritos) nos dá uma idéia do que era essa ‘especialização’ na fabricação do vinho, e o que era o ‘padrão ideal’:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;Dixi era um nativo de Chungshan e sabia fazer "vinho de mil dias", capaz de manter um homem bêbedo durante mil dias. Havia um homem no mesmo distrito chamado Xuanshi que desejou provar o vinho em sua casa. No dia seguinte ele foi ver Dixi e pediu-lhe um gole; este último respondeu - "Meu vinho ainda não está completamente fermentado e não ouso oferecê-lo a você." - "Quero prová-lo assim mesmo", disse Xüan. Dixi não pôde dizer "não" e deu- lhe um copo. - "é delicioso," observou Xuan, "quero outro copo." - "Deve ir para casa agora," replicou Dixi. "Volte outro dia. Só esse copo o embebedará por mil dias." Xuan saiu parecendo um tanto tonto e ao chegar em casa morreu sob a influência do vinho. A família jamais desconfiou de nada: chorou-o e enterrou-o.  Após três anos, Dixi disse consigo mesmo - "Xuan a esta hora já deve estar acordado. Preciso ir vê-lo." Quando chegou à casa de Xuan perguntou se este estava. A família surpreendeu-se muito e disse - "Morreu há muito. Até já tiramos o luto." Dixi ficou aflito e disse - "O que! foi efeito do meu maravilhoso vinho, capaz de embebedar um homem por mil dias. Ele deve estar a acordar agora mesmo." Deu, então, ordens para que a família de Xuan abrisse o sepulcro e o caixão para ver o que tinha acontecido. Ergueu-se uma nuvem de vapores da tumba, nuvem que se elevou até os céus e em seguida procederam a abertura do caixão. Quando a tampa foi retirada, viram o homem "morto" abrir os olhos, bocejar e dizer - "Oh! como é delicioso ficar bêbedo!" Depois perguntou a Dixi - "Que vinho é esse que você faz? Um só copo produziu esse efeito. Acabo de acordar. Que horas são?" As pessoas que estavam perto riram muito à custa dele mas, devido a forte exalação da tumba, cheiro intenso que lhes entrou pelas narinas, todos caíram bêbedos por três meses.&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ocasionalmente um vinho poderia obter certa fama para seu fabricante, mas a obsessão européia num cânone de regras fixas para o vinho nunca se sucedeu entre os chineses. Numa civilização gigantesca como essa, os parâmetros eram outros. A diversidade garantia, por si só, o destaque de um sabor único – e que fatalmente seria pouco conhecido numa sociedade repleta de fabricantes caseiros. Vinhos como Fenjiu, do século +6 (de sorgo, com absurdos 65% de nível alcoólico) ou Sanhua (que se afirma feito há quase mil anos pelos habitantes da região de Guilin, com água e ervas especiais e também, com mais de 50% de teor) são exceções, e cuja vagueza da denominação ou origem impedem a construção de uma ‘tradição’ nos moldes enológicos ocidentais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de crise, as bebidas também servem para esquecer, e os chineses também sabiam disso. Um grupo chamado ‘sete sábios do bosque de bambu’, por exemplo, vivia embriagado para se alienar da crise que devastava o país após a queda dos Han no século +3. Isso na verdade criou uma tradição de poetas bêbados. Em busca de inspiração, esses artistas embebedavam-se de vinho; e depois, quando descobriram que o vinho era a própria inspiração, começaram a cantá-lo também. Tao Qian (Tao Yuanming) escancara o sentimento de amizade por meio do vinho;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Velhos amigos compartilham da minha pobreza&lt;br /&gt;Chegam com jarras de vinhos e esteiras [...]&lt;br /&gt;Tudo fica longe, nos perdemos por completo&lt;br /&gt;Ah, esse vinho tem sabores insondáveis!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em outra passagem, ele diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;Bebo uma taça e minhas preocupações desaparecem&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Bebo outra e até me esqueço do céu&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Libai, da época Tang, outro inesquecível poeta chinês (cujo conjunto poético chega a ter quase 20% das poesias destinadas ao vinho) também se derramava intimamente ao sabor da ‘embriaguez calculada’:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;Um jarro de vinho entre as flores,&lt;br /&gt;bebo sozinho - nenhum amigo me acompanha.&lt;br /&gt;Alço minha taça, convido a lua&lt;br /&gt;e minha sombra - agora somos três.&lt;br /&gt;A lua não bebe&lt;br /&gt;e minha sombra apenas imita meus gestos.&lt;br /&gt;Mesmo assim, são elas as minhas companhias.&lt;br /&gt;É primavera, tempo de festa -&lt;br /&gt;canto, a lua escuta e cintila;&lt;br /&gt;danço, minha sombra se agita, animada.&lt;br /&gt;Enquanto estou sóbrio, juntos estamos os três;&lt;br /&gt;quando me embriago, cada um segue seu rumo.&lt;br /&gt;Selamos uma amizade que nenhum mortal conhece.&lt;br /&gt;E juramos nos encontrar na via láctea.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua teorização sobre o vinho dava na seguinte fórmula:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;Três taças e tu estás em contato com o grande Dao;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;uma vasilha inteira e estás em harmonia com o Universo.&lt;/blockquote&gt;Se era um Fenjiu... Libai era um excelente bebedor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vL98hk4vs8s/Tf6cRnGQgsI/AAAAAAAABAU/pXeAt0Crrn4/s1600/FOTO_01.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 278px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-vL98hk4vs8s/Tf6cRnGQgsI/AAAAAAAABAU/pXeAt0Crrn4/s400/FOTO_01.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620101211371897538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Li Qingzhao (época Song), a fantástica poetisa chinesa, arrematava a expressão do íntimo com a ajuda do vinho:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;Nunca me esquecerei daquela tarde no pavilhão à beira do rio.&lt;br /&gt;Tontos de tanto vinho, não achávamos o caminho de volta.&lt;br /&gt;E zonza ainda, a felicidade retardava o nosso barco,&lt;br /&gt;Enquanto avançávamos no verde denso dos lótus em flor,&lt;br /&gt;Até irrompermos na margem, espantando garças e gaivotas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;Quanta saudade de minha terra natal!&lt;br /&gt;Como esquecê-la, a não ser embriagada?&lt;br /&gt;Na hora de dormir, queimei áloe no porta-incenso.&lt;br /&gt;Foi-se dele a embriaguez, ficou a do vinho.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do séculos, o hábito do vinho se transformou num ritual a parte. As jantas com vinho passaram a ser acompanhadas de jogos e divagações. Os gregos abandonaram os banquetes platônicos há séculos; os chineses, contudo, mantiveram (e mesmo, instituíram) a bebedeira sadia que levava à contemplação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Curiosamente, isso não tornou a China uma nação de bêbados; ao contrário, se há um lugar onde se aprecia o vinho com cuidado é lá (ressalva, claro, a França). Que se entenda: nessa sociedade gregária, a aparência e o bom entendimento com familiares, amigos e colegas é uma regra sólida, e a inconveniência é tida como uma vergonha absoluta. Bêbados, somente os divertidos, piadistas ou solitários. O alcoolismo degenerado não é bem visto - e ainda assim, nessa cultura paradoxal, ele é tratado como um problema individual, menos que uma doença ou vício. Há pontos de acupuntura que inibem o desejo de álcool, mas que dependem do paciente ir até o médico – ou seja, não é mais que evidente que o desejo de beber (demais, de menos, idealmente) ou abster-se é um critério individual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passados os séculos, os chineses continuam a tomar vinhos, mas a situação mudou em alguns aspectos. A ideologia de austeridade comunista reduziu bastante o aspecto hedônico do vinho, mas mesmo assim, não diminuiu drasticamente o seu consumo. Sumiram muitas das receitas ou fabricações caseiras, mas as fábricas criaram os padrões de produção que conhecemos. Os chineses, desejosos de entrar no mercado internacional em todos os aspectos, resolveram também adotar os parâmetros europeus de qualidade para vinhos de uva. Falta muito, ainda, dizem os enólogos ocidentais, para eles fazerem um vinho reconhecido internacionalmente; contudo, o avanço chinês nos últimos cinco anos foi muito maior do que o do Bras... Bom, deixa pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Resumo de tudo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A história do vinho na China demonstra uma paixão pelas bebidas que não caiu na vulgaridade. Não é uma nação de alcoólatras, mas de bebedores. Com sapiência, o vinho é um prazer; com estupidez e ignorância, mesmo um singelo copo de café se torna um inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muitas das poesias que apreciamos foram feitas sob efeito da leve embriaguez; a lista dos gênios que apreciavam um bom vinho, ou mesmo uma cerveja, é enorme. Quanto a lista dos ‘grandes’ que eram abstêmios em tudo, vai Hitler – não bebia, não fumava e era vegetariano. Até mesmo o primeiro milagre de Jesus foi reproduzir o vinho. Como eu disse desde o início, esse texto não é uma apologia do vício, mas de apreciação de coisas boas da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os chineses nos ensinaram que beber um pouco não faz mal. Se embriagar em segurança às vezes é um prazer - se bem acompanhados, e se soubermos não ultrapassar os limites do conveniente. Temamos aqueles que exalam moralidade, e que por baixo de suas belas roupas, sempre arrumadas, escondem sempre as piores intenções possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por fim, termino texto com o relato de uma de minhas experiências com um legítimo ‘vinho’ chinês. Foi no Rio de janeiro, quando fui num restaurante chinês de chineses escondido num canto da cidade. Era hora do almoço, e estava vazio, pois era muito pouco conhecido. Diante de um panorama desse, há que se recear. Mas eu gostei, me permitiu uma intimidade maior com os donos. Ainda ensaiava meus passos no chinês, e por isso a conversa alternou em três idiomas (meu mau chinês, o português ruim deles e nosso péssimo inglês comum). A entrada foi ótima, com wonton’s (ou huntun), uma forma de pastel em geral cozida, mas que eles serviam fritos também. Pedi desses fritos, que vieram numa folha fina de massa, cuja ponta, apenas, estava recheada de frango agridoce ou repolho frito com molho de soja. O prato principal foi macarrão de arroz com pedaços de porco, vegetais e algumas coisas que não identifiquei (e eles também não quiseram dizer, mas isso faz parte da arte de cozinhar). Quanto a beber, pedi um chá chinês (essa é um daqueles momentos em que a gente quase pede uma coca-cola por hábito, e magoa um bom cozinheiro, que gosta de ver seus pratos serem saboreados). Os dois velhinhos estavam gostando de me ver adorar a comida deles. Por fim, para finalizar, me ofereceram um copo de ‘vinho da casa’. Já tinha ido ao Rio Grande do Sul alguns anos antes, e aprendido a apreciar bom vinho (e saber quando um é uma porcaria), o que me deu um certo receio. Mas vamos lá, era a hora; aceitei o gole, que parecia quase um coquetel de ‘saque’ com algum sabor de fruta e condimento. Não sei dizer exatamente a sensação; era forte, diferente, de início chocava e afastava. No entanto, umas duas ou três bicadas depois, e aquele gole se tornou suave, aprazível, como se fosse possível bebê-lo de litro. Não saí tonto, mas feliz. Havia um gosto bom na boca. Anos depois que fui entender a honraria: haviam me dado uma prova do &lt;i&gt;seu vinho&lt;/i&gt;, que fosse bom ou ruim, era deles. Eu testemunhara uma antiga tradição chinesa, que só me fez sentido agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Todavia, a experiência não se perdeu por inteiro. Aquele vinho me lembrou (por associação, claro) dos tempos em que, com alguns poucos trocados no bolso, era possível se reunir com os amigos, comprar um garrafão de vinho ordinário e ser feliz pelo simples prazer de estar com as pessoas ao seu lado. Onde foi parar toda essa feliz simplicidade? Quando termina a saudável experiência da comunhão de espíritos embriagados, de modo que ela vire vício, depravação ou que se preserve, apenas, na poesia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Confúcio discursou sobre o abuso do álcool&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Confúcio discursou sobre o abuso das palavras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Confúcio abusava dos discursos quando não bebia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(Livro das Canções Outonais)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Sl46CER6cfI/Tf6edPhRiuI/AAAAAAAABAc/lmo7QLWWbyw/s1600/chinese-wine%2B%25281%2529.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="text-align: left;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 400px; height: 266px; " src="http://2.bp.blogspot.com/-Sl46CER6cfI/Tf6edPhRiuI/AAAAAAAABAc/lmo7QLWWbyw/s400/chinese-wine%2B%25281%2529.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620103610224446178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mistérios engarrafados... quem se habilita? Quem encara um bom vinho de botija, longe das garrafas bonitas e assépticas com que nos acostumamos?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nota: os poemas de Li Qingzhao foram emprestados de Sérgio Capparelli, em www.capparelli.com.br&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-1435401430912826514?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/1435401430912826514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/o-vinho-e-sabedoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1435401430912826514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1435401430912826514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/o-vinho-e-sabedoria.html' title='O vinho e a sabedoria'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-LJe8Z7L0wYM/Tf6cQ--QjkI/AAAAAAAABAE/nCFziYLdNP4/s72-c/chinese-wine.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-2889259600923899818</id><published>2011-06-15T21:18:00.001-07:00</published><updated>2011-06-15T21:20:30.181-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Daoísmo fajuto - ou, um poema político</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Seja autoritário&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E faça com que mendiguem seu favor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Você será exaltado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Seja determinado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E faça com que estudem para o labor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E você será detestado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Seja liberal&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E não faça nada por amor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E você será amado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Seja visionário&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E faça tudo com furor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E você será desprezado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Seja falso, demagogo, desleal&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E você fará tradição&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Seja verdadeiro, honesto e leal&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E você conhecerá a traição&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Mas quando tudo mais falhar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E aí, o outro fugir&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Somente o santo sábio vai voltar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E começar a resistir...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-2889259600923899818?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/2889259600923899818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/daoismo-fajuto-ou-um-poema-politico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2889259600923899818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2889259600923899818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/daoismo-fajuto-ou-um-poema-politico.html' title='Daoísmo fajuto - ou, um poema político'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-6108359719712414901</id><published>2011-06-04T02:46:00.000-07:00</published><updated>2011-06-04T15:49:04.680-07:00</updated><title type='text'>...!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-htMZ90ANgME/Teiv84B5UeI/AAAAAAAAA_Q/5XRAsalr7-8/s1600/jesus-facepalm.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 257px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-htMZ90ANgME/Teiv84B5UeI/AAAAAAAAA_Q/5XRAsalr7-8/s400/jesus-facepalm.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613930395884671458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;SOBRE O ESTUDO, O FUTURO E A CAPACIDADE CRÍTICA&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-PrOLTwkz1eY/TeiufijQROI/AAAAAAAAA_I/yXlDjkGNmHU/s1600/U1421P622T1D12816F27DT20080509105144.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 302px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-PrOLTwkz1eY/TeiufijQROI/AAAAAAAAA_I/yXlDjkGNmHU/s400/U1421P622T1D12816F27DT20080509105144.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613928792391173346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A ARTE DO GARRANCHO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-HdySRwNO80g/TeiufhghU6I/AAAAAAAAA_A/uKQk1ADZdeM/s1600/zenyoga__a_creative_psychotherapy_to_selfintegration_idc342.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 290px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-HdySRwNO80g/TeiufhghU6I/AAAAAAAAA_A/uKQk1ADZdeM/s400/zenyoga__a_creative_psychotherapy_to_selfintegration_idc342.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613928792111272866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;SÓ PENSO NAQUILO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-HdySRwNO80g/TeiufhghU6I/AAAAAAAAA_A/uKQk1ADZdeM/s1600/zenyoga__a_creative_psychotherapy_to_selfintegration_idc342.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-kdmQyJ2fgSQ/TeiufU4s8KI/AAAAAAAAA-4/uQWncobsdlQ/s1600/monkey-on-log_17m.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 227px; height: 350px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-kdmQyJ2fgSQ/TeiufU4s8KI/AAAAAAAAA-4/uQWncobsdlQ/s400/monkey-on-log_17m.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613928788723036322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-kdmQyJ2fgSQ/TeiufU4s8KI/AAAAAAAAA-4/uQWncobsdlQ/s1600/monkey-on-log_17m.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ATÉ MACACO REMA CONTRA CORRENTE!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Zv5ZtrN0BQM/TeiufZplumI/AAAAAAAAA-w/rgv5rUaruR8/s1600/media_http25mediatumb_hzAJo.jpg.scaled500.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 282px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Zv5ZtrN0BQM/TeiufZplumI/AAAAAAAAA-w/rgv5rUaruR8/s400/media_http25mediatumb_hzAJo.jpg.scaled500.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613928790001826402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A VERDADEIRA YOGA!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-cgLaDPzss1M/TeiuffROwFI/AAAAAAAAA-o/V40x_BmzoI8/s1600/bodhidharma1.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 253px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-cgLaDPzss1M/TeiuffROwFI/AAAAAAAAA-o/V40x_BmzoI8/s400/bodhidharma1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613928791510270034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;AI, AI...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-BCcAp6euIng/Teitu8UzQtI/AAAAAAAAA-g/AxDLXovUGiU/s1600/3464967632_7f10fd01c0_b.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 291px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-BCcAp6euIng/Teitu8UzQtI/AAAAAAAAA-g/AxDLXovUGiU/s400/3464967632_7f10fd01c0_b.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613927957496283858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;TE FALO, LAOZI: TEM GENTE PRA QUEM NÃO ADIANTA ENSINAR!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5u9GJovopdM/Teitdt4J3hI/AAAAAAAAA-Y/YPBdZjcsMao/s1600/2219333666_7eb19d9d20.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 254px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-5u9GJovopdM/Teitdt4J3hI/AAAAAAAAA-Y/YPBdZjcsMao/s400/2219333666_7eb19d9d20.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613927661560258066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;PORRA, AS VEZES NEM BUDA SEGURA!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-6108359719712414901?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/6108359719712414901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/sobre-o-estudo-o-futuro-e-capacidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/6108359719712414901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/6108359719712414901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/sobre-o-estudo-o-futuro-e-capacidade.html' title='...!'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-htMZ90ANgME/Teiv84B5UeI/AAAAAAAAA_Q/5XRAsalr7-8/s72-c/jesus-facepalm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-5551254337200175144</id><published>2011-06-03T15:48:00.000-07:00</published><updated>2011-06-04T15:48:36.933-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Dialética do Biscoito da Sorte</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Zapotzu estava em dúvida sobre abrir ou não seu biscoito da sorte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E se houvesse uma previsão ruim? Mas biscoitos não predizem coisas ruins, no máximo avisam. Porém, se o ruim acontecer, que diferença faz abrir ou não o biscoito? Se preparar para o pior, apenas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;A preparação só pode existir se alguém puder mudar seu “destino”. Nesse caso, abrir o biscoito seria útil. Se, claro, ele for verdadeiro. Pois do mesmo modo, abrimos o biscoito esperando que ele vá nos dizer algo de bom. E nesse caso, torcemos para que o previsto ocorra. Mas se acreditamos nisso, então, é porque pode acontecer da sorte não ocorrer como previsto, o que nos jogará numa previsão falsa e num biscoito errado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Do mesmo modo, se a sorte pode ocorrer sem abrir o biscoito, que diferença ele fará então?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Zapotzu nunca pensou que um mero biscoito pudesse lhe dar o que pensar. Decidiu que, sendo, um mistério, deveria penetrá-lo; e que sendo um estudioso, deveria guiar sua vida pela cabeça, e não pelo acaso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Como um bom letrado, tomou para si a condução de seu caminho, engoliu o biscoito sem abrí-lo, e assumiu o que viesse pela frente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-5551254337200175144?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/5551254337200175144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/dialetica-do-biscoito-da-sorte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/5551254337200175144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/5551254337200175144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/06/dialetica-do-biscoito-da-sorte.html' title='Dialética do Biscoito da Sorte'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-493729926064745538</id><published>2011-05-31T21:01:00.000-07:00</published><updated>2011-05-31T21:02:05.760-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>A quem se engana, o que se engana</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif; font-size: 21px; line-height: 24px; "&gt;Um homem andava pela floresta quando se deparou com um tigre vindo em sua direção. Borrou-se de medo, mas como estava com o vento à seu favor, o tigre não o farejou de imediato, e ele percebeu que essa era sua chance. Pensou rapidamente nas opções, e viu que correr não era uma delas; subir numa árvore também era perda de tempo, já que o tigre poderia alcançá-lo. Resolveu então tentar algo diferente; fingir-se de morto. Caiu no chão, respirou bem devagarzinho, o mais quieto possível, e esperou pelo pior.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O tigre passou, deu uma olhada, pensou um pouco, cheirou, e não se animou. Acabou indo embora, sem se preocupar com a possível presa morta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Enquanto o tigre saía, o homem continuou parado, sem saber se ele já havia ido. Nisso apareceu um gambá, que olhou o homem com desprezo e guinchou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- farsante!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O homem, surpreso, olhou para o indignado gambá e perguntou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- ei, como você sabia que eu não estava morto?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- porque você não fede, oras! Mas já resolvemos isso!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E mijou-lhe fedido, todo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Moral da história: quem não quer enfrentar um tigre, acostume-se a ser penico de gambá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-493729926064745538?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/493729926064745538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/quem-se-engana-o-que-se-engana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/493729926064745538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/493729926064745538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/quem-se-engana-o-que-se-engana.html' title='A quem se engana, o que se engana'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-6195691561801496900</id><published>2011-05-31T21:00:00.000-07:00</published><updated>2011-05-31T21:01:09.361-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>As confusões de um olhar torto</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Zapotzu convidou para jantar em sua casa um demônio, o macaco e a tartaruga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Nessas ocasiões a cortesia é fundamental, já que ir a casa de um sábio é uma grande honraria. Até os animais e demônios sabem disso. Só os tolos esquecem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Lá pelas tantas, a conversa acabou se dirigindo para uma daquelas curiosidades perigosas, mas irresistíveis, que só um deles poderia responder: o assunto era a morte. Depois de vários goles de vinho, ninguém se lembra quem perguntou, mas a questão era: o que acontece quando morremos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O demônio, que trabalhava no tribunal do inferno, começou então a explicar:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- ah, é simples: julgamos as coisas por meios que poucos entendem, administramos justiça implacável, servimos ao senhor do Céu e quem merece, despachamos para o seu paraíso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Zapotzu, o macaco e a tartaruga se entusiasmaram. Então, há paraíso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O demônio, que estava de folga, resolver ser gentil e lhes ofereceu a seguinte proposta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- bem, posso fazer assim: abrirei uma porta para o paraíso de cada um de vocês, mas vocês têm que voltar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Os três concordaram avidamente. O demônio então pegou um pó que trazia consigo e jogou no chão, fez alguns sinais e três entradas luminosas surgiram. Os colegas entraram cada um na sua porta, e alguns minutos depois já estavam de volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- então, o que acharam? Perguntou o demônio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- lamento, disse Zapotzu-, mas achei um tormento! Não parava eu de correr e pular, de saltitar como um louco, de comer famigerado, só via árvores e risadinhas ao meu redor, não tive sossego um segundo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- pior pra mim! - disse o macaco – estava numa praia sem nada para fazer, só mar na frente, areia atrás, que horror!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- pois comigo foi o mesmo – disse a tartaruga. Me vi no meio de um bando de gente, de livros, discussões eruditas, música, nada de calma, nada de solidão. Tudo muito cheio...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Se entreolharam e perceberam que o demônio se enganara. Eles trocaram as portas e foram para os paraísos uns dos outros. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Todos riram, e decidiram que não se pode confiar em demônios bêbados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Moral da História: demônios entendem tudo de paraísos, mas não sabem administrá-los. Por isso que o caminho é sempre de cada um, sem atalhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-6195691561801496900?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/6195691561801496900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/as-confusoes-de-um-olhar-torto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/6195691561801496900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/6195691561801496900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/as-confusoes-de-um-olhar-torto.html' title='As confusões de um olhar torto'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-4220874913981548326</id><published>2011-05-31T10:48:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.842-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>A Ampulheta Quebrada</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif; font-size: 19px; "&gt;Em tempos bons, a visão do passado fica pior: em tempos ruins, o passado é a âncora da saudade. Essa tese já era defendida por Sima Qian, e pelos outros historiadores chineses; a espiral do tempo segue seu curso, inexorável, e sobre ela se constroem os projetos do futuro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Esses projetos trazem consigo a marca da história como uma experiência de fundo moral. Esta segunda visão chinesa é fundamental para entender as definições que guiarão uma proposta para o futuro; o modo como uma sociedade se enxerga e se entende são as linhas mestras para elas se autoavaliarem, e consequentemente, se reinventarem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Mas as sociedades atuais sofrem de um paradoxo tremendo, talvez nunca antes encontrado na história: o problema da desconexão com o passado, uma ausência quase total de um senso histórico, de uma visão de construção de origem e ancestralidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;A modernidade está com sua ampulheta quebrada, e não se preocupa com a continuidade do tempo: o imediatismo tornou-se a regra da atemporalidade que define o direcionamento do raciocínio humano. Como bem afirmou Zygmunt Bauman, vivemos uma modernidade líquida desobjetivada, em que as pessoas não se propõem serem algo, mas terem alguma coisa. Elas têm propósitos, mas são para agora: suas regras morais são diluídas, constituindo muito mais um recurso para atingirem objetivos do que, propriamente, um norte para o bom relacionamento humano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Esse meu discurso pode parecer antigo, saudosista ou mesmo reacionário, mas sua proposta é constatável: nunca antes, na humanidade, a juventude “soube” mais do que os antigos. Um rapaz de 15 anos pode, hoje, saber muito mais de tecnologia do que um adulto. Contudo, ele não possui experiência de vida; mas essa relação se subverte na medida em que ele negocia o seu saber técnico com os mais velhos, buscando atingir vantagens morais e sociais a partir do seu conhecimento tecnológico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Que se diga, esse saber técnica é superficial; os jovens dominam os meios, as técnicas, mas não compreendem os mecanismos pelos quais as coisas são produzidas ou desenvolvidas. O imediatismo de sua visão da realidade os faz supor que eles podem ter um mesmo status social dos adultos porque podem negociar o exercício de seus saberes, mas com isso, eles negam a propriedade do conhecimento histórico, eles negam o valor da história de &lt;i&gt;como as coisas são feitas&lt;/i&gt;, criadas e imaginadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Com base nisso – e concordando, novamente, com o que Confúcio e os outros chineses já afirmavam – há uma fragmentação da moral, uma interrupção na evolução dos padrões. Não se trata de invocar um passado antigo como tábua de salvação; mas a negação do passado estabelece uma interrupção no fluxo, ela cria um desconhecimento das razões pelas quais a moral foi criada, suas leis, costumes, etc. Com isso, perdem-se as raízes e os fundamentos de uma cultura, e a sociedade se entrega a todo o tipo de expediente - sem uma medida de apropriado ou inapropriado – para realizar seus anseios materiais. Ainda: ela faz com que esses anseios sejam sempre presentes, rápidos, fulminantes, sem a mínima preocupação com as conseqüências: pois a inexistência do passado pressupõe, nesse raciocínio atemporal, a inexistência também do futuro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Por outro lado, essa situação de perigo é sentida por grupos dentro da sociedade que entendem ser necessária uma preservação da moral, mas sem um conhecimento exato de seus modos de transformação. Com isso, grupos chamados de “radicais” (e às vezes o são) assumem a tarefa de defender os valores antigos, embora muitas vezes confundam o antigo com uma visão particular da realidade, que implica em preconceito, intolerância e fundamentalismo. No entanto, esses grupos se tornam atraentes na medida em que defendem valores que andam em “falta no mercado”: lealdade, associação mútua, propósito para o futuro, auxílio, solidariedade, altruísmo, etc. Por estas razões é que, não raro, pessoas que julgam a si mesmas como tendo tido uma vida “dissoluta” acabam embarcando em grupos religiosos ou intelectuais radicais, mas que propõe valores de vida “desconhecidos” pela juventude. De um extremo ao outro, elas oscilam, sem a justa medida tão necessária a tolerância e a harmonia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Assim sendo, o desconhecimento da história implica numa fragmentação da moral. Não que a moral vá sumir; ela sempre se reconstrói, dentro de padrões que são próprios a história de uma sociedade. O problema, porém, é se essa transformação implicará num conflito violento, numa perda de conhecimento, numa quase destruição da sociedade até que se constate a necessidade de recuperar o antigo. Que se entenda: o antigo é a base de transformação do novo. O conhecimento aprendido (xue) é importante, mas é o oposto complementar da experiência de vida (zhi). Eles não se superam, se completam. Não há possibilidade de se ultrapassar a moral com a técnica, pois a moral depende da história e da experiência. As novas tecnologias podem influenciar o raciocínio moral, mas as bases sobre as quais ele opera são conceituais, e não materiais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Quem cede à deslealdade, à hipocrisia, à mentira e à farsa para atingir seus objetivos está errado em qualquer época, ainda que possam aceitar que esse é um meio para alcançarem seus fins. No entanto, mesmo as pessoas hoje – como em qualquer época-, sabem que existem regras valiosas, que independem de tempo e espaço para serem tidas como corretas. Uma delas é: “não faça aos outros aquilo que não quer que seja feito com você”. É possível que alguns aceitem que, insistindo no erro, entendem se sujeitar a retaliação, mas mesmo eles sabem que estão errados. Não há, aqui, qualquer consideração sobre tecnologia; a moral se vincula ao tempo, mas não há tempo que seja amoral. Quando as crises chegam, sabe-se que elas estão ligadas a perda dos valores, e a necessidade de estabelecer leis e padrões que ponham o mundo em ordem, novamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Claro, os jovens têm ilusões – e como já fui jovem, tive as minhas também. Mas é preciso lembrar que as regras, a educação, a construção de uma moral sadia, isso não depende de idade, mas depende de sabedoria e de experiência. Disse Guanzi: “eduque as crianças para não punir os adultos”. Se couber a juventude a possibilidade do desatino, suas experiências de vida criarão para si mesmas o caos, largando-se ao sabor de uma visão indistinta de mundo, ou buscando refúgio em visões extremistas da realidade. Por outro lado, o abandono dos mais velhos sobre suas responsabilidades traz consigo a marca da desagregação, e a impossibilidade da continuidade. Se mesmo os mais velhos cedem ao imediatismo, ao desejo de serem “jovens novamente”, o que poderá ser da sociedade?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Ao leitor, pois, esse texto poderá parecer multifacetado: uma velharia sem propósito, uma cantilena reacionária, uma proposta frouxa de resgate de valores (para os radicais), uma busca de meio termo (que a meu ver, é inútil), enfim, que pareça tudo aquilo que quem lê entenda sobre ele. Esse texto, na verdade, é o espelho de quem lê, e do que se esse entende sobre si mesmo no mundo. No entanto, aqueles que buscam uma atitude reformadora diante da realidade, esses vão entender. Os que se cansaram dos “meios termos” que não satisfazem ninguém, ou das pequenas faltas toleráveis (“jeitinhos”), &lt;i&gt;esses vão entender&lt;/i&gt;. Escrevi com o cuidado dos falsos, interesseiros, desleais e oportunistas saberem que as pessoas podem perceber seus erros, e sobre elas construírem suas opiniões; é o aviso para que tentem mudar algo em si mesmas, antes que sejam pegas no erro. Mais do que isso, porém: suas atitudes imediatistas e desastrosas não possibilitam o futuro. Assim também, os radicais poderão compreender onde quero chegar, e amainem suas idéias, sejam mais tolerantes: a corda muito esticada acaba sendo arrebentada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm; line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;Mas é uma época “interessante” essa nossa: sem atitude e uma causa, onde esperamos chegar? A ampulheta quebrou, a areia escorre e o tempo se perde, levando consigo a história e a humanidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Cambria, serif; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-4220874913981548326?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/4220874913981548326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/ampulheta-quebrada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4220874913981548326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4220874913981548326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/ampulheta-quebrada.html' title='A Ampulheta Quebrada'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-3103341108661565179</id><published>2011-05-19T14:15:00.002-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.843-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>O Complexo de Hundun</title><content type='html'>&lt;i&gt;O Rei do Mar do Sul era age-conforme-teu-palpite,&lt;br /&gt;O Rei do Mar do Norte era age-num-relâmpago.&lt;br /&gt;O Rei do lugar entre um e outro era A Não-Forma (Hundun, ou Caos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o Rei do Mar do Sul&lt;br /&gt;E o Rei do Mar do Norte&lt;br /&gt;Costumavam ir juntos freqüentemente&lt;br /&gt;À terra do Não-Forma.&lt;br /&gt;Este os tratava bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, consultavam entre si,&lt;br /&gt;Pensavam num bom plano,&lt;br /&gt;Numa agradável surpresa para Não-Forma&lt;br /&gt;Como penhor de gratidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Os homens», disseram, «têm sete aberturas&lt;br /&gt;Para ver, ouvir, comer, respirar,&lt;br /&gt;E assim por diante.&lt;br /&gt;Mas o Não-Forma&lt;br /&gt;Não tem aberturas.&lt;br /&gt;Vamos fazer nele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas aberturas».&lt;br /&gt;Depois disso&lt;br /&gt;Fizeram aberturas em Não-Forma,&lt;br /&gt;Uma por dia, em sete dias.&lt;br /&gt;Quando terminaram a sétima abertura,&lt;br /&gt;Seu amigo estava morto.&lt;br /&gt;Disse Lao Tan: «Organizar é destruir».&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Zhuangzi&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hundun, a Não-forma ou Caos; ao se lhe abrirem os sentidos, ele morre. Na moral caminhante dessa fábula, conhecer o mundo e a realidade é perder-se.&lt;br /&gt;Atinar ao que ocorre ao redor é uma perda de tempo e sentido, apenas seguindo a “natureza original” é que poderemos encontrar a “verdade” – o que nesse caso significa a “ignorância” original.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Esse conto é interessante para mostrar como ignorantes buscam justificar sua ignorância, confundida com “pureza de alma” ou outra bobagem qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De modo semelhante, muitos no Brasil preferem não saber a “verdade”, ou encarar a dura realidade da vida. Preferem se deixar levar pelo sabor dos desatinos políticos e sociais, sem tomar consciência crítica das coisas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Este é o complexo de Hundun. Muitos preferem viver no caso, no sem forma, ao invés de se impor a ordem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Convidados ao esclarecimento – a ver, ouvir e falar – preferem se abster, com medo de “morrer” ou “sofrer” diante da constatação das coisas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para a China, felizmente, o confucionismo venceu como doutrina social, e hoje guia o processo educativo chinês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Podemos fazer o mesmo aqui, por meio de uma educação crítica e consciente, e não assistencialista e esvaziadora. Qualquer projeto de nação que queiramos construir depende de uma educação sólida, e voltada para isso. Carecemos da criação dessa identidade educadora – e quero crer que essa identidade pode ser criada, projetada, e não admitir que já temos uma estereotipada, aquela do brasileiro indolente, preguiçoso, servil e estúpido. Não precisamos ser assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mas para isso, é necessário abrir os olhos, boca, ouvidos, e desafiar o perigo da constatação do real.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os caminhantes estavam errados; e continuam, até hoje, nesse ponto. Como disse Confúcio: “nunca vi alguém atingir a sabedoria no meio do mato”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-3103341108661565179?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/3103341108661565179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/o-complexo-de-hundun.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/3103341108661565179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/3103341108661565179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/o-complexo-de-hundun.html' title='O Complexo de Hundun'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-3532797996759446717</id><published>2011-05-19T14:15:00.001-07:00</published><updated>2011-06-04T15:49:42.096-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Quando o passante vê</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Um homem passava em frente a um vendedor de armas. Ele gritava “minhas lanças furam qualquer couraça! Meus escudos protegem de qualquer lâmina!” Um passante ficou curioso e perguntou: “e o que acontece se sua lança atacar o seu escudo?”. O vendedor ficou mudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Hanfeizi&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Demagogos sempre têm planos mirabolantes para tudo. Eles dizem que são ousados, mas não são: são cheios de falhas, de brechas para a ilegalidade, de duplas ou triplas interpretações que funcionam segundo a conveniência da situação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;O desejo e a ambição são partes do ser humano, e até mesmo os que querem “libertar-se espiritualmente” desejam essa “transcendência” e ambicionam a paz, o nirvana, a sabedoria, o que seja. Não é estranho, portanto, que alguns desejem colocar seus serviços a disposição do país; de aplicar suas idéias a sociedade, de tentar consertar o mundo em desalinho e acompanhar a mutação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Esse, aliás, é o bom governante. O problema é o idiota; o ignorante que se arroga líder, e prevarica com os bens públicos para alcançar desejos privados. Ele quer o poder, o dinheiro, o sexo fácil, a aura de sábio, se pretende guia das multidões mas sabe, consigo mesmo, que não quer nada disso. Que se dane o resto. O poder é um “bem particular” em sua visão, um usufruto derivado de sua sorte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Mas para isso ele precisa ludibriar, e convencer de que foi calcado para o posto. Necessita, então, de quimeras fantásticas, mas simples, para conquistar o povo rude e ignorante. Seus planos são incríveis, e contam com a violência para vencer os obstáculos. A questão é quando chega o dia de aplicá-los. Quando um estúpido chega ao poder, ele é denunciado por sua pretensão, arrogância e incapacidades. Diante das provações que ele criou para si, e prometeu desafiar, ele não sabe que fazer. E o passante vê e percebe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Um dia, o andarilho celeste perguntou ao Cão: “o que você fará quando finalmente alcançar a roda do carro?”. Ele não soube dizer, ou não quis responder...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-3532797996759446717?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/3532797996759446717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/quando-passante-ve.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/3532797996759446717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/3532797996759446717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/quando-passante-ve.html' title='Quando o passante vê'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-1197917741058542903</id><published>2011-05-19T14:14:00.001-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.844-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>A Educação Brasileira numa visão Pósconfucionista</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;“&lt;span class="apple-style-span"&gt;Li (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;MS Mincho&amp;quot;;mso-ascii-font-family:Cambria;mso-ascii-theme-font:major-latin; mso-hansi-font-family:Cambria;mso-hansi-theme-font:major-latin;mso-bidi-font-family: &amp;quot;MS Mincho&amp;quot;;color:black;mso-themecolor:text1"&gt;禮&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-fareast-font-family:&amp;quot;MS Mincho&amp;quot;; mso-hansi-theme-font:major-latin;mso-bidi-font-family:&amp;quot;MS Mincho&amp;quot;;color:black; mso-themecolor:text1"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Cultura), ou o princípio da ordem social, previne o advento do caos moral e social, como um dique previne a inundação. Assim como quem pensa que pode destruir uma represa, por julgá-la inútil, certamente há de expor-se aos danos de uma enchente; assim, o povo que desprezar o antigo princípio da ordem social, por considerá-lo inútil, certamente ficará exposto a uma catástrofe”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Confúcio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Há um problema fundamental nos diagnósticos educativos brasileiros: são todos, basicamente, falsos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O sistema está viciado, buscando criar estatísticas para mostrar que não está doente. Nas avaliações de ensino que são feitas, o transtorno de “dupla personalidade” da cultura vitimológica brasileira transforma todos em vítimas que precisam de educação, mas transfere a culpa das falhas educacionais para os cidadãos, professores, religiosos, enfim... Com exceção, claro, dos demagogos populistas, para quem tudo está sempre bem (ou ruim, se for para pedir verbas). E como esses são os educadores mais “interessantes” para uma sociedade que despreza o estudo e privilegia o oportunismo, esses são, no geral, os “líderes” exemplares de nossa educação atual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Gente “interessante” para “tempos interessantes”... em chinês, uma frase que designa um tempo sério de calamidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Mas a questão é: como examinar a educação, de fato, sem cair nos engodos politiqueiros? Na minha visão, usando uma teoria “estranha, alienígena e diferente” – o pósconfucionismo – que não se vincula a qualquer um dos partidos em voga, bem como exprime a possibilidade descompromissada que tenho de expor minha opinião.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Como sempre, haverá perguntas; mas porque usar uma teoria chinesa para avaliar a educação brasileira?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Num país que usa tantas teorias importadas para tudo, usar uma teoria chinesa deveria ser apenas mais uma aquisição ao vasto cardápio disponível, mas ela incomoda: primeiro, porque não há controle sobre ela, não há uma tradição que a domine – e por causa disso, Confúcio volta a ser revolucionário na face da terra, em face de nossos arcaísmos; segundo, porque o pósconfucionismo, mesmo sendo uma releitura, não sofre do mal da “eterna contemporaneidade”, em que tudo é tratado como não tendo raízes históricas. O pósconfucionismo perscruta nesse passado as razões do agora. É uma postura consagrada, mas funciona bem. Aliás, de fato, é uma das poucas que funcionou até agora. Através de sua metodologia de análise que tentaremos traçar, pois, e analisar, os problemas da educação brasileira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;As raízes do problema&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Quais são as razões do descalabro em nossa educação?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Voltemos aos finais da ditadura militar no país. Depois de 20 anos, o plano em curso de censurar e desarmar a sociedade de sua capacidade crítica estava praticamente consolidado. A transição democrática estava programada, e o ensaio disso foi a anistia em progresso, além das eleições municipais e estaduais, com ampla participação de novos partidos políticos. Em 1983, no Rio de Janeiro – o grande laboratório de experiências do Brasil – a falta de criticidade, aliada a oposição ingênua, elegeram Leonel Brizola para governador, dando início a um dos planos educacionais mais desastrosos já vistos até hoje.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;As teorias da política educacional de Brizola eram assistencialistas e populistas, embora embasadas em planos aparentemente bem intencionados de Darcy Ribeiro. Brizola acreditava na difusão da escola como um meio de formar opinião pública e política – não necessariamente crítica – que o apoiasse no futuro. Como resultado disso, ele criou o modelo do CIEP, um monumento arquitetônico desenhado por Oscar Niemeyer, difundindo-o por todo o estado do Rio de Janeiro e causando um tremendo impacto visual e material. Quanto ao funcionamento, o CIEP em breve virara um sinônimo de perigo. Havia lanche, os alunos ficavam na escola dois turnos, mas o ensino era da pior da qualidade, andava sem apoio ou recursos, e era constantemente pressionado por traficantes e alunos-bandidos. No entanto, estes últimos eram protegidos por uma política de segurança pública que os transformaram em “vítimas da sociedade”, transferindo o problema de sua marginalidade para ao cidadão comum – que além de pagar impostos para ter serviços que não recebia, ganhou, ainda, a “responsabilidade social” (i.e., culpabilidade social), desonerando o governo de suas obrigações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O plano deu certo em nível político. Brizola conseguiu depois se reeleger para governador do Rio de Janeiro (1991-1994), criando uma base de apoio forte no estado. Mas o efeito disso foi ainda pior do que o imaginado; suas idéias foram amplamente copiadas, e até o presidente Collor, eleito em 1989, tentou implantar o CIAC – cujo desenho arquitetônico era uma monstruosidade, que incluía uma pirâmide de vidro sobre a quadra polivalente, visível a quilômetros de distância – mas com todos os mesmos problemas do CIEP; baixa qualidade de ensino, má formação, e a idéia de que a escola se transformara numa espécie de “creche” de todas as idades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Os baixos índices educacionais obtidos por essas políticas foram responsáveis pela criação de um mecanismo ainda mais perverso de compensação – a aprovação automática.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Aprovar sem avaliar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Certo, o nome exato não era essa; a “progressão continuada” entendia que as primeiras séries não podiam comportar a reprovação, o que seria um “barbarismo”, “traumatizando” as crianças. Na prática, ele impedia que as pessoas tivessem as necessárias experiências de vida (incluindo o esforço e/ou a decepção), mantinha as crianças na escola (para alegria e sossego dos pais) e formaram gerações de analfabetos funcionais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;A idéia era tão boa que mesmo a “Direita” política a encampou. São Paulo e Rio de Janeiro foram os pioneiros, na década de 90, em implantar esse sistema quase hediondo de educação, sendo seguidos pelo restante do país.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Um povo menos instruído é bem mais fácil de comandar; se ele está feliz, e tem “creches” para suas crianças, mais feliz ainda ele estará. Contudo, na ausência de uma formação específica em algo, no que as pessoas trabalharão? Elas não querem executar mais profissões que consideram “vis” (pedreiro, marceneiro, etc.), mas querem empregos que dependem de qualificações que &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;também&lt;/i&gt; não possuem (cientista, funcionário público, advogado, médico, etc.). Os professores ficam no meio disso tudo – num momento aviltados, no outro, desqualificados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O toque final dessas políticas absurdas foi dado em dois momentos distintos: os governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;No governo presidencial de FHC, o Brasil aprendeu a dura – porém necessária – regra do novo capitalismo mundial. Seu projeto, segundo dizem, era o de privatizar toda a educação, ou ao menos, o ensino superior. Se isso for verdade, são amplos os aspectos que envolvem o sucateamento do ensino, como se viu. Por um lado, nossos impostos não pagariam mais o ensino que nos seria devido, o que poderia se considerar uma apropriação indébita. Por outro, o ensino deixaria de ser um cabide de empregos, tendo que correr atrás de efetividade, qualidade e preço. Nada disso se concretizou, para bem ou mal, e os efeitos das políticas anteriores continuaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O segundo momento veio com o governo Lula, que herdou o desmantelamento, e em certa medida o manteve. Ele aumentou o número de babás (perdão, professores), mas implementou em escala nacional o programa de bolsas-escola, e manteve a política de assistência – mas não de formação – da escola. Vale lembrar que a bolsa-escola foi criada por FHC, em 2001, e foi duramente criticada pelo PT, mas após a eleição de Lula, ela foi imediatamente mantida, aumentada e expandida em níveis inimagináveis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O governo petista aperfeiçoou os problemas anteriores, calando ocasionalmente a oposição com a distribuição de recursos públicos e funções governamentais, mas não possuía um projeto efetivo de formação educacional. Pão e circo; a regra é velha, mas funciona. Pena que, entre tantas regras antigas, a da meritocracia foi esquecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O pressuposto da bolsa escola seria o de ajudar a manter a criança no ambiente da escola. Excetuando o caso do trabalho infantil – que é um caso de polícia – e sabendo da existência de outros possíveis benefícios governamentais (são várias as bolsas), porque uma criança deveria receber, ainda, para educar-se? Entenda-se: a educação é um direito, e não um dever, pago já com impostos públicos. Com a bolsa, transforma-se em dever. Por fim, se fecha uma equação macabra; um aluno que não pode ser reprovado deve ficar na escola, para receber sua bolsa. É quase inacreditável, mas o professor tem, então, que criar expedientes pelos quais enseje o desejo no aluno de permanecer na escola, se sentido estimulado, sem desafio algum, sem o que, sua saída (e a possível perda da bolsa) será culpa do docente!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Esse amontoado de absurdos não são teóricos, mas acontecem agora, nesse exato momento. Por causa disso, um grande número de educadores tem declarado a falência do ensino, e se afastado dele. Em seu lugar, entram oportunistas que se dispõe a ensinar o mínimo possível, e a sair o mais rápido que der da escola, em troca de seu salário certo. Atualizar-se, aperfeiçoar-se, estudar, etc., são palavras estranhas a esses “professores”. O único livro que lêem é o didático, e gostam de “construir conhecimento com os alunos” – uma tradução inexata para deixar que seus alunos façam atividades LAP (lúdicas, afetivas e prazerosas) sem um mínimo de compromisso com qualquer conteúdo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Esse quadro não é animador, e pressupõe um desfecho problemático – a retomada do atraso no futuro! Sim, vamos sair da história contemporânea para re-ingressar em tempos anteriores, em que a civilização ficará dividida entre uma elite que domina a língua e a escrita, e um povo analfabetizado; a ciência correrá o risco de perder espaço para a experimentação, o empirismo estúpido, a alquimia e a mágica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Atualmente, a política de bolsas no ensino básico e superior já projeta essas dificuldades da educação básica sobre a universidade – motivo pelo qual a própria academia já discute agora, perigosamente, como “facilitar” o “acesso e a permanência” do estudante no Ensino superior. Devemos nos preocupar seriamente se seremos operados, por exemplo, com um médico aprovado com média mínima (5.0) que sabe, pois, abrir – mas não fechar – um paciente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;A banalização da academia ocorreu em um governo que a odeia – e Lula sempre deixou bem claro seu desapreço pelo “intelectual” FHC, estendendo isso a Universidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Desse modo, estabeleceu-se o paradoxo da abertura de várias universidades e institutos federais no país, que abriram milhares de novas vagas de emprego, mas acompanhadas de uma desvalorização da figura do professor em sala de aula. Sem autoridade e meios efetivos de lecionar, novamente, a equação não funciona. Como controlar e ensinar milhares de alunos novos sem autoridade constituída, sem respaldo público e com mecanismos frouxos de avaliação? A autonomia universitária se debate entre o populismo e o pragmatismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Obviamente que o aumento do número de alunos trará mais problemas, mas isso não é, em absoluto, negativo, mas apenas estatístico. Imaginemos a cena: se antes tínhamos cem alunos e só um dez davam problema, com mil alunos teremos cem, etc. é uma conta absolutamente especulativa, que supõe que se manterá um índice de casos especiais de disciplina, comportamento e aprendizado SE houverem mecanismos eficazes para avaliação e direção da sala de aula. No entanto, com a destruição da meritocracia, e com o estímulo a inércia – garantida pela “aprovação continuada” ou “progressão automática” (seja qual for o arranjo das palavras, eu as coloco aqui de modo errôneo para mostrar que elas implicam no mesmo erro) – quem irá querer estudar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Os bons alunos se sentirão enganados, e serão engolidos na pasmaceira. Alguns poucos, inconformados e amantes da leitura, se distinguirão por conta própria, e tentarão cavara vagas para suas qualificações antes de serem punidos pela ignorância do senso comum, que deprecia os que têm iniciativa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O que falta aos governos para perceberem a quantidade de desatinos que cometem? Quem escolhe os educadores canalhas e demagogos que definem essas políticas públicas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;A visão pósconfucionista&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Mas tudo isso tem um alto custo social, que está sendo cobrado nas escaladas de violência no RJ e em SP. As dificuldades encontrar gente qualificada para trabalhar nos empreendimentos públicos e particulares tem mostrado essas falhas. O governo atual do RJ está tentando retomar os antigos critérios educacionais, ciente de que as reformas não poderiam ter mesmo dado certo, e causaram o grande atraso econômico e científico em que o estado se encontra. Há poucos núcleos de excelência científica, e em grande parte são dominados por iniciativas particulares e privadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Assim sendo, qual seria a visão pósconfucionista da situação? O que poderia ser feito?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Em primeiro lugar, retomar os critérios meritocráticos, reforçar o vestibular e diminuir as formas de aceso que banalizem o ensino superior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Segundo, e mais importante: reforçar as bases da educação. As nações asiáticas se reconstruíram, após a 2ª guerra, investindo na educação básica. Quando a raiz é forte, a árvore frutifica. Com o ensino básico consolidado, a universidade será uma extensão natural disso. Não serão necessárias cotas ou privilégios. O impacto sobre o povo será enorme: de início, é provável que alguns se revoltem com as exigências de qualidade e esforço: contudo, a abertura do mercado para gente capacitada irá responder a isso. Hoje, por exemplo, o país carece de engenheiros, técnicos e especialistas em grande demanda – e a universidade precisa responder a isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Confúcio havia proposto que a educação deveria ser responsabilidade do Estado. Continuaria cabendo ao Estado, pois, delimitar as regras pelas quais a educação deve acontecer. Se forem regras idiotas, o ensino superior será a extensão desses equívocos; se forem regras duras, porém coerentes, mesmo o ensino privado as acompanhará, ou correrão o risco de seus diplomas serem desqualificados (como ocorria há alguns anos atrás...).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O modelo meritocrático foi testado, desenvolvido e aplicado com eficácia durante séculos, como no caso da China e mesmo em alguns países da Europa. As civilizações que compreenderam isso estão no topo do mundo, novamente. O que &lt;span style="color:black;mso-themecolor:text1"&gt;falta a nós, portanto, para compreendê-lo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1"&gt;“Apenas com este sistema educacional, entretanto, é possível civilizar o povo e reformar a moral da nação, de maneira que os cidadãos se sintam felizes e os habitantes de outras terras gostem de visitar o país”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Confúcio&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-1197917741058542903?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/1197917741058542903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/educacao-brasileira-numa-visao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1197917741058542903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1197917741058542903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/educacao-brasileira-numa-visao.html' title='A Educação Brasileira numa visão Pósconfucionista'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-6588741878770322062</id><published>2011-05-19T14:13:00.000-07:00</published><updated>2011-07-13T06:19:52.471-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>O sonho do livro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Era um letrado – e como tal, adorava livros. Colecionava-os, lia-os, e adorava sua biblioteca, um pequeno santuário no qual se escondia. Nesse manancial, colhia as respostas que precisava; às vezes, explorava-a em longas aventuras; em outras, descobria somente o mistério - e nesse caso, acabava tendo que correr atrás de novos livros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Não tinha roupas chiques, nem deleites elegantes. Era sossegado, comia de modo simples, e adorava seus livros; tanto que, ao pensar na morte, preocupava-se em quem iria cuidar dos seus amigos de papel, para que eles continuassem servindo a humanidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Uma noite, porém, ele sonhou: sonhou que andava entre dois bairros conhecidos, que existiam de fato no mundo real, quando ele estava acordado. Contudo, num canto entre eles havia uma livraria, que só estava ali, em seu mundo de sonhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Como não lembrava que era um sonho, sabia da estranheza da tal livraria naquele lugar, mas não se incomodou, ao contrário: entregou-se a paixão de fuçar as prateleiras, e ficou com água na boca com todos aqueles volumes, capas, tipos, fontes, textos, enfim...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Mas um livro chamou-lhe a atenção: era uma história da China, uma que ele nunca tinha visto. Não conhecia o autor, mas lhe pareceu fascinante; uma breve folheada revelou páginas magníficas e excitantes, do tipo que ele gostaria de ter escrito. Entusiasmado, ele ia ler mais, quando,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Ele acordou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Acordou chateado, e incomodado. Ele adorara aquela livraria que parecia não existir na sua “vida real”, mas que estava ali, no mundo dos sonhos. O que lhe importunou, porém, foi o livro. Ele queria tê-lo; queria lê-lo. Queria saber mais sobre aquela história secreta, extraordinária, desconhecida. Queria o livro, e não sabia como fazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Demorou-se alguns meses nesse leve, mas desconfortável sentimento, sem que isso mudasse de fato sua vida comum – afinal, era um sonho – mas como bom leitor, queria ter visto mais daquele livro. Tinha capa velha e desgastada, mas estava bem conservado, um sinal de robustez, respeito e singularidade. Era uma curiosidade, mais que uma obsessão, ler aquele livro; no entanto, precisava se conformar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Então, uma noite ele sonhou novamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Atravessava a praça, que levava até a livraria, aberta para a rua. Os livros maiores, como as enciclopédias, estavam arrumados na calçada, amarrados, esperando que alguém comprasse a coleção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Ficou feliz de estar ali. Sabia agora que era um sonho, e como tal, não estava lá por vontade própria, mas por acidente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;A oportunidade era única. Correu até a livraria, desejoso de ver o livro. Antes de encontrá-lo, porém, esbarrou com vários outros títulos que roubavam a atenção. Era difícil se concentrar; haviam muitos, e todos pareciam ter algo de especial, mas ele se forçou, andou, e chegou na prateleira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Ele estava lá. Não no mesmo lugar, alguém o havia mexido, ou lido. Excitado, o letrado pensou mais uma vez em lê-lo. Melhor: resolveu comprá-lo, e levar para a casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Mas não tinha dinheiro. No sonho, os acidentes sempre acontecem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O livro era um pouco caro – não muito, apenas acima da média – e o incomodava mais uma vez. Desesperado, e sem dinheiro, ele resolveu pedir ao livreiro que o guardasse, para que ele pudesse buscar dinheiro em casa. O livreiro, meio careca, bigodudo, do tipo gordo simpático, mais parecido com um dono de boteco, prometeu guardá-lo, com um desdém carinhoso do tipo “certo, certo, espero que você venha mesmo buscar...”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Feliz, a ansiedade tomou-lhe por inteiro. Havia entre a praça e a livraria uma pequena rua, na qual passavam ônibus. Um deles ia para sua casa. Atravessou a rua, tomado pelo desejo inevitável de ter o livro, e foi esperar o ônibus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Ia pegar o dinheiro logo, voltar no mesmo dia e comprar o livro. Mas o ônibus não vinha... Ele começou a ficar nervoso. Olhava para a livraria, pensava no seu livro, e a condução não chegava. Eram minutos sofridos e intermináveis. Começou a ficar nervoso, preocupado, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;E então, acordou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Acordou tenso, precisava urinar. O pior: teve o livro na mão, mas não o leu nem o comprou. Não sabia o que fazer. Agora estava enraivecido. Queria ver o livro, queria ler. Começou a dormir pensando na livraria, para ver se conseguia ir até lá. Leu um certo texto que ensinava a como dominar a si mesmo no sonho, para tentar voltar aquele lugar. Mas passou quase um ano, e ele não sonhava de jeito nenhum com a livraria. Chegou a imaginar bobagens; e se morresse, ele acharia o tal livro? Pensou também em largar tudo na vida real, aqueles livros todos pareciam agora prendê-lo, quando ele só queria ler um... Foi se desligando, aos poucos, do livro imaginário, desistindo de vê-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Então, uma noite, ele sonhou e voltou à livraria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Estava ali, diante dela. Controlou-se para não ser dominado pela emoção, e não se deixar levar pelo sonho. Tinha dinheiro dessa vez. Aprendera com aquele “controle do sonho” a materializar certas coisas, e o dinheiro que lhe faltara antes estava agora em seu bolso. Ele sabia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Atravessou solene a praça, para finalmente obter o seu desejo intimo. Encontrou o livreiro no sonho, e pediu seu guardado. Com um sorriso, o livreiro respondeu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;- Desculpe, você demorou a voltar e eu o vendi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Então, ele acordou. E estranhamente, estava mais calmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-6588741878770322062?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/6588741878770322062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/o-sonho-do-livro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/6588741878770322062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/6588741878770322062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/o-sonho-do-livro.html' title='O sonho do livro'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-7718001496021128144</id><published>2011-05-19T14:12:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.844-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>Honra e Vergonha</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1; mso-bidi-font-style:italic"&gt;Recuso-me a discutir com aquele que, pretendendo buscar a verdade, envergonha-se, ao mesmo tempo, de comer e vestir-se mal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-bidi-font-style:italic"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1; mso-bidi-font-style:italic"&gt;Confúcio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O estudo da ética se fundamenta, antes de tudo, na compreensão das complexidades que constituem a moral – principalmente no que toca a sua aplicação no cotidiano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Ao examinarmos os valores de nossa sociedade, constataremos a ampla dificuldade que existe em aplicá-los nos dilemas que se nos apresentam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;A moral é constituída num conjunto amplo de atitudes, comportamentos e noções de certo e errado cuja dimensão é difícil de apreender – quanto mais, de reduzir. Por outro lado, ela escancara mecanismos de funcionamento que tem por objetivo (não declarado) se transformarem em práticas coercitivas e impositivas, se possível se convertendo, também, em valores sociais. Atendendo ao “desvio padrão” – que cria tanto o simpático transgressor até o sociopata – estabelece-se uma tênue linha entre o apropriado e o inapropriado, de modo que os anseios pessoais sejam atendidos, ainda que ao custo da sujeição social e de prejudicar o alheio. O indivíduo aceita uma regra não dita – posto que não claramente escrita, mas aceita por consenso e conveniência – de que há meios “legítimos” para realizar o ilegítimo, e confirmá-lo como aceitável – quiçá aprovável – pelo restante da sociedade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Foi Dominic Crossan [a partir da leitura de vários outros teóricos] quem afirmou que as sociedades mediterrânicas vivenciaram uma relação de “honra e vergonha” – sistema que data da antiguidade, mas que é amplamente cabível a algumas sociedades modernas, inclusive a nossa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;“Honra e Vergonha” traduzem-se num mecanismo perverso que submete todos os outros valores morais a ma noção distorcida de “honrado” (apropriado) e vergonhoso (inapropriado). A percepção desses valores, contudo, é que conta para entender sua aplicação, e a conseqüente visão que a sociedade tem sobre elas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Assim sendo, um ladrão discreto ou um marido traído (ou traidor) podem ser entendidos como “honrados”, desde que mantenham as aparências. Roubar deixa de ser errado, desde que a culpabilidade não seja direta, e se dilua na sociedade – no caso do político corrupto, por exemplo, uma tal “honra” alcançada por meio de ostentação e poder, e alguma caridade populista – o protegem, inclusive, contra acusações de desonra ou vergonha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Um homem ou mulher traídos, igualmente, não precisam defender sua honra, contato que ninguém saiba de seus “erros” ou “fraquezas” de modo “inapropriado”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;No entanto, se o indivíduo for desgraçado por acusações de “vergonha”, nada do que faz poderá ser considerado apropriado. Um administrador honesto e capaz pode ser maculado por uma única acusação vil – se lhe atacam com um suposto crime (pedofilia, violência doméstica, crime sexual, hábitos excêntricos, ou qualquer outra coisa que possa sei entendida como escandalosa), ele perde sua moral e seus direitos – ainda que nada fique provado. Um homem ou mulher, por melhores que sejam suas atuações intelectuais, sociais ou humanistas, serão considerados “fracos” ou “incapazes” de executar seus trabalhos apenas porque foram abandonados por seus cônjuges dissolutos (ou os abandonaram, por motivos “não esclarecidos”, que forçam a invasão de sua privacidade como justificativa).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Esses são apenas exemplos gerais, que nos permitem nortear o entendimento de como “honra e vergonha” se aplicam em uma sociedade. Dentro de uma (i)lógica própria, as culturas determinam o que lhes parece apropriado ou não, gerando possíveis inversões ou revalorações tão problemáticas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;No caso do Brasil, fica claro como esse sistema não apenas sobrevive, mas enraizou-se em nosso modo de pensar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Num país “vitimológico”, a autonomia do indivíduo é superada e substituída por uma dependência quase maníaca por líderes autoritários e populistas. O estudo, a formação intelectual e moral, a dedicação interessada no trabalho são consideradas anomalias, são “vergonhosas”. Por isso se dá valor ao trabalho braçal, em detrimento da técnica ou da ciência; por outro lado, a formação superior contempla cada vez mais uma parcela social que não pensa o ensino ou a pesquisa, mas em como alcançar trabalhos que, mesmo aviltados, dão “sustento garantindo” (i.e., funcionalismo público), por um mecanismo de inversão curioso: o emprego se torna bom se o indivíduo não fizer nada- se fizer algo, passa a ser considerado pouco inteligente, pois realiza uma atitude redundante – trabalhar quando se tem o sustento “já garantido”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;É um clichê, sabemos, mas num país que arrecada mais dinheiro em um reality show do que para cuidar de crianças, percebe-se que o grave desvio que a noção de honra e vergonha cria na mente das pessoas. Professores tornam-se “inimigos”, e a exceção dos educadores demagógicos e populistas, são “envergonhados” cotidianamente, e desvalorizados. Pessoas são destratadas por suas opções sexuais e afetivas, conquanto se clama, arcaicamente, por “lavar a honra com sangue”nos casos em que o simples desentendimento ou desacordo conjugal, ao invés de dar origem a duas vidas livres e conscientes, transforma-se em uma situação de humilhação e perseguição, tudo por conta da “vergonha”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Quer seja assim, a política, a religião, a educação e mesmo a paixão nunca serão entendidos ou discutidos enquanto valores em si, mas como meios de se obter honra ou imputar vergonha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Esse transtorno mental e cultural é que explicam tal atraso em tudo: afinal, o pragmatismo não existe, senão como apenas um modo de executar os desatinos de “honra ou vergonha”, e atrela-nos a um passado cuja âncora não cria um porto seguro, mas justifica o medo de navegar – e inovar....&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1; mso-bidi-font-style:italic"&gt;O homem honroso dá atenção especial a nove coisas. Dedica-se a ver bem o que olha, a ouvir bem o que escuta; cuida para ter uma aparência afável, para ter uma atitude deferente, para ser sincero nas suas palavras, para ser diligente nas suas ações; no meio das suas dúvidas, tem o cuidado de interrogar; quando está descontente, pensa nas conseqüências desastrosas da cólera; frente a um bem a obter, lembra-se da justiça.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-bidi-font-style:italic"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-bidi-font-style:italic"&gt;(...) Buscar o bem, como se temêssemos não conseguir alcançá-lo; evitar o mal, como se tivéssemos enfiado a mão na água fervente; é um princípio que eu vi ser posto em prática e que aprendi. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1; mso-bidi-font-style:italic"&gt;Confúcio&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt; font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font: major-latin"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-7718001496021128144?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/7718001496021128144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/honra-e-vergonha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7718001496021128144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7718001496021128144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/honra-e-vergonha.html' title='Honra e Vergonha'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-6959606428347848076</id><published>2011-05-01T20:05:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.845-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>Crenças em que Além?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; text-align:center;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; text-align:center;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;O rei de Chu havia encomendado um elixir da imortalidade. Quando a poção ficou pronta, foi recebida com pompa e circunstância na corte. Um oficial abusado, porém, resolveu pegá-la e tomou tudo de um gole só. O soberano ficou enfurecido e resolveu condená-lo a morte. O oficial, no entanto, replicou: “mas senhor, se a poção funcionar, o senhor não poderá me matar”. O rei respondeu: “e se você morrer?”. “Então”, disse ele, “o senhor terá sido tapeado e matará um inocente”. Sem saber o que fazer, o rei ficou quieto e deixou pra lá...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; text-align:center;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Liu Xiang&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; text-align:center;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; text-align:center;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Em questão de crenças, se dá algo parecido. É mais difícil não acreditar em nada do que acreditar em algo. Mesmo assim, não acreditar em nada é uma crença de algum tipo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Isso nos remete à velha questão do relativismo; se tudo for relativo, no campo religioso, então isso seria também relativo, havendo uma verdade? Mas se houver uma verdade, ela não provará que a crença no relativismo é verdadeira, pois até ela é relativa? Do mesmo modo, se há uma verdade, então, as coisas não são relativas, o que nos remete a condição de que a intransigência de uma crença seria uma postura autêntica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Nossa fábula nos coloca no ponto central desse debate: a impossibilidade da constatação imediata das crenças. Se o soberano conseguisse matar – ou não – seu guarda, algo em sua crença seria decidido e afirmado. Contudo, há uma barreira moral, estabelecida pela própria crença, para provar sua veracidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;A mesma moral que impõe uma visão de mundo ideal, cuja recompensa é a vida abençoada do outro lado, coloca o impeditivo fundamental de se conhecer o “outro lado”. Com esse receio marcante, o temor da morte determina toda uma vida em função da própria morte! E, no entanto, porque acreditar em algo que não pode ser provado ou aferido?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Assim, pois, a dúvida alimenta a moral, mais do que a certeza da vida post-mortem. Tivesse o soberano matado seu oficial, ele saberia algo – mas quem deseja fazê-lo, de modo a cair na condição de erro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal;mso-pagination:widow-orphan lines-together; page-break-after:avoid"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Portanto, em questões de crença, o relativismo é antes de tudo um discurso de tolerância, mais do que de respeito à diversidade das crenças. Pois, quanto às provas, ninguém as tem – exceto os médiuns, para quem os acredita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-6959606428347848076?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/6959606428347848076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/crencas-em-que-alem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/6959606428347848076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/6959606428347848076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/05/crencas-em-que-alem.html' title='Crenças em que Além?'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-7362508389820162775</id><published>2011-04-27T15:49:00.000-07:00</published><updated>2011-04-27T12:43:50.588-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RII7VwD1kc8/TbSpB-7AoGI/AAAAAAAAA7E/vuaE9_MZ_A4/s1600/lei.GIF" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 105px; height: 305px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-RII7VwD1kc8/TbSpB-7AoGI/AAAAAAAAA7E/vuaE9_MZ_A4/s400/lei.GIF" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599286088263835746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-7362508389820162775?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/7362508389820162775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7362508389820162775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7362508389820162775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/blog-post.html' title=''/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-RII7VwD1kc8/TbSpB-7AoGI/AAAAAAAAA7E/vuaE9_MZ_A4/s72-c/lei.GIF' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-4301624499330814364</id><published>2011-04-27T12:39:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T18:27:37.846-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>Ideologia da Vitimologia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Nelson Rodrigues já havia dito: somos tão “humildes” que um dia teremos receio de sair de casa, com medo de sermos atropelados pelo carrinho de sorvete.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Sim, o Brasil é feito de vítimas. Vítimas da sociedade, vítimas do sistema, temos tantas vítimas que faltam culpados – razão pela qual as vítimas de verdade nunca encontram a quem processar quando precisam, e a culpa nunca é de ninguém quando os problemas chegam – ou , no reverso bipolar dessa nossa condição nacional, a culpa se dilui entre todos; “todos somos culpados disso”, se diz, para que todos sejam vítimas uns dos outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;O verdadeiro “culpado” – o que se vira, o que corre atrás, que empreende e trabalha – adquiriu, ao longo dos últimos anos, além de uma pesada carga de impostos, a “responsabilidade social” &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;- ou seja, a culpa dele fazer por si próprio o que os outros não fazem por si mesmos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Envergonhado por trabalhar e estudar, ele é tripudiado pelas vítimas, cujo “sofrimento atroz” justifica todo e qualquer tipo de abuso contra quem faz algo de bom.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Desestimulados, muitos desistem de se culpar por fazer a coisa certa e se entregam ao errado, abandonando-se e se tornando novas vítimas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Um país assim adora líderes, que fazem “tudo pelo povo” – suas vítimas preferidas – e muitas vezes, ao invés de trabalhadores incansáveis, são justamente os exemplos de indolência – justificando a vitimologia e dando o exemplo do “correto que vêm de cima”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;A vitimologia é a pior das ideologias, propagada por um governo incompetente e uma sociedade conivente, que destroem o seu amor-próprio em função de uma subserviência declarada, um desejo inesgotável de ser nada para conseguir alguma coisa – afinal, pra quem se contata com pouco, o nada já e razoável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Por isso, para se fazer uma nação poderosa, é preciso lembrar – mais do que o “choro dos tadinhos” de Confúcio, no Justo Meio (Zhong Yong), quando ele diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Aquele que é sincero consigo mesmo chega ao justo (Centralidade) sem esforço, compreende sem pensar, e segue facilmente pela medida (Caminho); este é o sábio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1"&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;Buscar esta sinceridade consigo mesmo é acolher o bem dentro de si e o manter de forma firme; estudar para ampliá-lo, buscá-lo com precisão e raciocinar com atenção, discernindo-o com clareza, e o pondo em prática por completo em tudo que faz.&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;Há pessoas que não estudam, ou estudando, não buscam ampliá-lo, mas não o abandonam [o caminho]. Há pessoas que não o buscam, ou buscando-o, não fazem com precisão, mas não o abandonam. Há pessoas que não raciocinam, ou raciocinando, não o fazem com atenção, mas não o abandonam. Há pessoas que não o discernem, ou discernindo-o, não fazem com clareza, mas não o abandonam. Há pessoas, por fim, que não o põe em prática; ou pondo-o, não o fazem por completo, mas não o abandonam.&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;O que os outros fazem uma vez, elas fazem cem vezes;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;O que os outros fazem duas vezes, elas fazem mil vezes;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;Se alguém for capaz de realmente seguir este caminho, seja um tolo, ele se esclarecerá; seja um fraco, ele se fortalecerá.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-indent:0cm;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family: &amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin"&gt;Sem o que, um dia, a conta vai estourar, e todos serão vítimas de verdade... ou já não o são?&lt;span style="color:#333333"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-4301624499330814364?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/4301624499330814364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/ideologia-da-vitimologia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4301624499330814364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4301624499330814364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/ideologia-da-vitimologia.html' title='Ideologia da Vitimologia'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-7424623663369574168</id><published>2011-04-27T12:21:00.000-07:00</published><updated>2012-01-28T08:35:22.413-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Observatório Sínico'/><title type='text'>Buda da Sorte</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-pYoZ0_aH1MY/Tbhs4Ivyv0I/AAAAAAAAA7s/XvdU6NBpYvA/s1600/e10.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5600345848311627586" src="http://1.bp.blogspot.com/-pYoZ0_aH1MY/Tbhs4Ivyv0I/AAAAAAAAA7s/XvdU6NBpYvA/s400/e10.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 391px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;“Aprende antes a servir os vivos”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;Confúcio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;Zhongli Quan é um dos sete – às vezes oito – imortais caminhantes. Gordinho, simpático, ele traz a sorte. Porque foi confundido com Buda, ninguém sabe. Buda devia ser magro, mesmo famélico, depois de suas meditações: não trazia sorte também, apenas prometia salvação – a custo de muito trabalho. Como ele foi virar um deus barrigudo da fortuna, isso é uma incógnita. Durante a época Song, uma imagem rechonchuda de Buda (Budai em chinês, e no Japão chamada Hotei) surgiu, e essa pode ser uma possível origem para confusão. É difícil, contudo, afirmar qualquer coisa nesse sentido, já que budistas e caminhantes não gostavam de se misturar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;Buda defendia o desprendimento dos bens materiais; só pode ser uma ironia que ele fosse sincretizado com uma entidade absolutamente oposta, mas não é isso. Para uma religiosidade popular, que adotou Buda como um caminho, ele representa tudo de bom. E o bom, nesse caso, é a fartura e a riqueza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;“Quando não se conhece os ritos, o que se sabe?”, disse Confúcio. A mensagem de Buda era um alívio para o tormento post-mortem dos caminhantes. A salvação individual é um consolo, um contrato direto com o nirvana. Para o povo, essa salvação começa aqui: e Buda transforma-se, então num provedor – igual à Zaoshen, que freqüenta as cozinhas, e atende os desvalidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;Da cozinha para a geladeira. Foi o que o ocidente fez, na carona da ignorância sobre o budismo e o daoísmo, colocando um Buda de geladeira no lugar do deus da cozinha... Adotado pelos cultos afros e esotéricos, ele mantém consigo a fama de atrair riqueza, o que se faz depositando algumas moedas sobre seus pés. Posto de costas para a porta (como um elefante indiano!), ele afasta o “mau-olhado”. Por fim, alguns cristãos ignorantes o taxaram de demônio – ou seja, o que pode “trazer felicidade nessa vida” não pode ser bom...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;No Brasil multicultural, ele faz companhia ao pingüim e as velas. Uma trajetória assim tão criativa, tão repleta de erros, interrupções e recriações, merecia um estudo mais aprofundado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;Mas quem pode dizer que ele não expressa, justamente, o que os seus devotos querem? Como não concordar que, para além do que ele deveria ser, ele se tornou algo ainda mais incrível e profundo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;“Há deuses em todas as partes, no Céu e na Terra”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;Livro dos Poemas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-7424623663369574168?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/7424623663369574168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/buda-da-sorte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7424623663369574168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/7424623663369574168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/buda-da-sorte.html' title='Buda da Sorte'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-pYoZ0_aH1MY/Tbhs4Ivyv0I/AAAAAAAAA7s/XvdU6NBpYvA/s72-c/e10.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-2707682934495879365</id><published>2011-04-24T15:35:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T15:39:07.110-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>As alucinações do Poder Imperial</title><content type='html'>O Mandato do Céu é dado àquele que irá restaurar a ordem cósmica. Contudo, ele exige uma sabedoria e uma força interna que são virtudes raras de se achar. Na ausência de um sistema educacional eficaz, isso fica ainda mais difícil, dado o despreparo dos seres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, quando os mais preparados são levados diante de sua missão, eles costumam recusar de início. Tanto por humildade, mas diante da tarefa colossal que tem por realizar, o aconchego do lar se torna muito mais interessante do que os anos de privação que o sábio terá que enfrentar. Diante da responsabilidade, porém, ele acaba cedendo à empreitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois, quando sua missão está cumprida, ele em geral não lembra, e nem procura saber, como chegou lá. Ele prefere se voltar às coisas simples, como escrever, cuidar do jardim ou pintar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que se aprende ao se pôr ordem no mundo é que, apesar das pessoas serem variáveis, o simples exemplo e a liberdade no agir estabelecem as coisas. Deixar as pessoas apenas fazerem o que querem, permitir que cumpram suas obrigações em paz, isso é o mais fácil e o adequado. Letrados e caminhantes já sabiam disso. Não é difícil corrigir os excessos quando direitos e deveres são definidos e cumpridos. De fato, numa sociedade ordeira, a vergonha faz o trabalho da polícia entre os inconvenientes e abusados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o ideal. Mas como os seres são únicos, e em sua ignorância desconhecem a ordem natural da mutação, eles se arrogam a prerrogativa de tomar para si o mandato do céu e as funções da sabedoria. Essas pessoas alucinadas sofrem com o delírio do poder imperial, numa sanha abjeta de impor suas vontades egoístas. Incapazes de buscar a sabedoria – embora saibam identificá-la quando a vêem – os alucinados criam expedientes para tentarem se fincar no poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o conseguem, pela força de sua persuasão, e pela ausência indistinta de todo o restante das pessoas, os alucinados determinam e impõem todo azar das calamidades e excessos que destroem a dinastia e põem em desordem o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Expedientes&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sunzi já sabia que um grupo pequeno, mas determinado em seus propósitos, pode alcançar vitórias inimagináveis. Os que sofrem dos delírios e desejos de poder em breve se associam, para promoverem a dominação. Caso interesse ao buscador conhecer melhor esses expedientes, aqui vão os mais comuns:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difame: um bom trabalho é reconhecido pela inveja que desperta. A difamação consiste nisso. Quando bem feito, e os resultados aparecem, o autor é chamado de arrogante, exibicionista e prepotente. Isso fica mais evidente quando os incompetentes, no desejo de concorrer, mostram suas produções descabidas e suas idéias absurdas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reclame: um bom trabalho pode ser feito a partir de pouco. Quando isso fica claro, os intrigantes reclamam que trabalhos com “poucos recursos” inibem investimentos superiores e legitimam a penúria. Para esses, somente uma cornucópia de dinheiro pode sustentar uma empreitada modesta.No entanto, governos reconhecem iniciativas inventivas, e não raro decidem implementá-las. Assim, quando o sábio consegue recursos novos para aumentar suas obras, é chamado de áulico e bajulador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intriga: um sábio não se importa em dividir seu arroz com um faminto. Com pouco ele faz muito, e sua tarefa lhe exige criatividade. A intriga consiste em pôr dúvidas as suas realizações e altruísmo; “de onde ele tirou dinheiro para isso?”, vão dizer. Se o sábio passa a cuia de esmolas ou tira de seu próprio bolso, isso é inconcebível: novamente, ele “legitima o abandono do governo” e dá “mau exemplo”, pois se imagina que será moralmente exigido dos colegas o que ele faz por conta própria. Se ele busca a generosidade alheia, é acusado de evidenciar a “pobreza” da Instituição em que trabalha, lançando-a na “vergonha” (e impondo a legitimação do governo pelo “disse-me-disse”). Nos países mais desenvolvidos do mundo, as pessoas de posse sabem do valor de investir na educação, e não raro doam recursos para pesquisas e bibliotecas. Mas para quem não é humilde, o mecenato é uma ofensa, a caridade uma desonra, e o altruísmo uma insensatez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prevaricação: não raro, porém, os alucinados acreditam que a malversação de recursos, a incompetência e o suborno são formas de amealhar fiéis. Por isso, apesar de seu discurso de favorecer o mundo, eles cobram por tudo – e bastante. Eis porque lhes é incompreensível a razão pela qual o sábio faz o que faz com o povo e para todos. Abnegação e dedicação ao outro são atitudes e sentimentos incompatíveis com a tomada de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerceamento: é importante que o sábio seja acusado de tudo isso antes que ele denuncie os erros alheios. Obrigado a responder pelas calúnias, o sábio se vê forçado a abandonar parte do seu trabalho para responder a algumas delas. Num primeiro momento, se as calúnias não interferem no andamento dos projetos, o próprio sucesso será a resposta. Contudo, por vezes os delirantes decidem impedir a continuidade dos bons trabalhos, com receio que o sábio lhes tome o poder que tanto almejam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por isso, quando o sábio se defende, parece que ele é o causador dos problemas, mas não é. Mesmo que prove que suas atitudes são sensatas, e que sua figura é inocente, ele se transforma em um “transtorno” para muitos, que o consideram chato, reclamão e criador de confusões. Poucos percebem que ele sofre uma perseguição, e são menos ainda os que se colocam ao seu lado. Muitos preferem ignorar o assunto, seja por conivência, seja porque não querem se importunar. Tais pessoas, de atitude indistinta, não percebem que caso os alucinados pelo poder imperial assumam o governo, isso lhes afetará também. A leniência e o descaso são amigos da destruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No entanto, tornar-se um chato também é uma fonte de poder. Diante das argumentações insistentes, alguém pode obter o que deseja, embora não saia por simpático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Saídas&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso tudo, a prática da sabedoria parece desanimadora. Mas o desânimo e o pessimismo não são companheiros da razão. Deve-se observar a situação e avaliar as possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com líderes fracos, ou sem colegas de personalidade, é melhor retirar-se, sem culpa. Não há clima para a mudança ou evolução. Deve-se aguardar a mutação agir, e na época de calamidades o sábio é chamado de volta. Com Confúcio foi assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em governos dirigidos pela maledicência, ganância e fofoca, não há muito que se fazer, já que as decisões não se baseiam nas leis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em lugares onde há liderança, se ela for forte ou de personalidade definida, pode-se empreender. Ainda que possa haver discordâncias, onde a sinceridade é um hábito, a compreensão e o bom entendimento são coisas comuns e práticas usuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o poder é vacante, o sucesso do sábio se evidencia, e ele terá associados para realizar seus projetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deve aquele que busca a sabedoria ausentar-se da tarefa de transformar o mundo, mas apenas saber quando e como realizá-la. Senão, do que consistiria o seu caminho? A educação é um projeto constante, contínuo, e revivenciador dos princípios que constituem a cultura e mantém a humanidade. Isso é imprescindível, e precisa ser feito sempre. Por essas razões é que a sabedoria necessita de coragem, força interna e paixão pelas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o desânimo invade o coração é importante não abandonar-se ao contexto histórico que a situação implica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sabedoria é o contraponto da desordem, e serve justamente para resolvê-la, doravante trazendo a ordem perdida para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo de adquirir poder daqueles sem as qualificações necessárias pode mesmo atingir suas metas, mas os custos são altos e destrutivos. O que se pretende o sábio, pois, é ensinar e elucidar as pessoas a evitarem que a maldade e a ignorância se apoderem de seus corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sábio deve, pois, agir com discrição, buscando evitar que seus talentos se revelem de modo estrondoso e causando, assim, os problemas citados. Deve ser igualmente paciente e humilde, no sentido de não impor autocraticamente o seu ponto de vista. No entanto, não se pode confundir gentileza, discrição, humildade e paciência com submissão e conivência. Diante do erro, ele deve revelá-lo, de modo a resolvê-lo. Não deve mudar suas opiniões, se isso implica em realizar algo inapropriado. Ser constante na prática do caminho, aberto às opiniões, ponderado, exigente e compreensivo, mas sem ser fraco; esse é o sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois aquele que acha esse caminho difícil, espere a guerra, a desolação, a destruição, a ignorância e a falta de perspectiva para dedicar-se a ele com afeto zeloso...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-2707682934495879365?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/2707682934495879365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/as-alucinacoes-do-poder-imperial.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2707682934495879365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2707682934495879365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/as-alucinacoes-do-poder-imperial.html' title='As alucinações do Poder Imperial'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-4033177947066265194</id><published>2011-04-24T15:33:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T15:35:04.689-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Diante do Mal</title><content type='html'>Se não há mal absoluto, e se ele é fruto da ignorância, há que se admitir também que existem pessoas demais no mundo que militam na ignorância. E nisso, eles se desdobram na prática do que é inapropriado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é: diante do mal, sabemos que a melhor resposta é a educação. Mas se ele se manifesta de modo direto e ameaçador, o que fazer? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns insistem que a inação é o meio certo de se combater o mal. Mas quanto tudo estiver destruído e o mal, esgotado em si mesmo permitir o retorno do bem, o que terá sobrado? Quem será testemunha do novo ciclo da mutação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo modo, combater o mal com o mal é usar ignorância contra ignorância. O tratado das mutações afirma isso: os maus, perante o desagrado, reagem com violência. O sábio, porém, não deve usar da mesma. Confúcio, porém, disse: “retribui o bem com o bem e o mal com justiça”, o que significa: não se pode tolerar o mal que corrói e destrói a tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sábio, pois, busca educar; quando isso falha, aconselha; quando isso falha, adverte; e quando isso falha, invoca a punição justa sem excesso, mas adequada a inibição e correção do mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em face do mal, pois, é preciso combatê-lo com prudência, cuidado e paciência. Não existe a idéia de extirpá-lo pela simples abominação que ele causa, mas pelo desejo sincero de reformar o mundo pelo humanismo. Nada se ganha apenas punindo ou lutando com tenacidade. A obstinação deve ser em esclarecer, e tornar a vida de todos melhor.&lt;br /&gt;Ainda que as propensões levem os seres aos desatinos, o ajuste constante é o melhor meio de combater o mal pela raiz. A supressão violenta causa rancor e temeridade, a leniência e a indisciplina permitem a desagregação da cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção, dedicação, educação e paciência. Em face do mal, são as melhores armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o sábio carrega uma espada consigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-4033177947066265194?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/4033177947066265194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/diante-do-mal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4033177947066265194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4033177947066265194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/diante-do-mal.html' title='Diante do Mal'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-2083998374830092164</id><published>2011-04-24T15:30:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T15:33:05.913-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Coisas soltas</title><content type='html'>Um aprendiz buscou o sábio que dormia para tomar algumas lições sobre como pôr o mundo em ordem. Chegando lá, esperou o mestre acordar, e fez-lhe um chá que havia trazido. O mestre achou gentil e divertida a atitude do rapaz, e perguntou no que poderia ajudá-lo. Ele disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mestre, me ensine como pôr as coisas em ordem no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestre deu uma risadinha, um suspiro e respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é fácil. Comece arrumando meu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discípulo olhou os livros espalhados, a cama desarrumada – mas extremamente gostosa, parecia – alguns objetos dispersos e ficou confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- onde quer que os coloque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- em qualquer lugar que você quiser, - disse o mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas o senhor pode não gostar da minha arrumação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sim, é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e como faço para acertar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e se eu não te disser como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- então, não vou saber. Terei que tentar até acertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestre sorriu e lhe disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- como você vê, quem disse que o mundo já não está em ordem? Você olha essa bagunça e não percebe ordem nela. Mas e se eu te disser que já há uma ordem aqui? Aquela que eu mesmo criei, que me dá conforto e que está a mão quando eu preciso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aprendiz se sentiu iluminado com aquilo, como se tivesse tomado um tapa na cara. De repente, estava tudo em seu lugar certo. Então, ele perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mestre, a atitude correta, pois, consiste em não agir, e deixar tudo fluir naturalmente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- claro que não! - disse o mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreso, o rapaz não entendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- por acaso a maçã virá da árvore até sua boca se você não se mexer? Haverá arroz se você não planejar a plantação? Não, não... a ordem respeita a natureza, com certeza... mas ela depende da atitude interior de querer mudar as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não entendi, - falou o rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- pense no mundo como uma casa, repleta de coisas soltas pelos cantos. As panelas são para a cozinha, as camas para o quarto e os livros para a estante. Esse é o estado natural das coisas. Há – e não há – ordem, pois tudo está no lugar, e assim nada se mexe. Quando você leva um livro para a cama, quando come na sala, quando toma um chá na varanda, aí sim, você está criando uma nova ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas tirar as coisas do lugar não seria uma desordem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e como você vai inventar coisas novas se não o fizer? Como criar uma nova ordem se não houver desordem? Olhe novamente o quarto; para quem observa as convenções de modo superficial, ele está uma bagunça; mas para quem estuda, dorme ou se diverte lendo e conversando, este é o canto mais aconchegante que há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- então, uma boa bagunça pode ser a ordem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não, não – disse o mestre rindo... – isso seria somente desordem. Não ajudaria muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- por favor, me explique, fiquei confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- se você comer sempre no quarto, as baratas tomarão primeiro a cozinha, depois, irão visitá-lo no seu canto. Se os livros saírem da estante, você os perderá. Mesmo a desordem acompanha a ordem. Como no mundo, os excessos levam à perda, a violência e ao desgaste. Deve haver um balanço equilibrado, um ajuste constante entre o natural, o necessário e o ideal. Isso é He 和 – a harmonia – a justa medida entre o que queremos e o que podemos. Se há uma sabedoria, ela consiste nisso: ponha ordem no que você pode, e o resto se ajeita. Não force demais, nem fique parado; haja conforme o necessário, arrisque aos poucos, e na calmaria faça e execute os planos futuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o mestre terminou, o aprendiz olhava os aposentos de outro modo. Estava tudo em harmonia, tudo estava no seu devido lugar, embora nada estivesse mesmo no seu lugar. Do mesmo modo, o mundo lhe pareceu uma casa cheia de coisas soltas; algumas no seu lugar, outras não, e uma vida inteira para se mexer nisso tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-2083998374830092164?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/2083998374830092164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/coisas-soltas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2083998374830092164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2083998374830092164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/coisas-soltas.html' title='Coisas soltas'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-8620329761628966405</id><published>2011-04-24T15:26:00.000-07:00</published><updated>2011-11-07T19:47:06.274-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Quando não se vê a si mesmo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;Era um funcionário dedicado, mas não bem sucedido. Seus esforços calculados, visando o maior bem – ou talvez, o menor incômodo – não atingiam os objetivos. Vivia em meio a um reino em que a cultura da inação era a tradição do trabalho. Embora quase se pudesse acreditar que este povo pretendia a salvação pela não-ação, não eram, contudo, nem caminhantes nem budistas; eram apenas adeptos da inércia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mesmo os demônios pareciam ter desistido de lá; afinal, não era preciso fazer nada para aquela terra ficar ruim. E qualquer ação nesse sentido talvez não fosse bem sucedida também. Afinal, nem atrás de pecados essa gente corria; elas os inventavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente a crítica maldosa tinha adeptos. O exercício da retórica e do debate era levemente exercitado, com fins de coibir ações industriosas. E nesse caso, nosso magistrado pintou em si um alvo de injúrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que suas empresas incomodavam; mesmo que tudo ficasse melhor com suas propostas, fosse por inveja, ganância ou pela mais pura indisposição, seus detratores o impediam em quase tudo. Era quase de se crer que trabalhavam mais para não labutar do que outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, então, desolado, este homem sentou-se exausto e se abandonou. Viu-se vencido, paralisado pelo marasmo que consumia a todos. Nessa hora apareceu o Andarilho Celeste, passeando pelo mundo, que se compadeceu do pobre homem e se dispôs a papear com ele. Após ouvir seus tormentos, o andarilho, com olhos de quem já viu tudo que deveria, falou com o magistrado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- meu caro amigo, suas virtudes denunciam os erros alheios; suas ações, a incompetência dos outros. Não pense que você não faz nenhum bem. Entendo o que você sente; há névoas dentro de si, e você não olha com claridade o que há ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e o que há, então?, perguntou o magistrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- há um mundo. Há outros lugares. E há o simples passo de fazer o certo. Obviamente que às vezes é difícil enxergar o que funciona. Mas se o mundo parasse de vez, não existiríamos. Suas obras ajudam a continuar o movimento e a mutação. E quando você realmente cansar de promover o bem aqui, ou ver que esta seara se esgotou, você estará pronto para ir. Se não sentirem uma saudade inquietante de você, você receberá uma dispensa completa e sem ressentimentos para ir embora. Irá onde quiser, mas grande como você se construiu a si mesmo. Não se olhe no espelho para se descobrir menor do que é. Apenas quem é pequeno, de fato, se empavona com sua própria imagem para se tornar algo que não é. Quando finalmente terminar sua missão, pode ir; mas se sofre, e se fica, é porque ainda não acabou; e se há resistências, é porque enfrentou a luta certa. Quem no caminho certo o veria como um caminho errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem se iluminou com as palavras do andarilho. No dia seguinte, movido pela obstinação em ajudar a humanidade, adicionada a uma boa dose de birra, ele fez mais não sei quantos projetos novos. Sentia-se longe de conformar-se com a mediocridade, como se parte de si mesmo fosse movida mais pelos problemas que há para se resolver do que pelas respostas existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, rezou; e foi fazer o que tinha que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Repita-se dez mil vezes um ideograma e ele começará a fazer sentido por si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-8620329761628966405?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/8620329761628966405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/quando-nao-se-ve-si-mesmo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/8620329761628966405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/8620329761628966405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/quando-nao-se-ve-si-mesmo.html' title='Quando não se vê a si mesmo'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-4313785765400132983</id><published>2011-04-24T15:24:00.001-07:00</published><updated>2011-04-24T15:25:57.887-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Predições Incômodas</title><content type='html'>Dizer a verdade ou o que é bom? E como admitir que ambas não são a mesma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao consultar o Ijing, - o tratado das mutações – a ânsia de uma boa predição é proporcional a eficácia do conselho. Quem, porém, já não sofreu a indisposição absoluta de receber um conselho contrário, ou de ser apresentado a uma limitação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito subterfúgios para se reler um mau augúrio: o despreparo íntimo, a pressa, a ansiedade, a incompreensão. Mas o Ijing não falha. Falhamos nós? Então, porque consultar o oráculo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, na ausência total de uma perspectiva, buscamos a resposta nas mutações. Se nos soa favorável, tomamo-las por verdade, capaz de operar as mudanças necessárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso muito, pois, para saber que é necessária coragem e sabedoria para consultar o livro. Só assim há capacidade de discernimento para averiguar o apropriado e o inapropriado. Mas quem tem coragem, sabedoria e discernimento, precisa consultar o oráculo? Só por humildade. E o humilde não se dispõe a fazê-lo por respeito...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-4313785765400132983?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/4313785765400132983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/predicoes-incomodas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4313785765400132983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4313785765400132983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/predicoes-incomodas.html' title='Predições Incômodas'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-1870794875992173025</id><published>2011-04-24T03:26:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T03:30:25.583-07:00</updated><title type='text'>Ensaios de Oito Partes, completo</title><content type='html'>&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 210px; height: 287px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-0REqyQ0FsgQ/TbP7Z_Pnc_I/AAAAAAAAA6c/BrnywnUgZCQ/s400/oito.GIF" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599095185643893746" /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;pid=explorer&amp;amp;chrome=true&amp;amp;srcid=0ByKChEwj87BgMGM2YjI0OWMtYjVkMy00ODNlLTk3MzAtZTZjNzZmYjY3ZDgy&amp;amp;hl=en&amp;amp;authkey=CKCPz64K"&gt;ENSAIOS DE OITO PARTES&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-1870794875992173025?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/1870794875992173025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/ensaios-de-oito-partes-completo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1870794875992173025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1870794875992173025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/ensaios-de-oito-partes-completo.html' title='Ensaios de Oito Partes, completo'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-0REqyQ0FsgQ/TbP7Z_Pnc_I/AAAAAAAAA6c/BrnywnUgZCQ/s72-c/oito.GIF' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-3378494191244928186</id><published>2011-04-23T09:53:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T10:10:18.506-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Dazibao</title><content type='html'>O magistrado local havia convocado a reunião. Seria na verdade uma palestra, feita por um emérito sábio vindo de fora, que trataria de educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A preocupação do magistrado era-lhe clara: os educadores iam de mal a pior. Em sua ignorância abissal, esta gente que nada sabia ensinava de tudo. Desenvolveram uma crença quase religiosa em seus “saberes” fantasiosos, mas sabiam, no fundo, que sabiam muito pouco. O magistrado já percebera, e precisava mudar a situação – afinal, uma terra sem educação é um campo desolado e perdido, em que as ervas daninhas tomam o bom fruto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então ocorreu-lhe a idéia de chamar este sábio, e convocar os professores para ouvi-lo. Quem sabe isso não poderia tocar seus corações duros, e ajudar a todo o povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No dia marcado, estavam todos presentes no pavilhão da invocação da primavera, para tornar tudo mais auspicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estava lá um professor que havia criado um projeto para investigar a exploração dos pobres. Suas supostas descobertas apontavam a culpa do governo em tudo, embora ele louvasse o mesmo governo por financiá-lo. Ele proclamava, aos quatro ventos, que se pudesse assumir o mesmo governo, sua primeira medida seria criar mais projetos contra a exploração dos pobres, assim como o dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Havia também um casal de professores que ensinavam de tudo: dança, teatro, filosofia, letras, culinária e estratégia. De fato, eles não ensinavam nada, e sabiam menos ainda; mas começaram a dizer que somente seus iniciados poderiam compreender suas lições sublimes. Não demorou que um certo número de ingênuos, incautos e aproveitadores se aproximassem deles; e como constatassem que nada aprendiam – ainda que fossem iniciados – começaram a repetir a lorota de seus mestres, para não passar vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estava também um que era só risadinhas, e que todos consideravam a diversão da turma. Como havia conseguido algum sexo fácil, convencera-se que estava no caminho certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outro, ainda, achava que a educação era um meio de promoção social e ganho financeiro. Como era um comerciante mal-sucedido, um cobrador mal-sucedido, um atleta incompetente e um aluno medíocre, arrogou-se ares de erudito e investiu na traição, na intriga e na indistinção. Conseguiu meia dúzia de fiéis iguais a si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esses eram alguns do vasto público com que o sábio teria que lidar. Quando ele chegou, recebeu as palmas calorosas e hipócritas de quem quer muito ganhar, mas está disposto a pouco ouvir. O sábio foi recebido como alguém que vinha ensinar a vender um produto qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas ele era um sábio de fato. O magistrado depositava nele a confiança de sua profundidade e a agudeza de sua mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao chegar, um mero olhar já propiciou ao sábio um panorama do que teria de enfrentar. Firme, porém, e movido pelo hábito da verdade, ele começou sua preleção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Caros colegas;&lt;br /&gt;Vivemos no mundo da mutação. É um tanto óbvio começar dizendo que tudo muda, e que nós só acompanhamos este movimento. No entanto, o mesmo se dá com o conhecimento. Por isso, vim hoje lhes avisar que vocês sabem muito pouco – menos do que pensam. E talvez, NADA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquela platéia de ilusão engoliu em seco, ofendida por esta afirmação escandalosa e eu lhes parecia agressiva. Contudo, alguns – cientes de que nada sabiam mesmo – intuíram que seria bonito repetir as palavras do sábio. Afinal, nada melhor para a falsa humildade do que afirmar que “não sabemos de nada”, ou “eu não sei isso”. Muitos professores haviam aprendido que essa era uma boa desculpa para “construir conhecimento com os alunos” – algo semelhante ao que acontece nos dias de hoje quando uma professora pede dicas de moda para suas alunas, ou quando docentes aprendem a usar um telefone celular com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o sábio não se intimidou: - e quando falo isso, não afirmo para desmerecer apenas o que aprendemos. Mas a questão é que precisamos continuar estudando sempre. Se nos dispomos a ensinar, precisamos saber o antigo e o novo. Assim como um macaco não cai no mesmo truque duas vezes, o ser humano não deveria fazê-lo. Como se contentar, portanto, em ficar vinte ou trinta anos repetindo as mesmas lições? Um cavalo velho não puxa carroça; um remédio antigo não faz mais efeito; e uma pessoa cujos conhecimentos não evoluíram não deveria ensinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa realmente incomodou os “educadores”. “Agora, além de dizer que não sabemos nada ele quer que voltemos a estudar, como crianças?”. Esse era o pensamento geral. Imagine! “Estudei para ter esse emprego; agora que o tenho, preciso estudar para mantê-lo?”, diziam outros para si mesmos. Alguns ensaiaram que iam levantar e ir embora. Mas o sábio continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- pois aquele que não sabe, não aprende, e mesmo assim ensina, esse demonstra não ter princípios. É um mentiroso, um impostor, e o que ensina aos seus alunos é a falsidade, a ganância e o caminho da desilusão. Alguém sem princípios não pode ensinar princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesse momento, a turba irrompeu: “está nos chamando de mentirosos?”; “veio aqui nos ofender?”, berravam os “educadores” numa balbúrdia terrível. A gritaria generalizada correspondia a uma confissão de culpa, embora eles não pudessem compreender essa sutileza. Os maus, quando ofendidos, partem para a violência e o deboche, da ira à ofensa e ao escárnio. Em peso, atiçaram o magistrado a levar aquele “homem grosseiro” embora, antes que se desse um tumulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sábio não se incomodou. Desde Confúcio, os que desejam ensinar o caminho da sabedoria correm esses riscos. Ele pegou suas coisas e foi embora. Sua partida foi a previsão de um mau agouro. Ele e seu amigo magistrado já sabiam disso. Pouco tempo depois, o segundo abandonou seu cargo também, e sumiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se fizeram as convocações, e um pilantra qualquer virou o novo magistrado. Este contratou sofistas para dar palestras em troca de dinheiro, e consolidou-se a pedagogia da falsidade. Quando os mestres não dizem nada que preste, os discípulos que nada sabem confirmam seus saberes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não passou um ou dois anos e os alunos ludibriados queriam enganar também e ganhar seu troco. A disputa pelas vagas descambou na violência. A sociedade adotou a força como medida da razão, e o mais bruto começou a ditar as regras do apropriado e do inapropriado. Quando finalmente se tornou insuportável, o governo central interveio com mais violência ainda, matando muito, prendendo outros tantos, e pondo uma ordem artificial em meio aquele caos. Pairava, porém, uma sensação de injustiça no ar, pois era corrente entre os educadores que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eles não sabiam de nada... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;他们不会了乌有&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eles não fizeram nada...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;他们不作了乌有&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eles não entenderam nada...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;他们不懂了乌有&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;......&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No dia em que o sábio foi embora, ele pincelou um dazibao – um cartaz de grandes palavras – dizendo a famosa frase do mestre Confúcio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-oO451HsL0Vw/TbMHhSWGd2I/AAAAAAAAA58/axMMI96u6r8/s1600/200138772021303578325.png" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 138px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-oO451HsL0Vw/TbMHhSWGd2I/AAAAAAAAA58/axMMI96u6r8/s400/200138772021303578325.png" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5598827030193272674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;"Não tema ser desconhecido pelas pessoas, tema somente desconhecer as pessoas"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-oO451HsL0Vw/TbMHhSWGd2I/AAAAAAAAA58/axMMI96u6r8/s1600/200138772021303578325.png" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-3378494191244928186?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/3378494191244928186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/dazibao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/3378494191244928186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/3378494191244928186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/dazibao.html' title='Dazibao'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-oO451HsL0Vw/TbMHhSWGd2I/AAAAAAAAA58/axMMI96u6r8/s72-c/200138772021303578325.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-4725604471579788717</id><published>2011-04-18T22:07:00.000-07:00</published><updated>2011-04-18T22:09:43.950-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio de Oito Partes'/><title type='text'>Uma teoria daoísta do sonho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;O Mestre não gostava de falar de coisas espirituais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Confúcio&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Zhuangzi sonhou que era uma borboleta. Ao acordar, não sabia se era ele que sonhara ser uma borboleta ou se era uma borboleta sonhando ser ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Zhuangzi&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O sonho foi a atividade humana que mais motivou a concepção de existência da alma. Ao dormir, o ser humano – no estado mais próximo da morte total – acorda, porém, no mundo do sonho, em que aparentemente pode viver um momento de outra vida. É o sonho, pois, a prova da alma? Na visão daoísta, o que o sonhar representa para os seres?&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Confúcio dizia que antes de nos preocuparmos com os mortos, devíamos saber servir aos vivos. Com isso, ele não descartava de modo algum a existência dos espíritos, mas insistia que discutir sua presença e atuação seria uma questão extremamente problemática. O encontro com os ancestrais se dava em ocasiões apropriadas, durante cerimônias que determinavam o trânsito entre os mundos. O próprio Confúcio chegou a afirmar, no Justo Meio: “O poder das forças espirituais no Universo - como se faz sentir por toda a parte! invisível aos olhos, e impalpável aos sentidos, é inerente a todas as coisas e nada escapa à sua influência". No entanto, seriam as forças materiais que regeriam o mundo – e o Tratado das mutações cumpria devidamente este objetivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Já os caminhantes eram escapistas, e lhes interessava, justamente, a possibilidade de ausentar-se dos laços que os ligavam a este mundo. O privilégio aos aspectos espirituais do ser, em detrimento dos interesses materiais, focavam a ação humana, na visão dos caminhantes, no desprendimento sensorial e da busca deste “transcendental”, que encontrava no sonho a possibilidade de saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sonho de Zhuangzi mostra, pois, que o estado de consciência em que se encontra uma pessoa acordada é, tão somente, um momento em que o espírito se encontra plenamente ligado ao corpo. Mesmo num momento de devaneio, em que alguém não esta dormindo, mas “se perde em pensamento”, sua alma se transporta para outro lugar, obliterando–lhe os sentidos (mesmo com os olhos abertos), e só retorna mediante o estímulo ou a vontade própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todavia, no momento do sonho, o corpo relaxa seus laços e a alma pode movimentar-se para fora. E para onde ela vai? A teoria de Zhuangzi se torna complexa, neste ponto. Podemos ser uma alma que, ao dormir, transporta-se para outro corpo (no caso, o da borboleta), que está em outro mundo – o do sonho. Porém, podemos também estar acordados neste mesmo mundo, mas apenas em outro corpo – o fato de dormirmos a noite não significa que não seja dia em outro lugar. O sonho, pois, é tão somente a percepção de alguém que está acordado em algum lugar e dormindo alhures. Isso significa que posso estar, inclusive, adormecido, agora, em outra instância, enquanto escrevo; do mesmo modo, estar acordado equivaleria simplesmente a estar sonhando. Mas podemos ir além: se sonhamos ser um tigre, uma outra pessoa, ou mesmo nós numa realidade alternativa, então, podemos ser mais que uma alma; podemos ser várias consciências que operam, paralelamente, em realidades distintas! Se aceitarmos que há um mundo dos sonhos, então, a questão ficaria resolvida: e lá seremos o que quisermos ser. Mas, se supusermos ser uma borboleta sonhando ser gente, deste modo, somo de fato ente, borboleta, o tigre, eu agora, outra pessoa e eu mesmo em um outro lugar cuja única distinção é aquela da consciência que predomina num dado momento. Logo, eu só estou tendo a impressão de estar acordado enquanto escrevo, porque esse eu de agora não fugiu para nenhum outro lugar ou está dormindo em outras formas corporais. Contudo, se esse eu parar tudo e começar a me imaginar em outro lugar, eu estarei lá, e o corpo permanecerá parado, aguardando minha presença.&lt;br /&gt;Por esta razão podemos concluir que, seja o que formos, somos a nossa mente. A distinção das realidades conscientes é, como vimos, uma teorização do escapismo, mas enquanto nos encontramos em um certo mundo, precisamos viver nele. Após a morte do corpo, podemos acordar em outro lugar, mas tal suposição não nos isenta de termos que sobreviver agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O Mestre disse: "Estou ficando assombrosamente velho. Passou-se muito tempo desde que vi o duque de Zhou em sonhos pela última vez".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Confúcio&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-4725604471579788717?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/4725604471579788717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/uma-teoria-daoista-do-sonho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4725604471579788717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4725604471579788717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/04/uma-teoria-daoista-do-sonho.html' title='Uma teoria daoísta do sonho'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-4479200830704347266</id><published>2011-03-20T15:37:00.001-07:00</published><updated>2011-03-20T15:38:08.864-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>A difícil Arte de Ensinar</title><content type='html'>Sócrates estava num daqueles dias – apesar da vã crença de que eles não existem para homens – e praguejava contra o calor ateniense. Era-lhe incompreensível que as pessoas não gostassem de um bom banho de mar, ou mesmo de tina; e Atenas fedia a óleo misturado com suor, sujeira e burrice. Para sua sorte ele não veria a morte por tifo, tempos depois, que levaria até mesmo o grande Péricles; a falta de higiene era horripilante, que fazia com que a acusação de “persas imundos” fosse quase uma ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta gente peidava queijo, pão, azeite e peixe. O cheiro sumia-se no meio dos estrumes largados em meio à pólis democrática. A ágora, lugar de assembléia e votação, era o lugar perfeito para se fazerem merdas, e até os animais sabiam disso. Por isso, era difícil para Sócrates ensinar filosofia. Era mesmo difícil pensar em filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rapaz chamado Platão, seu puxa-saco de plantão, voltava de mais um dos seus passeios matinais pra encontrar com o mestre. Platão era uma pessoa peculiar; tentou ser lutador e apanhou, tentou ser poeta e foi vaiado, até que cismou que devia fazer filosofia, e foi bem sucedido. Ele era bom com lorotas; contava um monte de histórias que teria passado junto com seu mentor Sócrates, o que impressionava um bom público. Vendo de longe, ele pareceria um sofista, mas de perto, via-se que seu papo era todo sobre sonhos, imaginação, etc. Ele sonhava ser grande, mesmo que à custa do mestre, e estava desenvolvendo uma teoria para isso. Sócrates, coitado, não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haviam marcado o encontro porque Platão queria que Sócrates humilhasse mais alguém naquela manhã. A coisa não era intencional: para Sócrates, ele havia sido convidado a instruir um politiqueiro rude sobre filosofia, o que lhe pareceu uma surpresa agradável; já Platão queria dar uma treta no velho, e se passar usando o mestre para destruir as ilusões dos outros (e criar algumas novas, quem sabe). De fato, Platão gostava de tirar essa onda com incautos, e saía dos debates todo vaidoso dizendo “viu?, viu?, meu profe!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontraram-se no mercado, que ficava perto do estrumódromo (vulgo, ágora) – mais uma piada sem sentido dos atenienses – e foram tomar um gole para esperar o dito político. Outros alunos já estavam por ali para ver o embate, além do público de curiosos que vai passando, parando e assistindo. Platão já foi chegando e dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mestre, tudo bem? Como você está lindo hoje!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- para com isso Platão, não sou chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- desculpe, só queria agradá-lo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- então me paga um gelado, esse dia tá ígneo! (tradução: quente pacas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso foi chegando Gaidaros, o tal político interessado em filosofia. Platão o convenceu a ir, na verdade, com um argumento bem diferente do que Sócrates esperava; Gaidaros estava lá porque Platão o disse que ia ter muita gente, e que se trocasse umas palavras com o mestre, ia ficar famoso e ganhar votos. Ele foi, era seu trabalho, afinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- oi, você é Sócrates?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sim, e você é Gaidaros, presumo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão nem se mexeu, sabia que o legal era deixar rolar o pau. Depois que começasse, era só ficar debochando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ah, então já me conhece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não meu caro Gaidaros, usei a filosofia para descobri-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- como assim? O Platão não avisou que eu vinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sim, mas... poderia ser outra pessoa a perguntar por mim. Assim, supus que se perguntava por mim, era porque me procurava. E como já sabia que alguém – você – me procurava, pude constatar positivamente que você é Gaidaros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- você é sempre assim ou é esse copo de vinho que te deixa transtornado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- porque, você vê na sua frente um homem transtornado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- desculpa, mas me parece sim. Ainda mais que é de manhã é já está entornando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates pensou: “porra, mais essa do Platão. Preciso dar um jeito nesse moleque”. Mas como estava ali pra filosofar, e como gostava mesmo de uma discussão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- então, você acredita em tudo que vê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ué, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- então, se você não ver, não existe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- pra mim, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates pensou: “ops, por essa não esperava. Terei que ir por outro lado!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas bem... veja o caso de seu pai. Você tem pai, eu suponho. Ele ainda enxerga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e o que ele enxerga deixou de existir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- pra ele sim. Mas onde você quer chegar, velho bêbado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- já pensou que, para seu pai, a coisa pode deixar de existir, mas para você não? E se é assim, você não pode confiar na visão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- escuta aqui malandro: se teu pai era mentiroso, problema teu. Ta chamando o meu pai de velhaco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates não esperava por essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- calma, estou dizendo que não podemos confiar nos sentidos... veja, o que para um é bom, para outro não é. Veja os sabores, por exemplo; às vezes, gostamos de uma comida que outro não gosta. Como dizer que um sabor é melhor que outro, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o que tem isso com meu pai ser mentiroso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- nada... só quero dizer que uma opinião não é A verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- tipo a sua, agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- erm... entenda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, vamos falar de gosto: você gosta de mulher ou de homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- viu, tá na dúvida; por isso que pra você uma opinião não vale nada. Se soubesse do que gosta, não tremia na resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- existem ângulos nesta questão a serem examinados, oras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- certo, falemos de comida, pois. Depois que comemos, tudo vira bosta. Se não comermos, não fazemos bosta, mas não vivemos. Isso significa que a vida depende da merda e vice-versa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates estava aturdido. Platão enfiou o galho dentro e não sabia o que dizer. Ver seu mestre apanhando das palavras, assim, na rua, era feio. Já tinha muita gente rindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- você está falando de coisas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos falando de visão, de opinião, e você misturou as coisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- claro, mas chamar o pai dos outros de mentiroso pode, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não é isso... quero dizer que nem sempre o que nos dizem é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- nisso eu concordo. Partindo de você, tou começando a achar que isso é a mais pura verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas assim não chegaremos ao verdadeiro conhecimento das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- que tudo vira bosta no fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não, não é isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- hã, vai sonhando....&lt;br /&gt;(nesse momento, os olhos de Platão brilharam!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuou Gaidaros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- no fim, a gente vira comida de bicho. Tudo vira lixo. Temos é que tirar proveito da vida, enquanto dura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ahá! Então, porque você acredita nos deuses, que te deram esta vida finita? Não gostaria de mudá-la, ou saber o que tem depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- faz diferença? Se for bom, que bom. Se for ruim, tou ferrado mesmo. Não tou é entendendo essa sua relação dos deuses com merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- estou dizendo que acreditamos em coisas que não vemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- porra, tu é maluco? Fala pra não acreditar no que vê, depois no que não vê. Está dizendo que minha crença é uma merda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- espere...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- já entendi a sua: você vem aqui, junta estes bobos, fala difícil pra dizer que o que meu pai me ensinou sobre deuses é merda, e ainda se acha sabichão? Você é um babaca, isso sim! Mas você tá ferrado, vou te mostrar como as coisas funcionam...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates ficou chateado: “discutir com gente tosca é f... Que dia quente!”. Platão deu uma sumida. Tempos depois, cataram Sócrates na rua e o mandaram pra prisão. Na Grécia daqueles tempos pensar era bonito, mas nunca demais, senão dava morte. Melhor, no geral, era concordar com quem manda e fazer das suas escondido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates acabou “suicidado” pelo povo moderno, democrático e pra frentex de Atenas. Platão disse que tava lá, que fez, aconteceu, mas no final viu o mestre morrer. Nada melhor pra ele do que ficar com a fama. Inventou um monte de histórias sobre Sócrates (só os diálogos na hora da morte são uns três), e sempre que a coisa apertava, dizia que a verdade estava “só tava tendo umas idéias, só tava pensando”, que vivia no mundo das idéias, e não aqui. Daí, ninguém esquentava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-4479200830704347266?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/4479200830704347266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/03/dificil-arte-de-ensinar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4479200830704347266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4479200830704347266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/03/dificil-arte-de-ensinar.html' title='A difícil Arte de Ensinar'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-769577620697240885</id><published>2011-03-03T06:01:00.000-08:00</published><updated>2011-03-03T06:02:39.955-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio de Oito Partes'/><title type='text'>Dignidade e Paciência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O pior erro é não corrigir seus próprios erros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Confúcio&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" alt="Alinhar ao centro" border="0" class="gl_align_center" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ao fugir de um país para outro, Confúcio e seus discípulos passaram fome e sede. Zilu, revoltado, perguntou a Confúcio: “mestre, um cavalheiro tem que passar por essas indignidades?”. Confúcio respondeu: “o que torna alguém um cavalheiro é o modo digno com que ele encara as indignidades”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Confúcio&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Confúcio levanta um problema sério para qualquer buscador da sabedoria: quais os limites da dignidade e da paciência? O mestre, por vezes, suportou ofensas atrozes de maneira inexpugnável; de outras, revoltou-se de imediato com certos acontecimentos. Há um padrão para lidar com os problemas sem perder o controle? E se existe, qual é?&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Nas Conversas de Confúcio está escrito: “Os discípulos de Zixia perguntaram a Zizhang sobre as relações sociais. Zizhang disse: "O que Zixia vos disse?" Eles responderam: "Zixia disse: 'Associai-vos ao tipo certo de pessoas; evitai aquelas que não são do tipo certo'". Zizhang disse: "Ensinaram-me algo um pouco diferente: um cavalheiro respeita os sábios e tolera os medíocres, louva os bons e tem compaixão pelos incapazes. Se tenho uma vasta sabedoria, quem eu não toleraria? Se não tenho uma vasta sabedoria, as pessoas me evitarão; com base em que deveria eu evitá-las?". Na Justa Medida também se diz: “se alguém faz dez vezes o que outros fazem um; se faz cem o que outros fazem dez; se faz mil o que outros fazem cem; é esta atitude que leva a sabedoria”. Ambos os trechos mostram que o exercício da paciência e da dignidade são práticas constantes, e seu domínio procede de uma intensa, profunda e dedicada atenção. Elas procedem do desejo de não buscar o conflito desnecessário, de atentar ao conjunto das possibilidades de resolução, e de ponderar corretamente, sem fazer concessões levianas ou abandonar o que é correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, em situações extremas não há nada o que fazer para alterar o curso das coisas: pior, manter-se numa determinada posição pode mesmo significar um envolvimento – ou compromisso – com a causa dos problemas. Nestas situações, é melhor das às costas ao mundo e seguir adiante. Se não se pode combater o problema frontalmente, e se a arte do indireto não serve para a elucidação daqueles envolvidos no erro, então, pôr-se a caminho não é covardia ou medo – é apenas a constatação de que nada pode ser feito, e a dignidade real consiste em conter-se e ausentar-se do contexto em erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No hexagrama 61 do Tratado das mutações, analisa-se a “verdade interior”, a autenticidade realizante, derivada da centralidade do indivíduo. A sexta linha, que é nove e conclui o hexagrama, traz um comentário interessante: “o galo canta para o céu, mas não voa”, o que significa; podemos denunciar os crimes, mas se não podemos voar, se não tivermos o poder e a autoridade para corrigi-los, acabaremos só criando mais problemas. Portanto, nestas horas, por mais certos que estivermos, precisamos nos conter e praticar a paciência com dignidade. Tolerar é uma virtude: comedir-se, uma excelência. A covardia só existe quando alguém pode, de fato, resolver uma questão mas se ausenta, seja por medo ou por compromisso. Quando alguém desconhece a própria força, deve cuidar-se para não confundir humildade com indulgência perante os erros. A autoridade moral para enfrentar as indignidades é difícil de se obter, e a paciência é confundida com covardia, mas o buscador da sabedoria deve ter um compromisso, antes de tudo, com o que é apropriado e consigo mesmo, não temendo a reprovação alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sem princípios comuns é inútil discutir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Confúcio&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-769577620697240885?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/769577620697240885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/03/dignidade-e-paciencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/769577620697240885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/769577620697240885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/03/dignidade-e-paciencia.html' title='Dignidade e Paciência'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-4530625240555410734</id><published>2011-03-03T05:49:00.000-08:00</published><updated>2011-03-03T05:50:24.229-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio de Oito Partes'/><title type='text'>O Tempo das Dinastias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Shang sucedeu Xia, assim como Zhou sucedeu Shang. Não vejo como isso irá mudar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Confúcio&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Xia foi madeira; Shang foi metal; Zhou foi fogo; Qin foi água; Han é terra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Sima Qian&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mais do que uma casa real ou o nome de um reino, o tempo dinástico, para s chineses, era um “estado de coisas” na matéria. O que Sima nos propõe, ao afirmar que as dinastias seguem o ciclo dos cinco estados da matéria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando o mundo segue o Caminho, os ritos, a música e as expedições militares são todos determinados pelo Filho do Céu.”. Quando Confúcio criou a teoria do Mandato Celeste, o mesmo entendia que o tempo de uma dinastia era determinado pela relação harmoniosa entre os cuidados do mundo, por parte dos humanos, e o respeito às leis ecológicas que regiam a natureza e a sociedade (entendida como desdobramento da primeira). Os cuidados significavam Li – a cultura, - que ordena as relações, os ritos, as práticas, hábitos e leis – e que as pessoas tomariam entre si, de modo a cuidarem-se, preservarem a vida mutuamente e assim, não se exceder em relação à natureza. Havendo He – harmonia – a relação desta ecologia entre humanidade e natural estaria preservada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios pelos quais se mantém um povo consistem, pois, em sua cultura. Investigar como a mesma surge, se aplica e se transforma é realizar a história. Esta, pois, ao investigar os ciclos dinásticos, infere que uma dinastia é um estado das coisas na mutação, na matéria, organizadas numa relação cujas leis são constatadas numa determinada época – podendo, contudo, se alterar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história, portanto, acompanha as transformações da mutação para extrair dela os princípios que retém a centralidade, a unidade de uma civilização. Sima Qian, ao perceber isso, pretendeu identificar as  propensões da mutação para compreender que fenômenos sustém, conservam ou desagregam um estado das coisas na sociedade – ou seja, o conjunto das relações dentro de uma temporalidade, que caracterizam todo um sistema, toda uma forma que a cultura adquire no período em questão. Sua proposta consistia em aceitar que esta cultura, por provir da natureza humana – “é o que o céu concedeu a natureza humana”, como está no Justo Meio – pertencia às relações ecológicas do mundo, tal como Confúcio propunha; por conseqüência, estes estados da matéria deveriam acompanhar os estados do Qi (a própria matéria bruta, em forma de energia), na mutação, que foram estabelecidas pelo sistema dos cinco agentes – wuxing. Assim, o tempo de uma dinastia é caracterizado – ou mesmo tornado – em escala macrocósmica, pelas tendências de um estado do Qi. Por isso, a dinastia Qin, que era regida pela água, foi absorvida por Han, que era Terra; e a violência destruidora foi substituída pelo terreno fértil da prosperidade pacífica. Século depois, Sima foi criticado, mas também desenvolvido: o estado das coisas não gera marcações cronológicas precisas para a transformação da cultura, mas se estrutura num movimento que pode ser, de modo razoável, manifesto num período determinado, classificado pela hegemonia de uma dinastia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao estender o pensamento de Sima Qian, compreendemos que a história chinesa cuidou-se, até certo ponto, de delimitar de forma estrita o estudo da história. A criação destas “leis da história” e da cultura serviriam tanto de referência quanto como objeto de desconstrução. Isso talvez não seja uma novidade, claro: mas o que para os ocidentais tem um século ou mais, desde Ranke – o defensor da crença da verdade histórica – para os chineses tem mais de mil anos. Só uma teoria razoável pode sobreviver tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Recolha tudo que pode, ponha de lado o que é duvidoso, isso é o conhecimento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Confúcio&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-4530625240555410734?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/4530625240555410734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/03/o-tempo-das-dinastias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4530625240555410734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/4530625240555410734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/03/o-tempo-das-dinastias.html' title='O Tempo das Dinastias'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-1619851812960608218</id><published>2011-02-16T15:01:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T15:03:43.924-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio de Oito Partes'/><title type='text'>A Busca do Elixir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Todos aqueles que querem viver uma vida longa, mas não obter o Elixir Divino e o licor de Ouro, só trazem sofrimento para si mesmos. Praticar a respiração daoyin , exalando o velho e inalando o novo fôlego, e ingerir os medicamentos de ervas e plantas, pode prolongar a duração da vida de alguém, mas não permitem escapar da morte. Quando o homem ingere os elixires Divinos, ele se torna um imortal divino e transcende as gerações mortais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Tratado dos Nove Elixires&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há meios de alcançar a imortalidade? E se ela existe, como seria? &lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sobre isso, Confúcio só buscou a imortalidade de seu nome; este foi um campo de domínio essencialmente caminhante e médico. Durante algum tempo, ambos andaram juntos, até que prevaleceu entre os médicos a idéia confucionista de que a investigação das coisas deve ser realizada em função de suas raízes – sem deuses ou espíritos como fim último, mas o humano como causa primeira. A concepção da qual as duas escolas partiram deriva do sistema yin-yang; se as coisas nascem e se desenvolvem, é porque ambos se engendram. Quando este ciclo começa a decair, o corpo igualmente degenera. Ora, existiria assim um meio para manter o corpo em harmonia constante? Três métodos se delinearam: a farmacopéia, cuja química restabeleceria o equilíbrio do corpo até que se descobrisse o Elixir que prendesse a harmonia para sempre no corpo; a ginástica, que trabalharia o qi pela meditação ou exercício, regulando constantemente as tendências yin e yang; por fim, a alquimia sexual, em que o casal praticaria a troca de essências, por meio do estímulo do orgasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desnecessário é dizer que todos que “alcançaram” a imortalidade nunca mais foram vistos. Quando seus corpos sumiram, os caminhantes começaram a afirmar que eles haviam mudado-os, e que esta imortalidade seria espiritual. Se for assim, a busca da manutenção do corpo indefinidamente seria inútil ou enganosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente por isso é  que os médicos se ativeram ao ponto correto da questão. Tudo é  yin e yang na mutação, nada é definitivo. Logo, só pode haver ajuste – por meio de remédios, exercícios ou do sexo – para prolongar o corpo, mas seu inevitável esgotamento e desaparecimento são questões de tempo. Nenhum corpo pode ser imortal neste nível de manifestação da mutação. Se em outro isso é possível, então não é ainda domínio da ciência, mas o é das crenças caminhantes e budistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, para que viver tanto em função apenas de viver? A vida, sendo limitada, deveria ter um fim; aprimoramento pessoal, prazer, devoção, ciência... Por estas razões, é melhor curar-se quando doente, cuidar-se quando possível e namorar bastante, ou ao menos viver de modo a não passar em branco para si mesmo. Como dizia este poema sobre o vinho de Li Bai,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o céu não tivesse amor pelo vinho,&lt;br /&gt;Não havería uma Estrela do Vinho no céu.&lt;br /&gt;Se a terra não tivesse amor pelo vinho,&lt;br /&gt;Não havería uma cidade chamada Fontes de Vinho.&lt;br /&gt;Como o céu e a Terra amam o vinho,&lt;br /&gt;Posso amar o vinho sem vergonhar o céu.&lt;br /&gt;Dizem que o vinho claro é um santo,&lt;br /&gt;O vinho espesso segue o caminho (Tao) do sábio.&lt;br /&gt;Bebi profundamente de santo e de sábio.&lt;br /&gt;Que necessidade então estudar os espíritos e os imortais?&lt;br /&gt;Com três copos penetro o Grande Tao&lt;br /&gt;Tomo todo o jarro, e o mundo e eu somos um.&lt;br /&gt;Tais coisas como as que sonhei com vinho,&lt;br /&gt;Nunca lhes serão contadas aos sóbrios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vinho é também um bom exilir! Se isso é – ou parece – óbvio, lembremos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sábio é aquele que torna o óbvio acessível a todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Confúcio &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-1619851812960608218?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/1619851812960608218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/02/busca-do-elixir.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1619851812960608218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1619851812960608218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/02/busca-do-elixir.html' title='A Busca do Elixir'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-1946747530393540283</id><published>2011-02-06T15:48:00.000-08:00</published><updated>2011-02-06T15:50:52.929-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio de Oito Partes'/><title type='text'>A Desolação do Indistinto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Pensar sem estudar é  inútil&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Estudar sem pensar é  perigoso&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Confúcio &lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;No estudo e na percepção das coisas, o problema é o indistinto. Saber o que ou como o indistinto se manifesta “não se manifestando” é, talvez, um dos obstáculos mais sérios ao desenvolvimento do saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sem estudo, não podemos saber o gosto das coisas”, disse Confúcio. O estudo, portanto, é um desafio às coisas. Pode ser conduzido, como no caso da cultura e das tradições (xue), ou pode ser resultado da experiência de vida (zhi). Ambas se complementam e se engendram, e uma não atinge a perfeição sem a outra. O problema ocorre, contudo, quando se estabelece uma indistinção das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O indistinto não é  o vazio, pois este é gerador e constitui um espaço em aberto para o novo. A indistinção procede, na verdade, de um mal conhecimento das coisas, que faz com que tudo “pareça” o mesmo diante de uma análise deturpada dos princípios da mutação. Quem estuda de modo insuficiente, e constrói para si uma visão incompleta, desmotiva-se a buscar o inusitado, procura não se incomodar com as novas manifestações e conhecimentos e responde – com palavras ultrapassadas e idéias tortas – aos problemas novos e originais que se produzem pelo avanço do saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desolação do indistinto é que o ignorante torna-se negligente com o presente e o futuro. Ancora-se num passado acabado – ou pior, num ajuste sem raízes – sem buscar compreender o fundamento das coisas, e sem adequar este estudo à transformação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O indistinto é esta indiferença, a displicência engajada, resultante da vã crença de que um mau conhecimento, apenas, pode traduzir o mundo. Tal desolação coloca o estudo numa pasmaceira repetitiva, alienada, que julga poder submeter a mutação de modo arbitrário. Para aquele a quem tudo se torna indistinto, as coisas são desinteressantes, e não promovem o estímulo da mudança. A indistinção cria uma permanência perniciosa, cujas tensões são levadas ao limite até que o ciclo da mutação aja e provoque uma mudança violenta. Quando isso ocorre, os olhos e a mente se abrem a força, e as mudanças se dão no atropelo. Que não se confunda a paz com a indistinção; a paz depende da manutenção e do ajuste constante. A displicência e o descompromisso indistintos se encaminham para a estagnação, e se corrompem. Por isso um sábio nunca fica parado, nem acredita que já sabe tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Saber o que se sabe e o que não se sabe – isso é saber!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Confúcio&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-1946747530393540283?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/1946747530393540283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/02/desolacao-do-indistinto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1946747530393540283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1946747530393540283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/02/desolacao-do-indistinto.html' title='A Desolação do Indistinto'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-1679688829526291309</id><published>2011-01-18T23:38:00.000-08:00</published><updated>2011-03-20T15:38:08.865-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas Soltas'/><title type='text'>Todos tem Tao</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tao não é tudo de uma só vez&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tao não é apenas 1, 2, 3&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tao não é só caminho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tao não é só...zinho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tao não é tal coisa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tao não é o Tal&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tao é, apenas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tao&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Inspirado num poema Zen&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-1679688829526291309?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/1679688829526291309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/01/todos-tem-tao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1679688829526291309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1679688829526291309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/01/todos-tem-tao.html' title='Todos tem Tao'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-3698397074974891349</id><published>2011-01-10T11:34:00.000-08:00</published><updated>2011-01-10T11:36:08.012-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio de Oito Partes'/><title type='text'>Um Retrato em várias Cores</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Nenhum cavalheiro chegaria a contemplar a idéia de exceder-se em seu cargo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Conversas, de Confúcio&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Não devemos rechaçar de modo algum a herança dos antigos e dos estrangeiros.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Maozedong&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nos julgamentos históricos que se fazem, passam-se anos e as pessoas buscam na figura de um homem o papel de herói ou vilão. Na história da China, Maozedong é um desses líderes cuja existência recente começa a sujeitar-se as regras da mutação, e a avaliação em conjunto de sua vida dará um novo caráter a sua figura e ao mundo chinês. E qual o será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confúcio falou sobre a reputação: "Para alcançar a percepção, um homem tem de ser talhado em madeira reta e amar a justiça, examinar as palavras dos homens e observar suas expressões, e ter em mente a necessidade de deferir aos outros. Quanto ao reconhecimento, basta assumir um ar de virtude, ainda que comportando-se contrariamente. Mantém apenas uma aparência imperturbável, e certamente obterás reconhecimento na vida pública, e certamente obterás reconhecimento na vida privada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maozedong se encaixaria em qual dessas categorias? A dos que buscam reputação ou uma sabedoria? Mao odiava Confúcio, mas sabia que a revolução chinesa dependia, antes de tudo, em aceitar que a herança milenar se impunha sobre a sociedade – e que aquela lhe dava, justamente, a coesão que tornou a China uma das civilizações mais antigas do planeta. Dito isso, Mao adquiriu reputações distintas: uma de sábio, propagandeada por Lin Biao, seu adulador – e depois, traidor – que foi objeto de uma terrível campanha de difamação promovida pelo próprio Mao. Por outro lado, foi também um defensor do povo, e um general vitorioso – para isso, salvou milhares de pessoas da miséria, mas matou indiretamente tantos outros milhares por conta da fome e da crise que ele permitiu ocorrer por conta de sua inépcia administrativa. Mao fez a grande revolução que libertou o país, e lhe trouxe respeito novamente. Proclamou as cem flores, para ouvir as discordâncias e opiniões; depois, massacrou a oposição, e instaurou a revolução cultural, movimento violento e arrebatador, que contou com a ajuda de milhões de chineses dedicados. Ele peitou os Estados Unidos e a União Soviética, mas sacrificou mais gente que Hitler e Stálin. Na China, em que tudo é superlativo, é difícil aceitar qualquer forma de proporcionalidade para as almas perdidas. Mas quem disse que uma revolução é fácil? Libertar-se das maiores nações da Europa, de um Japão agressivo, e de um governo corrupto e indeciso não são tarefas fáceis. Como disse o próprio Mao: “a revolução não é um convite para jantar”. O Mao que dizimou pardais e árvores para o seu grande salto, fez com que belamente os chineses andassem de bicicleta – e que mundo magnífico era esse! Fez com que as pessoas se ajudassem nas ruas, e cuidassem das conquistas do país com carinho. Fez a bomba atômica, mas não ameaçou ninguém com ela. Chutou as pedras de Qufu, tentou destruir Confúcio, e admirava Qinshi Huangdi. Que mundo fantástico era esse, em que a burguesia arrogante foi conhecer o trabalho braçal nos campos de reeducação; e que lugar terrível para alguém viver se pensasse diferente, e fosse taxado de pequeno burguês. Como disse Hanfeizi: “o crítico anda com o caixão debaixo do seu braço” – e isso era mais do que adequado na China de Mao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A austeridade andava de braços dados com a pobreza, a discordância era amiga da subversão para a Lei. Depois de tudo isso, a pergunta: devemos refutar o grande timoneiro, que permitiu a China ser o que é hoje? É cômodo e simples apontar os erros de um morto, sem que ele possa se defender. Contudo, negar seu legado é outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como confucionista deveria repudiar Mao por completo, mas exatamente por quais razões? Por mais paradoxal que pareça, se hoje Confúcio volta com toda a força, é porque suas sábias virtudes foram relevadas em relação aos erros do comunismo – mas que o Céu permita que nunca mais a sabedoria seja redescoberta em função de massacres. No Pósconfucionismo da China atual, há espaço para ambos, e o legado de Mao será lido em síntese. Nesse retrato de várias cores, destaca-se, mais que o vermelho, o amarelo de Mao – o mesmo amarelo da China e de Confúcio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse Mêncio: "Quando prevalece no reino o governo justo, os príncipes de pouco valor e virtude mostram-se submissos aos de grandes predicados e de elevado valor. Quando predomina o mau governo, os pequenos são sujeitos aos grandes, os fracos servem os fortes. Estes dois casos são lei do Céu. Os que se harmonizam com o Céu são poupados; os que se rebelam contra o Céu têm de perecer". [...]&lt;br /&gt;Mêncio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-3698397074974891349?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/3698397074974891349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/01/um-retrato-em-varias-cores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/3698397074974891349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/3698397074974891349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/01/um-retrato-em-varias-cores.html' title='Um Retrato em várias Cores'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-8219562196159859073</id><published>2011-01-10T11:33:00.000-08:00</published><updated>2011-01-10T11:34:55.767-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio de Oito Partes'/><title type='text'>A Arte de ser Indireto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sábio é aquele que torna o óbvio acessível a todos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Confúcio&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Zhuangzi e Huizi conversavam numa ponte, quando Zhuangzi apontou para os peixes que nadavam abaixo dela e disse: “veja como se agitam e nadam! Eles estão felizes!”, ao que Huizi replicou: “mas você não é um peixe, como pode saber o que eles sentem?”. Zhuangzi respondeu: “e você não sou eu, como sabe que eu não sei?”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Zhuangzi&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A questão levantada por Zhuangzi e Huizi consiste no seguinte: como aprender por meio do indireto? Muitas vezes, nos deparamos com pessoas incapazes de compreender ou aceitar uma explicação: contudo, postas diante de uma música ou um poema, elas despertam sua mente e acessam o problema apresentado. Por vezes, ainda, é necessário um método para abordar determinadas questões ou ensinar certas técnicas. Tal método consiste em exercícios ou colocações cujo sentido só se apresenta gradualmente, e sobre os quais apenas os sábios tem uma visão de conjunto. No que consiste, pois, esta arte de ser indireto? Ela consiste na habilidade de decompor as partes de um problema, analisá-las, e inferir o melhor meio de apresentá-las, de modo compreensível, para aqueles que precisam aprender. Esta metodologia , porém, pretende que algumas coisas podem ser mais facilmente abordadas por meio de analogias. Confúcio entendia que esta forma de proceder era cabível, de acordo com as circunstâncias:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Zixia perguntou: "O que significam estes versos:&lt;br /&gt;Oh, as covinhas do sorriso dela!&lt;br /&gt;Ah, o preto e branco de seus lindos olhos!&lt;br /&gt;É sobre a seda puramente branca que as cores brilham".&lt;br /&gt;O Mestre disse: "A pintura se inicia na seda puramente branca". Zixia disse: "O ritual é algo que vem posteriormente?" O Mestre disse: "Ah, realmente abriste meus olhos! É apenas com um homem como tu que se podem discutir os Poemas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Neste trecho, por exemplo, Confúcio pretende mostrar que existem significados subjetivos, porém aparentes, nos discursos sapienciais. A questão se trata, de fato, de buscar os princípios contidos no texto. No entanto, as analogias apenas funcionam se as buscas forem feitas de modo adequado – do contrário, as comparações seriam exercícios inúteis de abordar, indiretamente, uma questão. Não se deveria comparar elementos de propriedades diferentes: ao se perguntar se um homem fica melhor com o tempo, tal como um vinho, ou se fica pior, tal como um carro, associamos três coisas absolutamente distintas, e nenhuma conclusão satisfatória pode ser alcançada. Este seria um exemplo ineficaz. Mas, se fazemos analogias com modelos consagrados ou, se realizamos comparações com fins específicos, podemos obter algum sucesso: O Mestre disse: "Coloca-me na companhia de duas pessoas escolhidas ao acaso - elas invariavelmente terão algo para me ensinar. Poderei tomar suas qualidades por modelo e seus defeitos como alerta".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por fim, a arte do indireto deve ser lida pela oposição complementar: a busca de captar seus sentidos pode ser feita pela captação da idéia central ou mesmo, por sua negação, o que revela o intuito do autor. No caso de Zhuangzi, por exemplo, sua afirmação final é um ganho retórico, mas continua sendo um erro: ele não é um peixe, e peixes não tem a idéia de alegria como um conceito. Deste modo, seu exercício de analogia foi uma peça bem pregada no nominalista Huizi, mas carece de um sentido, sendo um mero diatribe de palavras para fazer vencer palavras vazias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A arte do indireto é a manifestação da subjetividade aparente, por meio de uma associação simplificada que ajuda o leigo a se conduzir as conclusões acertadas. Por isso Confúcio disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sábio não maltrata nem as pessoas, e nem as palavras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-8219562196159859073?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/8219562196159859073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/01/arte-de-ser-indireto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/8219562196159859073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/8219562196159859073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2011/01/arte-de-ser-indireto.html' title='A Arte de ser Indireto'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-5526666717597647971</id><published>2010-12-08T11:50:00.000-08:00</published><updated>2010-12-08T11:51:18.466-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio de Oito Partes'/><title type='text'>Um Pós Confucionismo?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;i&gt;Um povo mostra o quanto é educado pela consciência de seu passado.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;margin-bottom:12.0pt"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-ascii-theme-font: major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black;mso-themecolor:text1; mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Enquanto tradição política dominante no país, o confucionismo é a alternativa óbvia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Daniel Bell&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Após quase um século de marxismo, a China retomou o estudo do confucionismo. Perseguida, humilhada e proibida, a doutrina confucionista sofre agressões atrozes numa época presente da história – no entanto, depois de 30 anos, após a morte de Maozedong, ela voltou a ser um dos temas fundamentais na pauta política e intelectual da China contemporânea. É possível, assim, falar de um pós-confucionismo? O próprio Confúcio disse, nesta frase consagrada que mostra o cerne de seu pensamento: “sábio é aquele que, por meio do antigo, descobre o novo”. A doutrina confucionista se transformou, desde seus inícios, num poderoso e influente sistema ético-social, cujas contribuições foram importantes para a arte de governar na China – e um bom exemplo é a própria durabilidade do império. Além disso, Confúcio propunha que o fundamento da preservação da cultura era a educação, o que propiciou o estabelecimento e a continuidade das tradições sem impedir, contudo, os progressos tecnológicos e intelectuais. Confúcio buscava, no passado, compreender as razões pelas quais a cultura (e nas suas práticas, a moral) se originava, se mantinha, se aplicava e por fim, se transformava. Na compreensão do passado, portanto, residia a compreensão das coisas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Isso não impediu que o confucionismo engessasse em certas épocas da história. O que hoje mesmo chamamos de neoconfucionismo – como o de Zhuxi, seu grande expoente – representou uma renovação dos estudos e propostas confucionistas. Tal condição demonstra que, apesar de todos os esforços, atingir a sociedade de maneira completa e abrangente era uma tarefa complexa, difícil e permanente. A educação é um processo contínuo, que não deveria cessar, mas os interesses volúveis de certos governantes dificultavam, sempre, a manutenção deste princípio fundamental.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Assim, após as tormentas da revolução comunista, a China percebe e retoma, sem receios, as origens de sua cultura – e eles sabem, o grande zelador deste patrimônio foi Confúcio e a escola dos letrados, que por 2600 anos produziram a história e a antropologia desta civilização. Mais do que uma teoria política ou econômica, o confucionismo é um sistema de análise da vida, da formação dos seres humanos autônomos e conscientes, e o retorno deste doutrina como orientação fundamental do governo chinês era apenas uma questão de tempo, como bem afirmou Daniel Bell. As revoluções do século 20 tentaram destruí-lo e apagá-lo, o que se demonstrou tão equivocado e impossível quanto as perseguições de Qinshi Huangdi no séc. -3, ou das destruições patrimoniais provocadas pelos movimentos sociais da história chinesa. A ignorância pode atentar contra a sapiência, mas não pode submetê-la por muito tempo. A retomada do confucionismo vem ocupar o vazio ético e filosófico de um marxismo cansado, contraditório e cada vez mais distante do mundo. O Tratado do espírito da História diz: “Por estas razões, a história é moral, pois ela serve para ordenar a sociedade, recuperar os laços perdidos, restabelecer ou criar meios e condutas corretas.”. O resgate do confucionismo, pois, é o cumprimento destas proposições, e a reconstrução dos laços com o passado. Este confucionismo moderno, adaptado ao mundo contemporâneo, mas calcado nas tradições antigas é, se podemos considerá-lo assim, um pós-confucionismo, que incorpora as análises do neoconfucionismo e os desafios dos séculos 20 e 21 num novo e instigante movimento social e intelectual.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;O grande fim da ciência não é outro senão o de procurar a inteligência perdida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Mêncio &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:major-latin;mso-hansi-theme-font:major-latin;color:black; mso-themecolor:text1;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-5526666717597647971?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/5526666717597647971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2010/12/um-pos-confucionismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/5526666717597647971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/5526666717597647971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2010/12/um-pos-confucionismo.html' title='Um Pós Confucionismo?'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-2985325972655853166</id><published>2010-12-08T11:48:00.000-08:00</published><updated>2010-12-08T11:50:05.732-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio de Oito Partes'/><title type='text'>Ensaio de Oito Partes</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;Durante a dinastia Ming, os intelectuais confucionistas desenvolveram o baguwen, ou "Ensaio de oito partes", um modelo de redação para as provas do exame imperial, e usualmente utilizado para o desenvolvimento de artigos reflexivos. O sistema do baguwen propunha uma metodologia de escrita sintética, cujos objetivos eram o esforço de concisão, aliado a proposição de idéias ou dissertação sobre o tema. O baguwen&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;buscava concretizar o ideal de expressão confucionista: poucas palavras representando uma reflexão profunda, sobre um assunto pré-determinado, em geral extraído da literatura letrada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;A concepção original deste método acabou sendo deturpada, em função de arcaísmos e fórmulas pré-estabelecidas. Ao invés de estimular um raciocínio objetivo e esclarecido, a burocracia dos&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;exames imperias privilegiou a observação de aspectos formais e estilísticos, em detrimento dos conteúdos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;No entanto, acredito que este método poderia ser resgatado - e adaptado - para a (re)criação de um modelo de escrita confucionista. O que proponho, aqui, é um novo tipo de "ensasio de oito partes", que doravante empregarei na produção dos artigos aqui presentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;O Ensaio de Oito Partes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;1) Abertura: escolher uma fonte ou fragmento que denote o que será analisado no ensaio, e que conecte ao título do mesmo. Pode ser um trecho de Confúcio ouum outro qualquer, que ajude na interpretação do texto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;2) Apresentação do fragmento: apresentar o texto, frase ou parte do texto que será analisado. Pode ser, igualmente, uma imagem, se o ensaio se trata de uma análise iconográfica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;3) Apresentação do problema: discutir a questão que se apresenta neste fragmento, e que se pretende analisar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;4) O comentário confucionista: apresentar a contraparte confucionista do assunto escolhido, que o coloca em reflexão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;5) Articulação da discussão do problema, do fragmento e do comentário confucionista, apontando a idéia central.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;6) Comentário final do autor do ensaio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;7) Conlusão reflexiva do texto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;8) Fragmento confucionista que dê fecho ao texto, e que se articule ao restante da análise do mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;O corpo central do texto (3, 4, 5, 6 e 7) deve conter em torno de 512 palavras, de modo a estimular a síntese apropriada, a meditação correta e centrada no tema definido e, por fim, a escolha cuidadosa das palavras empregadas na redação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;"&gt;Que o "ensaio de oito partes" aqui proposto seja um método estimulante para a escrita, e não uma prisão para o raciocínio. Desvinculado de testes governamentais, ou de uma aferição superficialmente funcional - que determine por antecipação um simples cumprimento de regras estilísticas - esta proposta constitui um desafio para o raciocínio histórico e filosófico, de modo a torná-lo mais coerente e objetivo, cuja única aprovação esperada é aquela, somente, dos leitores críticos.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-2985325972655853166?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/2985325972655853166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2010/12/ensaio-de-oito-partes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2985325972655853166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/2985325972655853166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2010/12/ensaio-de-oito-partes.html' title='Ensaio de Oito Partes'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-1533068233943936890</id><published>2010-10-04T10:10:00.000-07:00</published><updated>2011-04-27T12:54:28.695-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Sábios da Floresta'/><title type='text'>O Livro dos Sábios da Floresta</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;1º Capítulo – A grande convocação do Andarilho Celeste&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;O Andarilho Celeste, o grande buscador, o porteiro dos deuses, estava caminhar pelo mundo, novamente, em busca do Dao, sem encontrá-lo. Na verdade, sua alcunha de peregrino foi conquistada graças aos inúmeros esforços que ele fez em tentar descobrir – no entanto, sem nunca conseguir – alcançar o Dao. Sua vida tem se estendido de tal modo que é impossível saber ao certo sua idade, e costuma-se dizer que ele recebeu este dom da natureza para que pudesse, simplesmente, conquistar o Caminho; outros dizem que sua propensão natural para buscar a via lhe esticou os anos. A questão, de fato, é que o Andarilho Celeste adquiriu vários poderes ao longo das décadas – ou séculos? -, e um deles é o de conseguir se comunicar com os animais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Por conta disso, o grande peregrino teve uma idéia brilhante: resolveu chamar os sábios da floresta para uma grande reunião, na qual discutiria o Dao. “Como cada um dos sábios vive em sua natureza original, provavelmente eles compreendem o Dao”, pensou o porteiro dos Céus. Assim sendo, ele convocou todos os grandes eruditos das florestinhas e bosques, os grandes divinos das sagradas constelações, os viajantes das montanhas e dos mares para este famoso e fundamental debate.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Na data convencionada, estiveram presentes 24 sábios, o que foi considerado auspicioso – pois este número é a multiplicação de 8, o número da grande sorte e dos guas, por 3, o número gerador das coisas. Vieram os 12 magníficos supremos, que regem as datas do calendário; o rato, o búfalo, o tigre, o coelho, o dragão, a serpente, o cavalo, a cabra, o macaco, o galo, o cão e o javali. Da escuridão, veio a raposa, o morcego, o corvo, o gato, a fênix e o unicórnio; atravessando as montanhas e os mares, veio a girafa, a tartaruga, o pavão, o elefante, o rouxinol e o louva-deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Inicialmente, deu-se o grande banquete dos animais, em que cada um deles se regalou com o que mais apetecia – e o Andarilho Celeste tratou de cuidar que uns não comessem aos outros, pois em discussões sérias e profundas, os sábios da floresta lembram que são bichos famintos também. O peregrino chamou o urso para ser o redator das atas deste grande encontro, já que ele é o único que sabia escrever, além de saber ficar em pé – mas não permitiu que esse falasse, pois ele é o mais próximo dos homens (e é por isso que os xamãs o invocam).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Após a refeição, alguns deles dormiram para fazer a digestão; outros se pentearam, lambendo as patas e as unhas, e mais alguns cataram suas pulgas para melhor pensar. Depois do descanso abençoado, o Peregrino os chamou para sentarem em roda, e iniciar o grande debate dos sábios da floresta acerca do Caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;2º Capítulo – A Suprema Questão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Então, o Andarilho do Céu começou o evento apresentando sua proposta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Meus caros sábios da floresta; o Caminho é algo que já venho procurando há muito tempo, e justamente por esta razão me chamam de sábio buscador – mas não creio eu ser um sábio apenas por ser um buscador, e nem sei se os buscadores são sábios apenas porque buscam algo. Desde muito, pois, cheguei a conclusão de que o Dao (o Caminho) é a razão de vivermos, é o grande sentido de estarmos presentes neste mundo. Vim ouvir a opinião de vocês sobre este assunto, de modo que cheguemos a alguma conclusão – ou mesmo, muitas – sobre o que é o Caminho. Penso, ainda, se existe alguma questão maior que essa, e se for o caso, que me apontem qual seja, de modo que possamos mudar o tema deste debate.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Todos os sábios da floresta assentiram com a cabeça, sem titubear; sim, a busca do Caminho é o mais importante de tudo, e nenhum deles questionou o grande Porteiro. Feito isso, decidiu-se, então, que cada um dos sábios exporia sua visão do Caminho, e o Rato tomou a palavra, por ser o primeiro dos primeiros magníficos na ordem das constelações celestes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;3º Capítulo – Rato&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Rato: creio que o Caminho é a perspicácia e a astúcia. Viver exige uma grande habilidade de negociar, discutir, e exercitar-se na arte da Diplomacia. O meio mais eficiente de conseguir tudo é o melhor acordo entre as partes, ou conquistar um bom negócio. Se conseguirmos bons acertos, ninguém se pergunta o que somos, e podemos nos resguardar, e assim, preservamos nossa existência. Se formos pequenos, sabendo negociar, nos fazemos grandes; e sendo talentosos, nos fazemos necessários. Devemos ser meticulosos, previdentes e bons de conversa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Rato, suas idéias são boas. Fazer bons acordos, que beneficiem a todos, é o ideal em questões importantes. No entanto, se existem questões, é porque as pessoas não se entendem, e resolvê-las pode significar tirar partido delas; ser diplomata significa não expressar o íntimo, e ser superficial; por fim, a atração por bons negócios nos envolve em jogos perdulários ou em tramóias obscuras que rendem fácil. Ser de boa conversa, ou fazer bons acordos, não significa que existem princípios por trás disso, o que quer dizer que o seu desenrolar pode ser prejudicial no futuro. Além disso, gera-se desconfiança para com quem sempre busca a maior parte num acordo, tachando a este de interesseiro ou oportunista. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;4º Capítulo – Búfalo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Búfalo: para mim, o Caminho consiste no trabalho duro. Aqueles que se esforçam conquistam respeito, e a lavra sustenta o mundo. Quanto mais trabalho, mais produzimos; quanto mais produzimos, mais damos ao mundo; e quanto mais damos ao mundo, mais somos admirados e respeitados. Por isso, a dedicação ao suor afasta a divagação vã, e sustenta as criaturas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Búfalo, tuas palavras são boas, e realmente, seu trabalho alimenta o mundo. No entanto, mesmo com toda sua força, você não afasta as moscas de seu couro; do mesmo modo, seu trabalho duro é um dos mais aviltados, e não lhe angariou respeito. Se um trabalho busca reconhecimento, tendo-o ou não, isso é fama, mas não o Caminho. Além disso, quanto mais se trabalha, menos se pensa; e quando não pensamos, não temos novas idéias. Assim sendo, seu esforço sustenta o mundo, mas o conserva como é, e não o ajuda a mudar ou evoluir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;5º Capítulo – Tigre&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Tigre: o Caminho é a força. Quando temos força, impomos a justiça e causamos temor. Nossa vontade é a lei, e a força gera a ordem. Havendo ordem, tudo está em paz; e se há paz, há coexistência, há harmonia, então, o Caminho foi alcançado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: temerário saber, meu caro Tigre. A força amedronta, mas não educa. Por isso, um tigre velho é vítima de troça, quando se perde o medo dele. Além disso, a força gera a paz, mas também o conflito – afinal, não diz o velho ditado, “quando dois tigres duelam, um tem que morrer?”. Quem tem força não tem necessariamente sabedoria para usá-la, e uma vontade mal conduzida ou esclarecida é a pior das leis. A força pode trazer ordem, mas causa revolta. O exercício da força é admirável, mas causa disputas e atrai inimigos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;6º Capítulo – Coelho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Coelho: acredito que devemos evitar confusões, e nos dedicarmos a nós mesmos. Devemos lembrar sempre: não devemos nos meter em problemas; não devemos nos meter nos problemas dos outros e, na dúvida entre os dois, não devemos fazer nada. O Caminho é a arte de se esquivar, e se todos buscassem cuidar de si mesmos, ninguém precisaria se preocupar com os outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: muito respeitáveis as suas palavras, Coelho. A arte de ocultar-se evita, de fato, muitos problemas. Como observadores do mundo, vocês pitam seus cachimbos, tem muitas histórias pra contar, e – dizem – vocês conhecem os segredos da alquimia. No entanto, cada dilema que se interpõe na vida é um problema a ser superado; como então trilhar o Caminho, se a sua descoberta, em si, já é um problema? Tanta timidez assim nos afasta da vida, e diminui nossas experiências; tanta furtividade só nos cria uma opção, a fuga, até que não nos restem mais saídas. Por fim, devemos nos preocupar consigo mesmo, o que é bom quando buscamos aprender; mas como ignorar que, no mundo, é o auxílio mútuo que ajuda a perpetuação da vida?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;7º Capítulo – Dragão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Dragão: pois é, tanto medo assim não dá em nada. O Caminho verdadeiro é o poder. Ao termos o poder, podemos exercitar nossa vontade como quisermos, e seremos imortais na memória dos seres. Teremos a força, o domínio, e poderemos modificar o mundo, estabelecendo a verdadeira harmonia. O verdadeiro poder liga o Céu e a Terra, e está muito acima da vontade dos mortais – e rugiu para o Tigre, que não fez por menos, e mostrou suas presas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Bem disse, Dragão, que o poder pode mudar o mundo, e de fato, um grande soberano assim o faz. Mas lembre-se: um chefe manda, e as pessoas obedecem; um líder fala, e as pessoas seguem. O poder, em si, é a causa da construção e da destruição da vida. Se mal administrado, o poder corrompe, desequilibra, e torna-se um tentação para a inconstância e o desequilíbrio. Não raro os poderosos se tornam assustadores e imprevisíveis. Quando o fazem, são esquecidos, ou somente lembrados por seus erros. Você mesmo brigou com a tartaruga, a grande historiadora, e por isso ninguém mais acredita que você existe, senão como uma lenda – nem todo o poder de que você dispõe, portanto, revelou o Caminho ao mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;O Dragão levantou sua sobrancelha peluda com certo desdém, mas concordou, pois no fundo sabia que o Andarilho estava certo. O Tigre observou isso e miou baixinho, sabendo que também havia se comportado mal. O macaco deu risadinhas dos dois, e logo foi acompanhado pelos outros bichos. Então, disse o peregrino celeste:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez a...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;8º Capítulo – Serpente&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse a Serpente: o Caminho é a estratégia que leva a eficácia. Havendo uma estratégia definida, podemos vencer todos os negócios, nos esquivar dos problemas, fazer com que trabalhem para nós, manipular a força e alcançar o poder. Quem obtém a melhor estratégia, domina o verdadeiro Caminho. Na arte da guerra, a estratégia é o fundamento de todas as operações; como não seria, também, em toda a própria existência?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: cara Serpente, é preciso traçar planos em todas as questões da vida, e isso é certo. Mas a estratégia não significa a harmonia das coisas; afinal, boas estratégias podem ser utilizadas por déspotas, más estratégias podem ser usadas em bons negócios. Se tratarmos todas as questões da vida como se fossem uma guerra, então, com certeza, nós a causaremos. Você conhece os mistérios da terra e dos subterrâneos, é parente do grande Dragão, domina a arte do combate com sutileza e venenos terríveis e eficazes, mas nem por isso é amada por todos. Suas estratégias são adequadas para você, mas não para os outros animais; como crer, pois, que a estratégia em si é o Caminho como um todo? Cada animal possui suas próprias estratégias, é verdade; mas não esqueça que por trás de cada uma existe um propósito. Quando você defende seus ovos, ninguém discordará de sua combatividade; mas quando você ataca alguém, ardilosamente, apenas por passar perto de seu covil, é difícil aceitar que você apenas se defendia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;9º Capítulo – Cavalo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Cavalo: o Caminho verdadeiro é a liberdade, sem se prender as coisas mundanas. Viver cada dia como se fosse o último, amar incessantemente, aplicar seu físico na aventura e nas viagens reveladoras. Apenas quando alguém é si mesmo, pode-se dizer que alcançou o Caminho que lhe é próprio. O verdadeiro Caminho é a autenticidade realizante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Disse o Andarilho: bem sábio é o cavalo, pois só com liberdade podemos descobrir coisas novas. Quando viajamos, fugimos de nossa realidade cotidiana, e aprendemos com o inusitado. No entanto, se desprender das coisas materiais é fácil quando há pasto disponível e bem cuidado que não foi plantado por você. É fácil se desligar do mundo quando há alguém que está preso para nos sustentar. Podemos andar todo o mundo, mas se não trazemos a mudança em nós mesmos, nunca seremos outra coisa, em qualquer lugar que estivermos. Os cavalos foram ludibriados pelos humanos, e hoje puxam carroças e arados, como o Búfalo – logo, o desejo de se libertar e se desprender depende de ter as coisas materiais a disposição, e não o contrário. Quando lhes foi oferecido uma vida mais fácil, muitos cavalos aceitaram isso, e venderam sua liberdade facilmente. Fará parte de sua autenticidade realizante, pois, ser livre e volúvel ao mesmo tempo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez a...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;10º Capítulo – Cabra&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;color:black;"&gt;Disse a Cabra: o Caminho consiste em dedicar-se aos outros, e devotar-se ao seu bem. Quando cuidamos dos outros, cuidamos de nós mesmos, pois a devoção gera retribuição. Se necessário, usamos os chifres para defender os que nos são próximos; mas o Caminho consiste em anular-se em prol do semelhantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;color:black;"&gt;Disse o Andarilho: palavras lindas, cara Cabra. Animais como você ajudam a tornar o mundo melhor, com certeza. No entanto, ajudam a piorá-lo também. Afinal, se nos doamos por completo, o que os outros aprendem a fazer por si mesmos? Acaso não ensinamos a preguiça, quando nos dispomos a fazer tudo, deixando que os outros nada façam? Que valores podemos ensinar, se aqueles que recebem as dádivas não compreendem a dificuldade em alcançá-las? O Altruísmo é uma dos sentimentos mais nobres que existem, mas deve ser usado com cuidado. Se nos dedicamos a cuidar dos problemas alheios, em breve, estes serão nossos próprios problemas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;11º Capítulo – Macaco&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Macaco: pois para mim, o Caminho é o mundo das diversões e artimanhas. Devemos a aproveitar a vida levando tudo na brincadeira, e quando surgirem as grandes questões, improvisar. Gosto de boas frutas, e por isso não sou desprendido como o cavalo; mas se alguém tenta me prender, eu faço uma grande bagunça! Agitando nossos corpos, incitamos o espírito; e a vida não pode ser levada por regras duras. Uma trapacinha aqui, uma mentirinha acolá, não fazem mal a ninguém. Viver o Caminho é perceber, de modo bem aguçado, que cada bicho tem suas regras, e por isso devemos cultivar a alegria, as piadas e o bom humor inteligente - só assim ficaremos em harmonia com todos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: grande mestre macaco! Seus parentes já protegeram grandes sábios, suas façanhas são temidas e admiradas até mesmo no Céu. Buda gostou de você, e sabe que por trás desse jeito brincalhão, existe um discípulo compenetrado e dedicado. Me parece que sua missão no mundo é mostrar que os sábios não precisam ser tão sérios para serem sábios; mas permita-me dizer algo sobre suas palavras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Levar tudo na brincadeira é divertido, contanto que venha com aprendizado. Tão somente aproveitar a vida não leva a lugar nenhum, senão ao sem sentido desejo de viver apenas para aproveitar. Além disso, improvisar depende da criatividade, que vem da necessidade e do conhecimento; em horas que precisamos de respostas, portanto, este meio dificilmente ajuda, o que mostra que o Caminho não está dominado. Por fim, se cada bicho tem seus modos, mesmo assim, existem regras comuns a todos eles. Ninguém gosta de ser enganado, mesmo que engane alguém de vez em quando; e todos aqui querem viver longamente, o que significa que agradecerão bastante ao Céu se os predadores tiverem um pouco menos de fome, e um pouco mais de jeito. Ser bem humorado não implica ser arrogante, e ser feliz não deve levar ao exagero que humilha aos outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;12º Capítulo – Galo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Galo: o Caminho está nos costumes, no bom cumprimento das leis antigas, e na manutenção dos valores. Quando os hábitos foram criados antigamente, tinham por objetivo nos incutir os meios corretos de fazer as coisas, e nos dar consciência sobre nossas ações. Sabendo disso, o melhor Caminho é aquele em que os seres praticam sua moral na mais estrita perfeição, pondo ordem no mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: ah arauto do dia, belas palavras! Se hoje discutimos o Caminho é porque, de fato, alguém lembrou de criar este conceito, para que pudéssemos agora buscá-lo. Contudo, os hábitos não foram capazes de sustentar o Caminho, o que significa que ou os valores estão ultrapassados, ou o meio de alcançá-los mudou. Em ambos os casos, portanto, me parece que apenas preservar e praticar a moral não dá conta de responder aos desafios do mundo; na verdade, para haver ordem, os próprios hábitos e valores tem que mudar, em direção ao que é inédito, novo e diferente. Além disso, quantas vezes você mesmo teve que se defender de outros galos, que buscavam seu lugar como mestre da alvorada? Preservar os hábitos, quando estes te permitem ter várias esposas é uma coisa: mas e se suas esposas quisessem ter vários galinhos? Somente preservar as tradições não parece ser o Caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;color:black;"&gt;13º Capítulo – Cão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;color:black;"&gt;Disse o Cão: o Caminho é a lealdade e a dedicação. Em todas as relações, no trabalho ou na família, devemos ser leais e dedicados. Quando há fidelidade, se teme o erro, que afasta os amigos e colegas; quando há piedade filial, se teme a vergonha dos parentes. Seja o que for correto ou errado para um bicho de certa espécie, se com eles ele dedica sua afeição e espírito, então, encontra-se o Caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;color:black;"&gt;Disse o Andarilho: bom Cão, o melhor dos amigos. A lealdade é o cerne das relações entre os seres. Porém, pode-se ser leal a alguém que faz o mal? E ser leal a alguém que faz algo errado, é correto? Existem associações para todo o tipo de coisas, e algumas delas não são boas - deveria, ainda assim, existir tal lealdade e dedicação? Sua coragem é conhecida, sua devoção admirada, mas sua lealdade também não se submete muito fácil?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;14º Capítulo - Javali&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Javali: penso que o Caminho está em aproveitar bem as coisas da vida. Ter uma boa casa, boa comida, bom trabalho - que não canse muito, mas também não seja fácil demais -, namorar bastante, e talvez ter um ou outro vício menos importante e prejudicial. Quando me dá na telha, eu tenho energia pra passar a noite toda fazendo festa com o Macaco, mas este pessoal que é desprendido em demasia não sabe curtir o que é bom. Viver bem, apenas, este é o Caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: bem sabemos da sua força, caro javali, temida por qualquer outro animal quando você está bravo. Sabemos também que a vida nos oferece coisas muito boas - momentos inesquecíveis, comidas apetitosas e muito mais. No entanto, ater-se a estas coisas é criar a sua necessidade constante. Quanto mais se aproveita, mais se quer; difícil encontrar aqueles que se contentam com pouco, depois de experimentar o muito. Quem, a propósito, consegue a medida justa das coisas? Se existe uma preocupação angustiosa de se aproveitar a vida, o que há de bom nisso já se vai na eterna preocupação de se ter momentos bons. Se aceitarmos de bom grado apenas o que satisfaz o sentido, esquecemos nós mesmos de viver, em busca sempre deste insaciável prazer. Seus parentes, os porcos, trocaram a liberdade por um chiqueiro, apenas para não terem que se preocupar com a comida. O porco que lutou, ao lado do macaco, na grande travessia de Xuan Zang, era um preguiçoso comilão. A acomodação ilusória dos sentidos será satisfatória? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez a...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;color:red;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;15º Capítulo – Raposa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse a Raposa: devemos conhecer as artes ocultas, este é o Caminho. Existem segredos inimagináveis na magia e na alquimia. Com eles, podemos manipular as forças visíveis e invisíveis, segundo nosso interesse. Ao dispormos deste conhecimento, sabemosmais sobre a natureza, e a colocamos ao nosso serviço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: cara Raposa, as artes ocultas dão grandes poderes para quem as conhece. No entanto, que poderes são estes, que não impedem alguém de ser odiado, temido, contra o qual as pessoas conspiram ou tem medo? No que conhecer o oculto ajuda no que é evidente? O exercício da própria vida, na sua simplicidade direta, já não traz dificuldades tremendas? Pode o conhecimento dos segredos da natureza fazer a mesma estar em harmonia, se os outros não estão? Conhecemos a treta que você aplicou no Tigre, mas onde estava toda sua magia neste momento? Se os magos tem tantopoder, porque se ocultam? Não será porque mesmo suas forças e conhecimentos tem limites? Se os tem, será então que compreendem o Caminho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;16º Capítulo – morcego&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Morcego: o Caminho consiste em se desligar dos sentidos. Este mundo é apenas aparência, e as sensações que deles temos confundem a mente. Devemos meditar profundamente sobre as coisas, e delas formar uma consciência própria, o que nos ensinará a perceber a verdadeira fazce das coisas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: caro Morcego, muitos consideram sua visita algo auspicioso. Você pode perceber o mundo de modos que os outros ignoram. No entanto, pode-se acreditar em alguém que nunca viu o sol, ou que não sabe o que são as cores? Abrir mão de um sentido em detrimento de outro não nos faz conceber as coisas como elas são,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;mas sim - e apenas - um jeito próprio de concebê-las. Além disso, abandonar os sentidos parece trocar seis por meia dúzia - qual a vantagem de dispensar um em função de outro? E de que outro modo, por fim, entramos em contato com as coisas do mundo, mesmo que seja para negá-as, depois, senão pelos sentidos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;17º Capítulo – Corvo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Corvo: o Caminho é a arte da imitação. Quando vôo, percebo como o mundo é, e daí decido o melhor jeito de agir. Deve-se imitar os costumes dos bichos, do mesmo modo que imito seus sons. Assim, ninguém se incomoda com um ser oculto ou familiar. No momento de decidir sobre algo, se acompanhamos a maioria, nos indispomos com poucos. a consciência de muitos é a força de sua razão; para que ir contra ela? Devemos agir de modo isento, e acompanharmos as tendências.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Corvo, você já transitou por mundos diferentes, e sabe da importância que existe na habilidade de imitar hábitos novos entre gentes estranhas. No entanto, isso é somente a superfície; em que momento a individualidade pode se manifestar com tal comportamento? Além disso, a maioria pode decidir pelo erro, levando a uma catástrofe; uma opinião correta&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ou lúcida não seria mais apropriada? Deixar que os outros decidam por nós não será um erro tão grande quanto acreditar que a pura e simples imitação não é uma fraqueza de caráter?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;18º Capítulo – Gato&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Gato: o verdadeiro Caminho está em não se deixar dominar pelas coisas. Devemos nos colocar como seres poderosos, e assim, pela lógica yin-yang, atrairemos os fracos e os servis. Quanto mais nos valorizarmos, mais seremos valorizados; quanto mais nos ocultamos e nos reservamos, mas se interessam por nós; faça sempre acreditar que você está insatisfeito, e te oferecerão mais. O mundo da mutação é yin-yang, e as coisas funcionam ao contrário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Interessante teoria, que se comprova muitas vezes na vida quando se deseja algo que nunca chega. Mas lembre-se, tanta inteligência assim não o impediu de ser enganado pelo rato, que tomou seu lugar entre os magníficos [todos os bichos gargalham, e o gato se faz de esnobe]. Se precisamos não amar para sermos amados, o que poderemos amar um dia, então, se o quisermos fazer? Um modo de vida egoísta, no qual somos o centro de tudo, termina no dia em que se percebe que não há reciprocidade. Se todos agirem desta&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;maneira, quem servirá um ao outro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez a...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;19º Capítulo – Fênix&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse a Fênix: esqueçam do mundo da mutação, e busquem na imortalidade o Caminho real. Este mundo começa e acaba, mas a realidade transcendente é a verdadeira busca. Em outros mundos há a promessa de uma vida melhor - para que se preocupar com esse?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: a promessa da imortalidade é tentadora, mas isso é da sua natureza, cara Fênix. Aliás, sua própria continuidade está aqui, no mundo da mutação. Que certeza podemos ter que existem outros mundos depois que esta vida acaba? Devemos buscar aqui, nesta realidade, caminhos que não fazem parte dela? Aliás, será isso possível, ou senão um mero exercício de especulação? Com tantas dúvidas, não é mais apropriado se ater ao que se pode fazer aqui, e agora? Por fim, receio as crenças no além transcendente que fazem as pessoas esquecerem de viver o imanente - no que isso ajuda na harmonia? Ameaças de danação ou redenção educam a vontade dos indivíduos nesta existência?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;20º Capítulo – Unicórnio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Unicórnio: não acredito em Caminho. Buscamos algo que não existe. Quem o viu para dizer que ele pode existir? Você mesmo, grande peregrino, ficou famoso por nada achar; não teme que seja uma busca infrutífera?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;[Todos os animais prenderam a respiração!...]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: é verdade unicórnio, do mesmo modo que você também não existe! Se você não existe, não sei o que faz aqui; mas se está aqui, então, como pode não existir? Mas suponhamos que você fosse apenas uma idéia, uma lenda, algo que nunca existiu em corpo, de fato, senão apenas na mente dos outros; e no entanto, você não teria existido, mesmo que fosse apenas na imaginação? Sendo assim, durante anos as pessoas teriam escrito ou dito coisas em função do que supunham ser você, e apenas a busca por você poderia revelar que você não existe - e ainda assim, no presente, já que você poderia ter existido em outras épocas... Assim sendo, não seria a busca pelo que não se conhece a verdadeira busca de algo? Se o Caminho não existe, ou se existem vários, eu pretendo descobrir; enquanto isso, muitos outros apenas acreditam, sem saber, no que acreditam. Porque chafurdar na ignorância do desconhecimento, e desprezar as buscas superiores?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Unicórnio, alguns dizem que você se chama "rinoceronte" em outras terras; outros acham que você é um cavalo com um chifre no meio da testa; seja o que você for, você só será descoberto se o procurarem. Por esta razão, devemos buscar as coisas, antes que as percamos e não possamos mais achá-las. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;21º Capítulo – Girafa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse a Girafa: o Caminho consiste na previdência, em olhar longe para as coisas, e acumular provisões para o futuro. A vidência é o fundamento da estratégia, a sabedoria do poder, e o conhecimento das propensões. Observando os processos da mutação, compreendermos o desfecho das coisas. Estudar as mutações é o Caminho, e dominá-las é conhecer seu método.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Girafa, com seu longo pescoço, você enxerga longe. Acumular bens, pensando no futuro, é a previdência apropriada; estudar as mutações e seus desdobramentos, uma reverência para com a natureza e os espíritos ancestrais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;No entanto, quando acumulamos agora, pensando no futuro, o que fazemos no presente? Aquele que não arrisca, como ele pode mudar o mundo? Ao estudarmos as mutações, e com grande profundidade, podemos perceber como uma coisa será, de tal forma; mas ela assim não será, justamente, em função do que fazemos no momento atual? Se fizermos algo de maneira diferente, não poderemos mudar o futuro? A previdência é um seguro, mas pode virar uma prisão e um sacrifício sem sentido. Há vinhos que foram guardados para terem um sabor superior, por alguém que já morreu e não o experimentou. Qual o sentido nisso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez a...&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;22º Capítulo – Tartaruga&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse a Tartaruga: o Caminho consiste em estudar a história do mundo, para compreender como as coisas estão. Quando estudamos o passado, compreendemos os fundamentos de tudo que ocorre hoje. Sabendo disso, podemos perceber como agir, o que foi modificado, e o que pode ser transformado. A história é o fio que amarra toda a trama da existência, e que proporciona a continuidade. Viajamos o mundo todo para ver o que muda, e não o que permanece - este é o verdadeiro estudo da mutação, e o Caminho para a sabedoria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Tartaruga sagrada, você viajou por mares de todo o mundo, e conhece profundamente a história dos séculos. Olhar o passado nos permite compreender o que estamos hoje, e este é o alicerce do conhecimento e da moral. Nisso, você é uma especialista indiscutível. Mas o passado já se foi; vemos agora sua herança, mas o momento da transformação cabe a nós. Quantos se prendem nas miragens do antanho, sem vislumbrar ou imaginar o que poderá ser transformado! O passado pode ser tanto a base do saber quanto a arca de antiguidades. Muitos mestres hoje são apenas repetidores das coisas, sem saber como aplicá-las. Além disso, a própria mutação do mundo exige o eterno ajuste, a constante adaptação, sobre a qual precisamos manifestar novos princípios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;23º Capítulo – Pavão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Pavão: eu acredito que o Caminho consiste na supremacia da beleza. Todos amam o que é bonito; o que é belo, é bom. A beleza seduz, e em função dela, os outros seguem a vontade do mais sedutor. Ninguém gosta do que é feio; todos admiram o esplendor, o grandioso e o fulgurante. A beleza é a própria harmonia em si, e quando as coisas são admiráveis, todos se satisfazem com o que vêem e sentem, e respeitam o que é bonito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Pavão, ninguém dúvida de sua beleza, quase tão proverbial quanto a própria existência de seu parente, a Fênix. Contudo, a beleza da imagem é a superfície das coisas. Os bebês amam suas mães, e não sabem se elas são feias ou não; do mesmo modo, lindos jovens se tornam velhos, e quando sua beleza vai embora, deixam de ser respeitados pelo que eram. No entanto, a mente dos sábios atrai os buscadores; há beleza suficente em idéias novas para mudar o mundo, e ninguém sabe sua face. De tempos em tempos, as pessoas mudam seus gostos, e o que é superficial deixa de ser belo e fica feio; no entanto, o que é profundo, intelectual e sapiencial é sempre admirado e respeitado, mesmo que seja criticado. Passam as gerações, e os grande sábios permanecem, mesmo que não saibamos seus rostos. Acredito que a beleza ao qual você se refere não é o verdadeiro belo - e se ele existe, deve pertencer ao verdadeiro Caminho, e não contrário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;24º Capítulo – Elefante&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Elefante: penso que a razão, esta sim, é o fundamento de tudo, o grande Caminho. Analisar friamente as coisas, visando o que é mais apropriado; estabelecer os modos do que é correto, tendo em vista o bem maior. Desenvolver as ciências, isso traz a ordem e o esclarecimento. Com uma análise ponderada das coisas, por meio da razão, chegamos as conclusões corretas, acima dos sentidos e sentimentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: grande Elefante, suas idéias são tão&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;poderosas quanto sua enorme cabeça e suas temíveis presas. Com certeza, a razão nos leva ao esclarecimento, e por meio dela, as grandes descobertas estão sendo feitas. As ciências descobrem muitas coisas novas, mas elas são tão boas quanto más; o seu uso depende sempre de quem o faz. Existem médicos bons e ruins; existem pensadores preocupados e egoístas; existem técnicas que hoje funcionam, e amanhã não servem mais. Me parece, pois, que o uso da razão depende, para o bem dos seres, de uma formação moral apropriada - e que esta razão esteja preocupada com as conseqüências que irá gerar para os outros. Da mesma maneira, são os sentimentos de querer bem ou mal, de sucesso ou de fama, de altruísmo ou compaixão, que estimulam muitos a empregar a razão na solução de problemas da existência. Como desprezar, portanto, a importância deste motor, que alimenta a busca da própria razão? Você mesmo, meu caro Elefante, quando fica furioso, torna-se incontrolável. Sua paciência é lendária, sua memória prodigiosa, mas se elas foram usadas para submeter este colosso de força que é você à força mínima dos homens, ou se suas lembranças se transformam num eterno rancor ou pesar, onde está a razão para operar a manifestação da sabedoria? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;25º Capítulo – Rouxinol&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Rouxinol: o verdadeiro Caminho está no despertar dos sentidos mais profundos, por meio das artes. A poesia nos ensina o jogo das palavras; a música desperta sentimentos profundos, mesmo que muitos não saibam suas letras; o artista das formas atrai as pessoas com cores, curvas e retas; o pintor capta e prende a imaginação na tela. Quem domina uma arte com perfeição, consegue atingir o que está escondido nos seres. Ora, captar o oculto e conseguir dominá-lo, este não é o Caminho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Com certeza, caro Rouxinol do belo canto, é provável que alguns artistas tenham atingido o Caminho; mas e os outros tantos que, com suas obras, inspiram o desânimo, o pessimismo ou mesmo, a submissão? Quantos músicos cantam canções que divertem, mas não fazem ninguém pensar? Quantas obras de arte servem para vender mercadorias, sem que haja qualquer preocupação com o espírito? As artes tem a possibilidade de despertar sentimentos, mas o artista pode manipulá-las em função de seus interesses próprios. Isso seria correto? As artes podem ser um meio de desenvolver a sensibilidade sobre a mutação, mas sem uma orientaçào adequada, elas satisfazem os anseios do pavão, mas não da sabedoria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e passaram a vez ao...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;26º Capítulo - Louva-Deus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Louva-Deus: o Caminho é a grande comunidade dos seres, a união em torno de um propósito único, que anule a individualidade em prol do coletivo. Vejam os gafanhotos: quando unidos, são um enxame capaz de devastações terríveis; vejam as formigas: juntas, constroem fortalezas indestrutíveis e ameaçadoras. As borboletas são admiradas por sua beleza, e por superarem a prisão de seus casulos; no entanto, o que elas trazem para o mundo, senão o farfalhar de suas asas? Ninguém gosta das moscas, mas onde elas se fazem presentes, aparecem aos montes, e sua união altera o estado das coisas. Quando há união, todos sabem o que fazer, todos são iguais, e há harmonia. Este não seria o Caminho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: Brilhante exposição Louva-Deus, que mostra o poder e a força dos pequenos. Nada de grande é construído sem as mínimas partes. Nenhum grande império se sustenta, se não atender ao menor de todos os seus súditos. No entanto, nas grandes uniões, os discordantes são esmagados; poucas idéias governam muitos, e se tivermos mais idéias, teremos menos união. Alguém poderia objetar, assim, que é melhor que todos ignorem tudo; mas se ignorarmos as coisas, como poderemos continuar sobrevivendo? Se não aprendermos, e nem termos novas idéias, como desenvolveremos o conhecimento, e como superaremos os novos desafios? As formigas têm suas fortalezas, mas quase não saem delas, e para elas sempre voltam, pois este é o seu trabalho; os gafanhotos dependem das florestas e das plantações para viverem, mas eles mesmos nada cultivam, e precisam, assim, de outras criaturas para poder viverem. Quem abre mão de sua independência, se começa a pensar por si mesmo? Para haver tal união, é necessário não saber, não conhecer e não buscar; quem, pois, que raciocinasse um pouco mais, conseguiria viver deste modo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Não creio que este Caminho está completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os outros animais concordaram, e desta vez, quedaram-se profundamente quietos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;27º Capítulo - A conclusão dos trabalhos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: caros sábios da floresta, todos vocês falaram com propriedade, e tenho certeza de que apresentaram, com a mais pura sinceridade, seus pensamentos e crenças próprias. No entanto, ficou claro que ainda não alcançamos uma idéia sobre o Caminho - o Dao - que pareça convincente para todos nós. Me parece que se só existe uma única maneira de entender o Caminho, não a atingimos; mas se existem vários modos de compreender o Caminho, então, como dizer que há uma via, ou mesmo, o que ela seja?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Todos os bichos assentiram com a cabeça, até que o Urso, que havia cumprido seu voto de silêncio, pediu para falar. O Andarilho, assim como os sábios da floresta, ficaram intrigados pelo que o Urso poderia dizer, e deram-lhe a vez. Ele disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Caros sábios, aprendi muito hoje sobre os vários modos de olhar o Caminho, embora concorde que não chegamos a uma conclusão unificante. Gostaria de propor uma coisa: há um homem chamado Confúcio, um dos primeiros buscadores do Caminho, que pode ter uma opinião profunda e ponderada sobre este assunto. Afinal, ele tem vários discípulos, mas as pessoas más não gostam de ouví-lo. Quando ele dá suas opiniões e conselhos, os ignorantes se incomodam, os sábios sorriem, e os necessitados se alegram. Não seria uma boa opção ir consultá-lo acerca do assunto?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;A bicharada se animou, e achou a idéia boa; afinal, eles conheciam homens ruins, que os atacavam na floresta; sabiam de intrometidos e inconvenientes, que desapareciam no meio das matas, e os incomodavam com seus silêncios e hábitos estranhos. Mas, ouviram falar que o tal Confúcio não caçava crias nem passarinhos no ninho, e pescava com um anzol pra dar chance aos peixes de fugirem. Pareceu-lhes que era um homem admirável, e deram seu aval. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;O Andarilho disse:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;bem se vê meu caro Urso, que sua proximidade com os homens lhe deu esta idéia. Também sou um, e se busco o Caminho, é porque estes mesmos homens têm se digladiado por razões funestas, e não conhecem uma via que proporcione a harmonia - o objeto central de minha busca. Não seria um erro, então, buscar o Caminho com o homem, se já encontrei tantos, e com eles aprendi muito, mas não o Caminho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Para a surpresa de todos, o Urso replicou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;- A ignorância de muitos não diz a sabedoria de poucos. Se o Caminho fosse fácil, você não seria o buscador; e sua busca mesmo não consiste numa idéia que os próprios humanos criaram, a idéia de que há o Caminho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Andarilho: sábias palavras meu caro Urso. Você me convenceu, e o que eu puder aprender com este homem que seja relevante para todos nós, eu trarei para esta assembléia da florestinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Todos os bichos fizeram seus sons característicos, numa grande barulheira, em sinal de alegria e ansiedade. Que se visitasse o Sábio Confúcio, então.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;28º Capítulo - O encontro com Confúcio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;O Andarilho e a bicharada se puseram em marcha para buscar Confúcio. Após alguns dias de viagem, chegaram perto da casa onde o sábio morava, em grande procissão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Confúcio estava na entrada de casa, lendo, aproveitando o sol gostoso e fresco da tarde. Quando viu aquela montoeira se aproximando, pensou consigo mesmo: "hoje é dia!", e deu uma risadinha solitária. Depois de anos entre pedradas, maledicência, bajulações, agressões, projetos sabotados e incompreensão humana, aquela platéia lhe pareceu bastante simpática.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Para não causar sustos, o gracioso peregrino aproximou-se, à frente de todos, e se apresentando, fez as saudações necessárias:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Mestre Confúcio, abençoada seja sua sabedoria. Sou o Andarilho do Céu, o famoso buscador do Dao. Ouvimos dizer que você é um conhecedor do Caminho, e que poderia nos ensinar algo sobre isso. Após um amplo debate, eu os sábios da floresta aqui presentes não chegamos a nenhuma conclusão, e pensamos que o senhor poderia nos ajudar. Poderia nos ensinar um pouco sobre seu modo de compreender a via?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Confúcio adorou a visita, e abriu-lhe um sorriso de um lado ao outro do rosto. Ele gostou da idéia, e pediu que todos sentassem. Serviu-lhes bolinhos com vinho, pediu que todos prestassem atenção, e começou sua dissertação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;29º Capítulo - O Caminho de Confúcio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Disse o Mestre, de modo bem gentil: em primeiro lugar, meu caro Andarilho, se eu não o conhecesse, diria que você é doido por falar com os bichos. Depois, que procurar o Caminho entre os bichos é uma perda de tempo, pois você é um homem - como você pretendia alcançar algo com seres que não são gente como você?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os sábios da floresta não gostaram das palavras do mestre, e começaram a mostrar suas presas. Mas Confúcio, conhecido por sua sinceridade, continuou sem temor:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Caros bichinhos, vocês são o que são. Algum de vocês já desejou ser homem, por acaso? Duvido que estejam insatisfeitos com vocês mesmos, e acredito, portanto, que a discussão sobre o Caminho cabe aos que o procuram. Na sabedoria da floresta, ninguém precisou pensar o que seria o seu Caminho, porque nunca precisou dele - vocês já estão nele...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Os bichos se acalmaram, sorriram, e compreenderam o que Confúcio queria dizer. O Andarilho também. Todos se entreolharam, balançaram cabeças e focinhos, e concordaram que deveriam se retirar, deixando o Andarilho a sós com Confúcio. Se despediram com lambidas, acenos de patinhas ou de outro jeito qualquer. O mestre estava feliz, pois estes haviam sido excelentes alunos, e compreenderam de imediato o que ele dizia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Por fim, ficaram apenas Confúcio e o Andarilho. Então, este perguntou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Mestre, mas porque não basta ao ser humano ser ele mesmo para atingir o Caminho, como os outros animais?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Por uma razão simples, meu querido; é de nossa natureza duvidar, pensar, analisar, conceber, ter uma criatividade que supera em muito nossas limitações. O ser humano é o único, de todos os animais, que desenvolveu a cultura, que o permite ir além das expectativas. Assim, ao vivermos nossa cultura, nos aproximamos e nos afastamos, ao mesmo tempo, de nossa verdadeira natureza, que é a construção do saber.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Então mestre, o que é o Caminho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- O Caminho é um conceito do homem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Mas como é este Caminho?&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Ah! Agora, você finalmente fez a pergunta correta: o nosso Caminho é o Estudo. Nosso Caminho é a Educação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Quem pretende ser um bom governante, estude e eduque;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Quem quiser a redenção, estude e eduque;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Quem almeja a sabedoria, estude e eduque;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Pode-se governar o mundo estudando e educando as pessoas, mas não se pode nem mesmo organizar uma casa, sem o mínimo de conhecimento e experiência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Quando se estuda, a ignorância se afasta, o mundo se revela, e perde-se o medo da morte e do erro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Quando se atinge a sabedoria, se alcança o Caminho; pelo estudo compreendemos o que somos. Apenas comece a estudar, e no início você terá informações; depois, discernimento; após isso, profundidade; além, previdência; por fim, uma compreensão clara das coisas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Lembre-se sempre:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span lang="AR-SA" style="font-size:14pt;"&gt;学人&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;" lang="AR-SA"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;xue ren – &lt;i style=""&gt;estude o ser humano&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span lang="AR-SA" style="font-size:14pt;"&gt;做仁&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;" lang="AR-SA"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;zuo ren – &lt;i style=""&gt;faça o humanismo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span lang="AR-SA" style="font-size:14pt;"&gt;儒教&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;" lang="AR-SA"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;ru jiao – &lt;i style=""&gt;o ensinamento dos estudiosos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span lang="AR-SA" style="font-size:14pt;"&gt;天道&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;" lang="AR-SA"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;tien dao – &lt;i style=""&gt;[é] o caminho do céu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;30º Capítulo - A grande conclusão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Isso é tudo, meu caro Andarilho; se chegou até aqui, é porque estudou as coisas; se você compreendeu o que eu disse, vai chegar lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;- Obrigado Mestre; acabei de chegar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Ambos sorriram felizes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14pt;"&gt;Este é o Dao.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842803648676618119-1533068233943936890?l=dedelopolis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dedelopolis.blogspot.com/feeds/1533068233943936890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2010/10/os-sabios-da-floresta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1533068233943936890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842803648676618119/posts/default/1533068233943936890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedelopolis.blogspot.com/2010/10/os-sabios-da-floresta.html' title='O Livro dos Sábios da Floresta'/><author><name>ANDRÉ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09897930396883852328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/--ZNtQp8-hJU/TeW6BzXWt0I/AAAAAAAAA8k/kGNDO2T1BXI/s220/sage.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842803648676618119.post-2695227684213726354</id><published>2010-10-02T13:26:00.000-07:00</published><updated>2010-09-24T13:32:33.062-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Divagações de uma Mente Flutuante'/><title type='text'>A Procissão dos Sábios na Terra</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Nimbus Roman No9 L&amp;quot;; color:black;mso-themecolor:text1"&gt;Desde a mais remota antiguidade, passaram sábios pela Terra – ou, ao menos, parte deles realmente era sábia. Se for verdade que a obra de um sábio só é reconhecida na posteridade, isso nos livra de muitos enganos sobre o passado – mas não nos isenta, de modo algum, de estarmos se
